
(Desejo 56) Quando um homem ama

Peggy Moreland

Srie Corao Prpura (02)


Jack McGruder estava l apenas para oferecer dinheiro para Addy, mais uma das mulheres que seu irmo irresponsvel engravidara. Mas ela realmente ia ter um herdeiro
McGruder, na hora certa. Ao lado de Addy durante o parto, Mack sentiu que no poderia abandon-la depois do nascimento. Ento, pediu-a em casamento para poder cuidar
dela e de seu sobrinho. Seria apenas uma unio "de mentira", embora Mack estivesse secretamente apaixonado por Addy.
Juntos na grande casa dele no Texas, a tentao era irresistvel, Valeria  pena comprometer uma combinao estvel em troca de uma paixo febril?


PRLOGO

Guerra  medo mascarado em coragem - William Westmoreland
Fumaa pairava no ar e cobria a escurido, seu cheiro cido queimando as narinas dos soldados escondidos no gramado alto. Alguns haviam aproveitado a trgua na atividade
para estender os msculos do corpo, os olhos fechados, as armas posicionadas contra seus peitos, as mochilas usadas como travesseiros sob a cabea. Outros estavam
agachados, esperando... e esperando.
Antnio Rocei, ou Romeo, como era chamado por seus amigos, queria dormir, mas no podia. O medo mantinha seus olhos abertos e os ouvidos atentos para qualquer som
que surgisse na escurido. A distncia, brasas vermelhas e finas espirais de fumaa marcavam o lugar onde um pequeno vilarejo uma vez existira. Reconhecimento do
territrio inimigo reportara que soldados vietcongues tinham se infiltrado no vilarejo e estavam usando a rea para estocar artilharia. Mais cedo naquele dia, quando
ainda havia sol, um ataque areo acontecera. Construdas principalmente de madeira e bambu, materiais reunidos das redondezas, as casas que um dia tinham formado
o pequeno vilarejo haviam se transformado em gravetos secos. Tudo que restava eram brasas queimando e o cheiro enjoativo de fumaa.
Quando a manh chegasse, Romeo e outros soldados de sua unidade deveriam ir ao vilarejo procurar artilharia e munio, as quais, segundo tinha sido reportado, estavam
escondidas l. Uma outra tarefa era verificar os sobreviventes e contar os mortos. O estmago de Romeo revolveu-se com o pensamento do que teria de enfrentar, e
ele rapidamente reprimiu a sensao de enjo. Aquilo era guerra, afinal. Somos ns ou eles, pensou, e preferia que fossem eles.
- Romeo?
Ele saltou ao som da voz, ento relaxou quando percebeu que fora Pops, o lder da equipe deles, quem tinha falado.
Firmou a voz, escondendo o medo.
- Aqui.
Ouviu um leve rudo da grama roando, e angulou a cabea, observando Pops se aproximar.
- Voc est bem? - sussurrou Pops.
Romeo tirou uma das mos da arma apenas por tempo o bastante para pass-la sobre a transpirao nervosa que brotava em sua testa, e ento levou o dedo ao gatilho
novamente.
- Sim, mas me sentiria muito melhor se soubesse que somos os nicos aqui.
- Sim - concordou Pops seriamente.
O silncio se instalou entre eles, enquanto continuavam observando a escurido.
Romeo nunca admitiria isso, mas se sentia, menos vulnervel quando Pops estava a seu lado. Mais velho do que a maioria dos soldados do peloto, Pops, o apelido dado
a Larry Blair pelo resto do time, j havia feito uma viagem a servio para o Vietn, e estava em sua segunda jornada. Romeo no imaginava por que algum se candidataria
para ir  guerra uma segunda vez. Desde o dia em que chegara no pas, sentia como se tivesse sido deixado no meio do inferno, e no via a hora de pegar um avio
e voltar para casa.
- Pops?
- Sim?
- Voc se arrependeu de ter se candidatado para uma segunda jornada?
- No faz sentido arrepender-se do que voc no pode mudar.
Romeo angulou a cabea, a fim de olhar para o homem cuja opinio respeitava tanto quanto a de seu pai.
- Voc nunca sente medo, Pops?
- Sim, sinto - admitiu Pops calmamente - O soldado totalmente destemido  o primeiro a morrer. Se voc usar o medo, a seu favor, ele o manter alerta. Ceder ao medo
o tornar vulnervel, fraco.
Romeo considerou aquilo por um momento, mas encontrou pouco conforto no conselho de Pops. Sempre tinha se considerado corajoso, at mesmo arrogante. Agora, achava-se
o mais covarde dos homens.
- Ter medo  o mesmo que ser covarde? - perguntou hesitante.
- No. Um covarde corre e se esconde.
- Alguns dos rapazes consideram Preacher um covarde.
- Bem, eles esto errados. Preacher apenas no suporta o pensamento de tirar uma vida humana.  contra suas crenas que ele luta, e isso no  covardia.
Romeo refletiu por um instante, ento meneou a cabea com tristeza.
- Bem, no importa se voc  um covarde ou um heri. Ns todos morremos, de qualquer forma.
Pop pegou um pacote de chicletes do bolso.
- No fale sobre morrer - avisou, e ofereceu um para Romeo. Ento, desembrulhou o seu e dobrou o pedao de papel em dois, antes de coloc-lo na boca - Pense em viver,
sobre o que far quando voltar para casa.
Romeo suspirou, pensando no que deixara para trs, o que o estaria esperando quando retornasse.
- J lhe contei por que ingressei no exrcito?
- Creio que no - replicou Pops.
- Engravidei uma garota.
Ele sentiu o olhar de Pops, e pela primeira vez naquela noite, ficou grato pela escurido, pelo fato de seu amigo no poder ver seu rosto, sua vergonha.
- Ela estava me pressionando para casar e eu no queria. Ento decidi que o exrcito era um bom jeito de escapar disso.
Se Pops tinha uma opinio, manteve para si mesmo, o que Romeo apreciou imensamente. No esperava absolvio... ou sermo. Tudo que precisava era que algum o ouvisse.
- Foi errado - admitiu com arrependimento - Fugir, quero dizer. Mesmo que eu no quisesse me casar com ela, deveria, no mnimo, ter concordado em dividir a responsabilidade
sobre a criana. Uma criana que  minha, parte de mim. Eu no deveria t-la deixado para lidar com tudo sozinha - Ele olhou para Pops - Voc acha que  tarde demais?
Pops franziu o cenho em confuso,
- Tarde demais para qu?
- Para ajudar com as despesas da criana. Pensei em enviar algum dinheiro  me do beb.
- Tenho certeza que ela apreciaria isso - respondeu Pops.
- Sim - disse Romeo, aprimorando a idia - E quando eu voltar para casa e conseguir um emprego de verdade, poderei mandar dinheiro todos os meses. Uma espcie de
penso, como meu pai teve de pagar para mame depois que eles se divorciaram.
- Parece-me justo - concordou Pops - Um homem deve cuidar do que  seu.
Romeo franziu o cenho quando uma nova idia lhe surgiu.
- Mas o que acontecer se eu nunca voltar para casa? - ele olhou para Pops - Quem cuidar de meu beb, ento?
Pops tocou o ombro do amigo e apertou-o para confort-lo.
- No fale assim. Voc vai voltar para casa. Todos vamos.
Embora Romeo apreciasse a atitude de Pops, ambos sabiam que no havia garantias para nenhum deles. E se fosse morto, o que aconteceria com o seu beb? No possua
nada de valor para deixar. Nenhuma economia ou propriedade. Que coisa, nem mesmo tinha um carro. Vendera o seu velho carro para o primo, antes de ir ao Vietn.
- Pops?
- Sim?
- Lembra-se da escritura que aquele fazendeiro rasgou e nos deu, um dia antes de embarcarmos?
- Sim. O que tem isso?
- O velho homem disse que nos daria sua fazenda quando voltssemos para casa. Minha parte da escritura est em minha maleta de pertences pessoais no campo. Se alguma
coisa me acontecer, voc cuidaria para que meu filho ou filha recebesse isso?
- Nada vai lhe acontecer - insistiu Pops com teimosia.
- Mas se acontecer, promete que enviar o pedao da escritura para Mary Claire Richards? Diga-lhe que  para o beb.
Houve um longo momento de silncio antes que Pops dissesse calmamente:
- Fique tranqilo. Eu prometo.


CAPITULO UM

Addy pressionou a mo sobre as tmporas, tentando amenizar a dor de cabea que comeava a despontar. Mais cinco minutos ao telefone com sua me e teria enxaqueca
o dia inteiro.
Respirando profundamente, procurou ser paciente.
- Sei que voc no gosta de falar sobre meu pai - comeou, escolhendo as palavras com cuidado - Mas isso  importante. Uma moa telefonou. Stephanie Parker. Disse
que o pai dela serviu com ele no Vietn.
- E da se ele serviu? - respondeu sua me, irritada - Milhares de soldados americanos foram para o Vietn.
Fazendo o possvel para ignorar a amargura da me, Addy continuou, determinada a ir at o fim daquela conversa sem gritar:
- Stephanie me disse que o pai dela mandou uma carta do Vietn para a me, com um pedao de papel rasgado dentro. Ela acha que Tony pode ter enviado um papel similar
para voc.
- A nica coisa que Antnio Rocei me deu na vida foi voc, e, mesmo assim, por acidente.
Addy no se acovardou com o fato da me apontar sua ilegitimidade. As circunstncias de seu nascimento foram repetidas com tanta freqncia durante os anos que ouvir
aquilo no tinha mais o poder de feri-la.
- Este papel pode ser valioso - insistiu - Voc se lembra de Tony ter lhe enviado alguma coisa parecida?
- Isso faz mais de trinta anos! - replicou sua me - Como posso me recordar de alguma coisa que aconteceu h tanto tempo? Nem mesmo lembro do que havia na correspondncia
de ontem.
- Um pedao de papel rasgado, me.  estranho o bastante para que pudesse se lembrar.
- Se voc ligou para falar sobre ele, vou desligar. Estou perdendo meu programa favorito na tev.
Antes que Addy pudesse dizer mais alguma coisa, o sinal de linha ocupada soou nos seus ouvidos.
- O beb e eu estamos indo bem, obrigada por perguntar.
Com um suspiro, ela bateu o telefone, furiosa consigo mesma por deixar a falta de preocupao de sua me perturb-la. Mary Claire Richards-Smith-Carlton-Sullivan
era uma mulher autocentrada e neurtica, que saa de um casamento ruim para o prximo, movida por uma amargura  qual se agarrava por mais de trinta anos, no se
importando com as necessidades de ningum, nem mesmo as de sua prpria filha.
Irritada, Addy tirou uma mecha de cabelos do rosto e disse a si mesma que isso no importava. Afinal de contas, sobreviver por 33 anos, apesar de toda a indiferena
de sua me. Por que deveria esperar que ela mostrasse alguma preocupao agora?
Parou para desamarrar o cadaro do tnis, mas desistiu temporariamente, quando viu seu reflexo na porta espelhada que dava para o quintal. Endireitando o corpo devagar,
olhou-se, mal reconhecendo a mulher que a fitava de volta. Seu estmago estava grande, seus ps e tornozelos muito inchados, e seus cabelos pretos e longos, os quais
considerava seu melhor atributo, estavam presos em um n no topo da cabea. Usava aquele ridculo uniforme verde desbotado e um velho par de tnis. Estudando sua
figura pattica, ficou quase feliz que Ty no estivesse l para v-la.
Com uma careta, alcanou o cadaro do tnis de novo.
- Como se eu fosse deix-lo passar por aquela porta - murmurou para si mesma. Ty Bodean era um mentiroso desavergonhado, e estava muito melhor sem ele, mesmo que
isso significasse criar seu beb sozinha.
Addy mordiscou o lbio inferior quando tirou o tnis de seu p inchado, pensando sobre tudo que o futuro lhe reservava. Dinheiro seria um problema. H 18 meses comprara
a casa, o que acabara com suas economias, e agora tinha de pagar prestaes que eram quase o valor do que possua para o oramento mensal. Na poca em que havia
realizado a compra parecera um investimento sbio. Sempre desejara ter uma casa prpria, e a oferta do dono anterior fora quase irrecusvel.  claro, quando concordara
em comprar a casa no estava grvida e no tinha planos de engravidar num futuro prximo. Um caso inesquecvel, embora breve, com Ty Bodean tinha mudado tudo isso.
O segundo problema, diretamente ligado ao primeiro, era quem cuidaria da criana. Detestava a idia de seu beb sendo criado por estranhos, mas, sendo a nica pessoa
que sustentava a famlia, no havia a menor possibilidade de largar o emprego e ficar em casa com seu beb.
O terceiro problema era criar um filho sozinha, sem pai. Novamente, no possua outra opo, mas estava determinada a cri-lo muito melhor do que sua prpria me
a criara.
A lembrana da me levou seus pensamentos ao pai que nunca conhecera e ao telefonema que recebera, falando sobre ele. Franziu o cenho, pensativa, enquanto refletia
sobre o pedao de papel rasgado que Stephanie Parker mencionara.
Poderia o tal papel ter realmente algum valor?, perguntou a si mesma, ento riu. Mesmo que tivesse, o que duvidava muito, no podia fazer nada com algo que no era
capaz de encontrar. Sups que poderia vasculhar o ba, o qual estava na garagem de sua casa, pois sua me lhe pedira que o guardasse num local seguro. Se o papel
existisse, estaria l.
Mas no esta noite, pensou, suspirando profundamente. Tinha trabalhado oito horas sem intervalo no pronto-socorro, e no queria fazer mais nada, exceto colocar os
ps para cima e assistir  televiso.
Apoiando-se contra o balco da cozinha, ergueu o outro p para desamarrar o cadaro restante. No momento em que fez isso, sentiu uma dor aguda na barriga e perdeu
o flego. Com olhos arregalados, colocou uma mo sobre o estmago e abaixou-se lentamente sobre os joelhos. Ento posicionou uma das mos no cho a fim de se manter
reta, e forou-se a respirar fundo diversas vezes, enquanto pensava em uma explicao lgica para a dor. No podia estar em trabalho de parto, pensou. Ainda faltavam
dois meses para completar a gestao. S podia ser alarme falso, decidiu. J tinha experimentado dores similares antes. Nenhuma to severa quanto esta, mas sabia
que logo passaria, como as outras haviam passado.
Contudo, quando se ajoelhou, esperando que a dor diminusse, esta se tornou mais intensa, quase insuportvel. O suor brotou-lhe na testa e comeou a escorrer pelo
rosto. No podia se mover e mal conseguia respirar. Olhou para  balco acima e para o telefone fora de alcance, e engoliu uma nusea, tentando reprimir o medo,
sabendo que tinha de pedir ajuda, mesmo sem saber a quem! Detestava a idia de chamar uma ambulncia, se isso fosse um outro alarme falso. Trabalhava no pronto-socorro
do hospital e sabia quanto tempo e trabalho eram desperdiados com mulheres grvidas que se convenciam erroneamente de que estavam em trabalho de parto.
Chamaria a vizinha, decidiu. A sra. Baker lhe faria companhia at que pudessem determinar se aquilo era real ou apenas alarme falso.
Porm, quando levantou a mo para o balco a fim de se levantar, uma outra dor a assolou, quase a cegando com sua intensidade e fazendo-a voltar para a posio ajoelhada.
Gemendo, curvou-se como uma bola, tentando acalmar a dor. Ento sentiu uma umidade estranha entre as pernas e observou, horrorizada, quando uma mancha escura espalhou-se
por sua cala, ensopando-a at os joelhos.
Fechou os olhos fortemente contra a viso, sabendo muito bem o que aquilo significava.
- Oh, meu Deus, por favor - rezou enquanto comeava a chorar - No me deixe perder meu beb.

Mack desceu de seu carro e checou o nmero da casa, comparando com o remetente do envelope que segurava, ento o guardou no bolso da camisa e estudou a propriedade.
A aparncia modesta e o charme tpico de uma casa antiga o surpreendeu. Viagens similares no passado o tinham levado para prdios ultramodernos em bairros tranqilos
de classe alta, muito diferente do que via agora. Aquela casa parecia quase... Bem, quase um lar. Desde a borda de no-me-toques que alinhava a calada at as samambaias
que caam preguiosamente de vasos pendurados nas calhas da varanda, aquele parecia um lugar onde uma famlia poderia viver.
Lembrando-se de que sua prpria famlia era a responsvel por ele estar l, praguejou e comeou a subir os degraus para a porta da frente, ansioso para se livrar
logo daquela tarefa desagradvel. Bateu contra a bonita madeira avermelhada, a qual parecia recentemente pintada, e esperou.
Aps um minuto se passar sem uma resposta, bateu de novo. Franzindo o cenho, colocou o ouvido contra a porta, esforando-se para ouvir qualquer som que viesse de
dentro, indicando que havia algum em casa. Ouviu uma voz feminina chamar, mas no tinha certeza do que ela dizia. Um convite para que entrasse ou simplesmente um
sinal para inform-lo que atenderia num minuto?
Imaginando que provavelmente era a ltima opo, esperou pelo som de passos do lado de dentro. Quando no ouviu nada, exceto silncio, tentou abrir a porta, mas
estava trancada. Intrigado, olhou para sua esquerda e notou algumas janelas. Embora estivessem cobertas por persianas, ele foi at l espiar atravs das frestas.
Uma pequena abertura lhe deu uma viso parcial da sala de estar. No encontrando nenhum sinal de vida, desviou o olhar para um corredor alm, que levava  cozinha
e aos fundos da casa. Um estranho movimento no cho chamou-lhe a ateno, e Mack pressionou o nariz contra o vidro para ver melhor.
- O que  isso? - murmurou em voz alta quando viu o que parecia ser uma mo estendida, os dedos raspando no piso de azulejo. A mulher estava bbada ou tinha cado?,
perguntou-se. Estava sofrendo de algum tipo de overdose? Nenhuma das possibilidades o surpreenderia, considerando as pessoas com quem Ty costumava se relacionar.
Mas foram outras possibilidades que surgiram em sua mente, como um assalto ou tentativa de seqestro, que o fizeram circular a casa correndo e ir para a porta dos
fundos. Com o corao disparado, subiu os degraus para a varanda de trs e abriu a porta.
Temendo um possvel ataque, entrou cuidadosamente.
- Senhora? - chamou - Est tudo bem?
- Ajude-me... por favor.
A voz fraca e meio desesperada veio do lado oposto do cmodo.
Mack rapidamente rodeou a ilha que separava a cozinha e encontrou a mulher deitada no cho, de costas para ele. Pela estranha posio esparramada, parecia que o
escutara bater  porta e tentara, sem sucesso, arrastar-se para l.
Ele se abaixou atrs dela e tocou-lhe o brao.
- Voc est machucada?
- Eu...
Gemendo, ela se encolheu mais.
- Minha... bolsa d'gua estourou - ela conseguiu falar entre respiraes dificultadas.
Mack sentiu um calafrio na espinha. Sabia que a mulher estava grvida, mas no imaginou que a gravidez estivesse to avanada.
- De quanto em quanto tempo so as contraes? Ela respirou fundo, exalando o ar devagar, ento rolou de costas e o olhou.
- Esto contnuas. Por favor, me ajude - Lgrimas preencheram-lhe os olhos e caram sobre os clios escuros - No quero perder meu beb.
Mack contraiu o maxilar contra o medo que viu nos olhos dela, o desespero que ouviu na voz. No precisava daquele pesadelo, disse a si mesmo. O mais sbio a fazer
seria sair dali o mais rpido possvel e rasgar o cheque que levara para acabar com quaisquer responsabilidades que sua famlia tivesse em relao a ela.
Mas a moa fechou a mo sobre a sua, os dedos enterrando profundamente em sua pele.
- Por favor - suplicou - Voc precisa me ajudar. Ele hesitou por um momento, ento praguejou baixinho e se levantou. Com o semblante desgostoso, tirou o telefone
de sua base e chamou uma ambulncia.

Mack andava de um lado para o outro no pronto-socorro, o estmago embrulhado, as mos midas. Seu desconforto no era de preocupao pela mulher que fora levada
 sala de parto trinta minutos atrs, mas pelo hospital. Odiava hospitais. O cheiro de anti-sptico. A decorao estril, sem vida. As constantes chamadas de mdicos
e enfermeiras pelo microfone. No sabia o que o possura para ter ido l. Fez o que a mulher pediu. Chamou uma ambulncia e ficou com ela at que esta chegasse.
Fizera sua tarefa. Se ela perdesse o beb no era problema dele. No era seu filho.
Mack jogou a cabea para trs com um gemido, incapaz de acreditar que at mesmo havia pensado uma coisa dessas. No desejava o mal da mulher, e, com certeza, no
queria que ela perdesse o beb. Sabia como era perder um filho. A dor, a culpa, o vazio que ficava em seu corao, em sua vida.
- Sr. McGruder?
Ele girou ao som de seu nome, e descobriu uma enfermeira parada na soleira da porta.
- Sim?
- A srta. Rocei quer v-lo - ela abriu mais a porta - Se me seguir, mostrarei-lhe o caminho.
Mack hesitou, sabendo que era um erro ver a mulher novamente, envolver-se mais do que j estava ento. Deveria ir embora. Voltar para casa, de onde viera. Esquecer-se
sobre Adrianna Rocei e a criana que estava para nascer.
Em vez disso, pegou-se seguindo a enfermeira ao longo do corredor.
Ela olhou por sobre o ombro.
- Voc  um heri por aqui, sabia? Ele franziu o cenho, sem graa.
- No sou heri.
- Aqui voc . Socorreu a um de ns - com o olhar confuso de Mack, ela explicou: - Addy trabalha aqui.  enfermeira. Se voc no tivesse aparecido na casa dela naquele
momento, minha amiga poderia ter perdido o beb e at a prpria vida.
Antes que ele pudesse pensar numa resposta, a enfermeira parou diante de um cubculo e abriu uma cortina, deixando-a de lado.
Quando Mack hesitou, ela lhe deu um sorriso encorajador.
- No se preocupe - murmurou - Ela est descansando mais confortavelmente agora.
Respirando fundo, ele entrou. O cmodo era to pequeno que a cortina roou suas pernas quando a enfermeira a fechou. A mulher, Addy, como a enfermeira a chamara,
estava deitada em uma maa h menos de um metro de onde ele estava em p, um lenol cobrindo-a do queixo aos ps. Uma pulseira branca de identificao circulava-lhe
o pulso esquerdo, e uma agulha intravenosa estava atada  mo. Ele seguiu o tubo para um frasco preso perto da cama e ento desviou o olhar para ela.
Com os olhos fechados e as mos cruzadas sobre o estmago inchado, ela parecia serena, pacfica. Pensando que estivesse dormindo, Mack aproximou-se da cama, e ficou
aliviado ao descobrir que havia mais cor no rosto dela do que houvera quando os atendentes a colocaram na ambulncia.
Ela no era linda, pensou enquanto a estudava, mas tampouco era feia. A pele era bronzeada e os cabelos eram pretos, um testamento de seu sobrenome italiano, ele
sups. As mas do rosto eram sobressalentes, o pescoo longo e gracioso.
Enquanto tentava se recordar da cor dos olhos dela, Addy os abriu, piscando suavemente. Castanhos. Os olhos eram castanhos, com longos clios os rodeando.
Ela sorriu docemente e pegou-lhe a mo.
- No acredito que est realmente aqui. Eu podia jurar que tinha imaginado voc.
A voz estava rouca, mal passando de um sussurro, mas ele ouviu a pergunta oculta na declarao.
- A enfermeira disse que voc queria me ver.
Ela apertou-lhe a mo em agradecimento.
- Sim, para agradec-lo - Addy fechou os olhos e engoliu em seco. Quando os reabriu, uma nica lgrima escorreu pelo canto, deslizou para as tmporas e desapareceu
nos cabelos - No sei o que teria acontecido comigo e com meu beb se voc no tivesse aparecido naquele momento.
Mack desviou o olhar, incerto sobre o que dizer. Quando voltou a olh-la, ela o estudava com curiosidade, como se apenas agora quisesse saber sua identidade e o
que fora fazer em sua casa.
- Eu conheo voc?
Ele hesitou por um momento, ento percebeu que ela nunca faria a conexo.
- John McGruder, embora quase todos me chamem de Mack.
- Mack - repetiu ela, como se estivesse brincando com o som do nome, ento sorriu -  um nome forte. Combina com voc.
Antes que ele pudesse pensar em uma resposta, ela arqueou o corpo para cima da cama, os dedos enterrando nos lenis.
Entrando em pnico, ele olhou ao redor, procurando alguma campainha.
- Devo chamar a enfermeira?
Ela respirou profundamente, soltou o ar, ento abriu os olhos e forou um sorriso.
- Estou bem. O mdico foi capaz de interromper o trabalho de parto, mas disse que eu ainda deveria sentir algumas dores.
Mack suspirou, aliviado que a dor no tivesse durado muito tempo.
- Isso significa que voc pode ir para casa?
- No. Na verdade, um funcionrio do hospital vir me buscar agora e me levar para a ala de gestantes.
- Mas o mdico no conseguiu interromper o trabalho de parto?
- Sim, conseguiu... por enquanto. Mas tenho de ficar no hospital. Eles precisam monitorar os sinais vitais do beb, alm de me manter deitada.
- Quanto tempo voc ter de ficar? Ela ergueu um dos ombros.
- At que o beb nasa. A data normal no seria antes de 15 de julho, mas o dr. Wharton duvida que demore todo esse tempo.
Ele fez as contas na cabea e tremeu, sabendo que enlouqueceria se tivesse de ficar numa cama de hospital por seis semanas.
- H algum para quem voc quer que eu telefone? Um familiar que queira notificar?
Ela meneou a cabea.
- A nica famlia que possuo  minha me e ela mora no Hava.
Mack pegou uma caneta do bolso.
- D-me o nmero dela e a avisarei do que est acontecendo. Sua me provavelmente vai querer pegar o prximo avio.
-  muita gentileza sua oferecer, mas no  necessrio. Ela no estava planejando vir para o nascimento do beb. O fato de eu entrar em trabalho de parto mais cedo
no a far mudar de idia. Ele pressionou a caneta contra o papel.
- Por que voc no deixa que ela decida isso? Addy hesitou por um momento, ento suspirou.
- Suponho que no far mal algum inform-la. O nome dela  Mary Claire Sullivan e o nmero ...
Mack anotou o nmero ditado, ento guardou o papel e a caneta de volta no bolso. Incerto, olhou ao redor.
- Bem, acho melhor ir embora daqui, antes que eles me ponham para fora. H mais alguma coisa que voc queira antes que eu v embora?
Ela arqueou uma sobrancelha.
- Mais seis semanas de gravidez? - sorrindo, acrescentou: -  brincadeira. Ficarei bem.
Mack mudou de posio, ansioso para partir, mas relutante em deix-la sozinha.
- Cuide-se, est bem?
Ela alcanou-lhe a mo e a apertou.
- Obrigada, Mack. Por tudo.
Assim que Mack saiu do pronto-socorro, pegou o celular preso  cintura e discou o nmero que Addy lhe dera, querendo ligar para a me dela antes que chegasse na
estrada.
No momento em que uma mulher atendeu, perguntou:
-  Mary Claire Sullivan?
- Quem quer saber?
Ele franziu o cenho com o tom suspeito da mulher.
- Mack McGruder. Estou ligando em nome de sua filha, Addy - acrescentou, pensando que a mulher podia ter mais de uma filha - Ela entrou em trabalho de parto esta
noite e correu para o hospital. O mdico foi capaz de interromper o trabalho, mas ela ter de permanecer no hospital at que o beb nasa.
- Foi voc quem a engravidou?
Perplexo pela questo inesperada, fez uma pausa antes de responder:
- No. Estou apenas passando a informao. Achei que a senhora quisesse se programar para vir ficar com sua filha.
- Se ela acha que vou viajar at Dallas para segurar-lhe a mo, est muito enganada. Ningum ficou sentado a meu lado quando a pus no mundo. No, senhor. Suei 12
horas em trabalho de parto, sozinha. Doze longas horas - enfatizou - E mesmo se eu quisesse ir, o que no quero, tenho um marido para cuidar. No posso pegar um
avio e deix-lo aqui para se virar. Diga a Addy que foi ela quem se meteu nessa confuso, e ter que ir at o fim com isso. J tenho problemas suficientes para
lidar, sem ter de assumir os de Addy, tambm.
Atnito, Mack comprimiu o maxilar. Como uma me podia ser to insensvel em relao  prpria filha? To indiferente?
- Se  com os custos que a senhora est preocupada, posso pagar a passagem.
- Um homem que se oferece para fazer isso tem a conscincia culpada ou dinheiro para queimar.
Mack cerrou os dentes.
- S estou tentando ajudar. Pensei que gostaria de estar com sua filha num momento como este.
- Ela engravidou sem minha ajuda. Pode parir sem mim tambm.
- Mas  sua filha - gritou ele, incapaz de conter sua frustrao por mais tempo - Ela precisa da senhora.
- J cumpri minha tarefa com Addy. Eu a criei, no criei? E sem nenhuma ajuda do patife do pai dela.
Mack queria xingar a mulher, estrangul-la de preferncia. Como uma pessoa, especialmente uma me, podia ser to sangue frio?
- Lamento por t-la perturbado - murmurou e desconectou a ligao, antes que cedesse  vontade de dizer-lhe tudo que pensava sobre ela. Irritado, guardou o celular
de volta no suporte da cintura e passou as mos pelos cabelos. Cruzando os dedos atrs da nuca, olhou por sobre o ombro para a porta do pronto-socorro e visualizou
Addy deitada na maa, provavelmente morrendo de preocupao com seu beb, e sem uma alma viva para lhe dar apoio.
Abaixando os braos, dirigiu-se para o estacionamento, dizendo a si mesmo que aquilo no era problema seu. Cumprira seu dever. Chamara a ambulncia, certificara-se
de que Addy chegasse ao hospital. At mesmo telefonara para a me dela.
Todavia, sem poder evitar, deu meia-volta abruptamente e foi para a entrada do pronto-socorro. Uma vez l dentro, logo avistou a enfermeira que o levara para ver
Addy e gesticulou para cham-la.
- Deixando-nos? - perguntou ela, sorrindo.
- Sim. Tenho de dirigir quatro horas antes de chegar em casa - Mack tirou um carto pessoal da carteira e entregou-lhe - Eu apreciaria se voc me telefonasse caso
haja alguma mudana na condio de Addy. Meu celular est no canto inferior. Ligue de dia ou  noite. No importa, eu atenderei.
A enfermeira escondeu um sorriso.
- E depois voc diz que no  um heri.
- Um heri, eu no sei. Mas parece que nasci para resolver as confuses que outras pessoas fazem - murmurou ele, ento se virou e partiu.


CAPTULO DOIS

Addy inclinou a cabea para trs sobre o travesseiro e cerrou os dentes, certa de que a dor lhe racharia ao meio. Apesar do esforo para suprimi-lo, um gemido alto
escapou de seus lbios, e comeou a ofegar, determinada a ser forte e a no ceder  dor.
Enquanto ajustava as gotas intravenosas, Marjorie olhou na sua direo.
- As dores esto muito fortes?
Engolindo em seco, Addy assentiu.
- Voc chamou o dr. Wharton?
Marjorie pegou-lhe a mo na sua, carinhosamente.
- Ele est a caminho.
Addy suspirou.
- Espero que ele corra.
Com uma expresso compreensiva, Marjorie afastou os cabelos midos do rosto da amiga.
- Sei que no quer ouvir isso, mas falta muito para voc dar  luz.
Gemendo, Addy fechou os olhos.
- No pode ser. A dor j est insuportvel - Ela abriu os olhos e fitou Marjorie, a vista nublada pelas lgrimas - Voc me contaria se tivesse alguma coisa errada
com o beb, no contaria?
-  claro que sim - Marjorie a assegurou.
Addy estudou o rosto da amiga, tentando determinar se ela estava falando a verdade ou apenas dizendo aquilo para no aborrec-la ainda mais. Incerta, desviou o olhar.
- Voc deveria voltar para a emergncia. Est em seu horrio de trabalho.
Marjorie olhou em direo  porta e fez uma careta.
- Eu realmente deveria. Houve um acidente de nibus na estrada. O aviso veio um pouco antes de eu subir para ver voc.
Addy retirou a mo da de Marjorie.
- Ento v. Eles precisam de voc mais do que eu.
- Mas detesto deix-la sozinha - disse sua amiga-
- Eu ficarei bem. De verdade.
- Vou ligar para Mack - murmurou Marjorie, j pegando o celular do bolso - Ele me deu os telefones e pediu que o avisasse se houvesse alguma mudana na sua condio.
- No, por favor - suplicou Addy - Ele j fez muito por mim. Prometa que no vai ligar.
Marjorie olhou-a com teimosia por um momento, ento deu de ombros.
- Tudo bem - concordou, e guardou o celular no bolso - Volto assim que puder para ver como voc est.
- Obrigada, Marjorie.
Addy esperou at que sua amiga fechasse a porta, cobriu o rosto com as mos e cedeu s lgrimas que a vinham ameaando desde que o trabalho de parto recomeara.
No podia perder o beb e rezava a Deus que o mantivesse seguro. Queria tanto aquele beb, necessitava dele. Apesar de todos os sacrifcios que teria de fazer para
sustent-lo, queria que seu filho vivesse.
E enquanto rezava, agradeceu pela apario inesperada de Mack em sua casa, e pelos passos que ele dera para proteger a vida de seu beb.
De sbito, afastou as mos do rosto e franziu o cenho, perguntando-se sobre Mack e percebendo que, embora tivesse perguntado o nome dele, no perguntara o que fora
fazer em sua casa.
Havia algumas explicaes plausveis, lembrou a si mesma. Ele podia ser um cobrador ou um pesquisador. Mas aquilo no fazia sentido, uma vez que no tinha contas
pendentes e pesquisadores eram proibidos em seu bairro. Sups que ele poderia ter se perdido e apenas parado para pedir informaes, o que no era incomum, porque
seu bairro era repleto de ruas emaranhadas que confundiam at mesmo o melhor leitor de mapas.
Qualquer que fosse a razo, pensou, no importava, considerando a gentileza de Mack com ela. De sbito, desejou que ele ainda estivesse ao seu lado. Sabia que era
tolice desejar a presena de algum que nem mesmo conhecia. Mas enquanto ele estivera por perto, na sua casa ou no hospital, sentira-se segura, mais capaz de lidar
com a dor ou enfrentar qualquer coisa que acontecesse.
Abriu as mos para olh-las, lembrando-se da sensao do aperto de Mack, da firmeza com que ele as segurara. Parecia um homem to forte, to controlado. Nem mesmo
a conhecia, entretanto, seguira a ambulncia at o hospital, fizera-lhe companhia e at mesmo se oferecera para ligar para a me dela.
Por que no poderia ter se apaixonado por um homem como Mack?, perguntou-se com tristeza. Apostava que ele no teria lhe roubado ou mentido, como Ty. E provavelmente
no teria fugido do jeito que Ty fugira quando ela lhe contou que estava grvida.
Engolindo o n que se formou em sua garganta, Addy fechou os olhos e tentou relaxar, sabendo que tinha de manter os pensamentos focados a fim de lidar com a prxima
dor que viria.
Haveria muito tempo para arrependimentos depois.

Uma grossa camada de nuvens bloqueava a luz que a lua poderia oferecer, deixando a estrada completamente escura por quilmetros e quilmetros. Mas Mack no se importava
com a escurido e a falta de trnsito que encontrou. Na verdade, dava boas-vindas a isso. Dessa forma, podia pensar.
E Adrianna Rocei, ou Addy, como sua amiga a chamava, dera-lhe muito sobre o que pensar.
Uma gravidez no planejada. Um namorado irresponsvel. Uma me que no se importava nem um pouco com a filha. E agora a vida do beb estava correndo risco. Quanto
mais uma mulher podia agentar?
No era certo, pensava. Nenhuma mulher devia passar por tudo isso sozinha. Ela deveria ter um marido ou, pelo menos, uma famlia que lhe oferecesse apoio fsico
e emocional. Que coisa, a mulher ficaria presa a uma cama pelas prximas seis semanas! Quem cuidaria da casa dela? Pegaria sua correspondncia? Pagaria suas contas?
Quem se sentaria ao seu lado para ajudar a passar o tempo? Seguraria-lhe a mo quando estivesse com medo? Assistiria-lhe na hora do parto?
Mack estreitou os olhos para a estrada escura  frente, desejando que pudesse estrangular Ty. Engravidar uma mulher, ento abandon-la... Isso no era certo. Entretanto,
era bem o estilo de Ty. Am-las e deix-las, era assim que a mente de seu meio-irmo funcionava. Na avaliao de Mack, Ty era imaturo, irresponsvel e muito irritante.
Infelizmente, as mulheres pareciam ach-lo irresistvel. E por que no achariam?, perguntou-se. Ty era um homem bonito, um amante divertido e tinha muita lbia.
Mas no possua integridade. Exatamente como o pai dele.
Mack fez uma careta ao lembrar-se de seu padrasto. Jacob Bodean no passava de um artista trapaceiro procurando algum para sustent-lo quando conheceu a me de
Mack. Recentemente viva, e ainda sofrendo pela perda do marido, sua me fora um alvo fcil para Jocob. Aproveitando-se debilitado estado emocional dela, em dois
meses, Jacob a convencera de aceitar seu pedido de casamento.
Apesar de perder uma boa fortuna que o pai de Mack havia deixado, sua me havia levado seis anos para entender que Jacob s estava interessado em seu dinheiro, o
qual gastara rapidamente. Custara-lhe mais uma boa quantidade de dinheiro para livrar-se dele e ganhar a custdia de Ty. Mack sempre se perguntava se sua me no
teria ficado melhor sem os dois.
Mas Ty era do mesmo sangue, disse a si mesmo, como sua me freqentemente o relembrava, e, gostasse ou no, era agora responsabilidade de Mack. No leito da morte,
sua me o fizera prometer que cuidaria de seu meio-irmo. Ao fundo fiducirio que ela deixara para Ty antes de morrer, nomeando Mack como executor, adicionara uma
obrigao legal  moral que ele j assumira.
Mack tinha tirado Ty de mais problemas do que queria pensar, e estava cansado de resolver as confuses de um homem adulto. Ty tinha 34 anos, pelo amor de Deus! J
estava mais do que na hora de se acomodar e enfrentar as conseqncias de seus prprios erros.
Respirou fundo e soltou o ar devagar, dizendo a si mesmo que sentir raiva de Ty no mudaria a situao de Addy. E Addy definitivamente precisava de ajuda.
Bateu sobre o bolso da camisa, lembrando-se do cheque que planejara oferecer-lhe, na esperana de tirar Ty de a obrigao de mais uma paternidade, se fosse isso
que ela tivesse em mente. Mas aps encontr-la deitada no cho, j em trabalho de parto, no fora capaz de tocar no assunto. Como poderia, se a moa estava desesperadamente
preocupada com a possibilidade de perder o beb?
Contudo, tinha de fazer alguma coisa, pensou. No podia simplesmente abandon-la l sozinha. Ela parecia uma boa pessoa, muito diferente das outras mulheres com
que Ty se associava, as quais haviam ansiosamente agarrado o dinheiro que Mack lhes oferecera. Entretanto, que opes tinha seno oferecer-lhe dinheiro? Certamente
no poderia forar Ty a se casar com ela e dar seu nome  criana. Mesmo se pudesse, no estaria fazendo nenhum favor a Addy unindo-a a um homem como Ty.
O celular tocou e ele rapidamente pegou-o do console e o abriu.
- Mack - murmurou.
- Aqui  Marjorie Johnson. A enfermeira do pronto-socorro.
Mack sentiu-se tenso de imediato, sabendo que o assunto era Addy.
- Alguma coisa aconteceu a Addy?
- O trabalho de parto comeou de novo. O mdico disse que no pode deter desta vez. Eu queria ficar com ela, mas estou em servio e meu turno s acaba daqui a cinco
horas.
Ele olhou para o relgio do painel e rapidamente calculou o tempo.
- Posso chegar a em menos de duas horas.
- Oh, obrigada - disse ela aliviada, ento acrescentou apressada: - Mas, por favor, no diga que liguei. Quando sugeri isso, Addy insistiu que eu no o incomodasse.
Disse que voc j tinha feito o bastante por ela.
Ele avistou uma placa de sada da estrada e pegou-a.
- No se preocupe. Seu segredo est seguro comigo.

Mack dirigiu-se diretamente para a ala de gestantes e para o nmero do quarto que obteve na recepo.
O quarto em que entrou era maior do que o cubculo em que a deixara na emergncia. Havia tambm mais equipamentos, os quais monitoravam os sinais vitais dela e do
beb.
Addy estava virada para a janela escura, de costas para ele. Sem saber se estava dormindo ou no, Mack murmurou baixinho:
- Addy?
Ela olhou por sobre o ombro, e arregalou os olhos em surpresa. Acomodando-se de costas na cama, estendeu uma das mos.
- Mack.
A voz no passava de um sussurro, mas o alvio que transmitia tocou o corao dele. Atravessou o quarto e pegou-lhe a mo na sua.
- Pensei que voc estivesse indo para casa - disse ela.
- Eu estava - admitiu ele, ento deu de ombros - Mas decidi que no queria perder  nascimento.
Addy estreitou os olhos em desconfiana.
- Marjorie ligou para voc.
Fiel  sua promessa, ele evitou a pergunta, fazendo-lhe uma outra:
- Como voc est?
- Bem, acho - lgrimas marejaram-lhe os olhos e ela meneou a cabea - Estou com medo, Mack. Mais medo do que jamais senti na vida.
Ele apertou-lhe a mo entre as suas.
- Vai dar tudo certo - ento gesticulou a cabea em direo aos equipamentos e sorriu - H tecnologia suficiente neste quarto para enviar um homem  lua. Ter um
beb com segurana aqui deve ser fcil.
Ela olhou para as mquinas.
- Parece mesmo um exagero, no parece?
- O que quero saber  se todos os pacientes tm este tratamento preferencial ou  reservado para os funcionrios do hospital?
Ela riu suavemente.
- Uma vez que nunca fui paciente, no sei.
Addy abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas ento fechou os olhos com fora e emitiu um gemido baixinho.
Ele apertou-lhe os dedos.
- Outra dor?
Com dentes cerrados, ela assentiu.
Mack esforou-se para se lembrar das tcnicas que, aprendera nas aulas Lamaze que freqentara com esposa.
- Olhe para mim - ordenou. Ela abriu os olhos e fixou-os nele.
- Agora, respire devagar. Trabalhe com a dor, no contra ela.
Continuou olhando-a, enquanto Addy respirava fundo e expirava, diversas vezes. Inconscientemente, comeou a respirar da mesma forma que ela, esperando a dor passar.
Aps o que pareceu uma eternidade, ela afrouxou o aperto na mo dele e suspirou aliviada.
- Melhor?
Ela umedeceu os lbios e assentiu.
- As dores esto vindo mais rpidas agora. E com mais fora.
- Voc est indo bem - murmurou Mack - Mais algumas contraes dessas e o beb logo estar aqui.
- Vou segurar em voc...
Os olhos de Addy se arregalaram, o corpo enrijeceu.
Sem pensar, Mack ps uma mo sobre o estmago dela, sentiu os msculos rgidos sob a palma e soube que ela estava tendo uma outra contrao.
- Relaxe - sussurrou e comeou a massagear-lhe o estmago.
Com olhos arregalados, ela tentou livrar-se da mo dele, assim como da dor.
Mack apertou-lhe a mo com fora, recusando-se a recuar.
- Permita-me, Addy - ordenou seriamente - Concentre-se. Ns podemos fazer isso.
Ela meneou a cabea.
- Talvez voc possa, mas eu no. Isso di muito!
- No vai durar para sempre - ele aumentou a presso na mo dela - Vamos, Addy. Olhe para mim. Concentre-se.
Ela abriu os olhos e cerrou os dentes.
- Eu o odeio. Voc  malvado. Quero que saia daqui e me deixe sozinha.
Mack a ignorou, sabendo que era a dor falando. Sua esposa lhe acusara de coisas parecidas ou piores enquanto estava dando  luz.
- Odeie-me o quanto quiser - disse ele - mas vou ficar. Vamos enfrentar isso juntos. Agora respire.
Ela se sentou, enquanto apertava-lhe a mo com muita fora.
- Ele est vindo! - gritou - Oh, chame a enfermeira. O beb est vindo!
Mack pegou o controle-remoto preso na cabeceira da cama e apertou o boto. Em poucos segundos, a porta se abriu e a enfermeira entrou no quarto. Deu uma olhada no
rosto de Addy e empurrou Mack gentilmente com o ombro, assumindo seu lugar ao lado da cama.
- De quanto em quanto tempo esto as contraes? - perguntou, enquanto checava o pulso de Addy.
Mack passou uma mo trmula sobre o rosto, mais do que feliz de passar o controle para a enfermeira.
- Menos de um minuto entre uma e outra. A porta se abriu de novo e o mdico entrou.
- Como vai minha paciente favorita? Mack o queimou com um olhar.
- O que acha? - perguntou impaciente - Ela est com muita dor e precisa de algum analgsico.
- No! - gritou Addy e caiu contra os travesseiros, colocando as mos de modo protetor sobre o estmago - Sem drogas. Quero fazer isso naturalmente.
O mdico olhou para Mack e deu de ombros, como se dissesse "voc ouviu a mulher", ento parou no fim da cama e levantou o lenol para verificar o progresso.
- A cabea apontou - anunciou. Desceu o lenol e foi para a pia, os passos mais apressados agora, o semblante concentrado. Enquanto passava desinfetante nas mos,
olhou na direo de Mack - Se voc for o pai, precisa vestir um avental e lavar as mos com isso. Caso contrrio, a sala de espera  no fim do corredor.
Addy se movimentou, conseguindo agarrar a manga da camisa de Mack, a expresso dos olhos apavorada e suplicante. Ele enrijeceu o maxilar, sabendo que de maneira
alguma poderia deix-la enfrentar aquele parto sozinha.
- Onde visto o avental?

Mack se sentou na cadeira prxima  janela, as longas pernas estendidas  frente, e a cabea apoiada contra as almofadas, olhando para o teto. Embora exausto, no
conseguia dormir. A mente girava, o corpo carregado de adrenalina... e tudo por causa de um pedacinho de humanidade, embrulhado num cobertor azul e dormindo pacificamente
em um bero do outro lado do quarto.
Ele inclinou a cabea para olhar naquela direo e seu corao bateu mais forte com a emoo que sentiu. Um menino, pensou, pesando apenas 2.2kg, mas saudvel como
um tourinho, e com um par de pulmes para provar isso. Embora tivesse havido preocupaes de que o beb no estivesse totalmente desenvolvido, ele passara em todos
os testes como um campeo, e no precisaria ficar nenhum tempo na incubadora, como era requerido da maioria dos prematuros.
Incapaz de resistir, Mack se levantou e foi at o bero. Enrolado na manta azul, apenas o rostinho do beb era visvel, revelando faces rosadas e um nariz que no
era maior do que um boto. Cabelos escuros cobriam-lhe a cabea, mas Mack sabia, por experincia, que provavelmente mudariam de cor. Os cabelos de seu prprio filho
tinham sido pretos logo que nascera, e com 2 anos eram loirinhos. Perguntou-se de que cor seriam hoje se ele estivesse vivo?
Reprimindo um gemido, baixou o queixo para o peito. No queria pensar sobre seu filho. No agora. As lembranas o faziam sofrer, e j sofrer por muitos anos.
Respirou profundamente, levantou a cabea e focou no beb mais uma vez. Sorrindo, acariciou de leve o rostinho da criana, maravilhado com a maciez da pele e com
as feies em miniatura.
- Voc  um rapazinho de sorte - sussurrou para o beb adormecido - Tem uma me extraordinria. Mesmo quando a dor estava insuportvel, ela recusou-se a tomar um
analgsico, temendo que isso pudesse machucar voc - Alisou a outra face macia - Acredite, esse tipo de amor  uma coisa rara.
O beb fez uma careta, como se estivesse se preparando para chorar.
Mack rapidamente o tirou do bero.
- Nada disso. Voc no quer acordar sua me, quer?
Aninhando o beb nos braos, voltou para a cadeira e se sentou. O beb bocejou, agitou-se por um momento, ento voltou a dormir, os dedinhos minsculos curvados
contra o rosto.
Mack olhou para a pequena criatura e, de repente, seu corao disparou. As feies do beb eram to parecidas com as de seu prprio filho que o nenm poderia ser
filho de Mack. Incapaz de desviar os olhos, continuou fitando-o, o corao batendo descompassado, enquanto se perguntava se aquele beb era a resposta para um problema
que o vinha perturbando ultimamente.
Embora considerasse uma coisa mrbida pensar sobre a prpria morte, era exatamente o que vinha fazendo por uma boa parte de ano. Suspeitava de que fosse um sinal
da idade, apesar de no se considerar velho aos 42 anos. Mas a morte era um fato da vida, e Mack tinha conscincia, especialmente considerando todos os bens que
possua, de que deveria fazer um testamento, independentemente de sua idade ou de sua sade. Deixar um testamento por escrito era fcil. Tudo que precisava fazer
era chamar seu advogado. O que o impedia de fazer isso, contudo, era a falta de um herdeiro. A maioria dos homens nomeava suas esposas e filhos como beneficirios,
ou uma combinao dos dois. Mas Mack no tinha esposa ou filhos... pelo menos nenhum que estivesse vivo.
Perdera sua esposa e filho num acidente de carro doze anos antes e nunca mais havia se casado. Durante os primeiros anos que se seguiram  morte deles, achara difcil
at mesmo respirar, quanto mais pensar em se casar de novo. Mesmo depois que a dor de perd-los tornara-se torpor, no sentira o menor entusiasmo de convidar uma
mulher para sair.
Quando algum o questionava sobre isso, dizia que nunca encontrara uma mulher que lhe despertasse interesse. Na verdade, sequer as olhava. Perder a esposa e o filho
o havia transformado, sequer tirando-lhe o desejo de se envolver com qualquer pessoa, especialmente com uma mulher. Como resultado, chegara aos 42 anos sem nenhuma
famlia alm de seu meio-irmo para nomear como herdeiro.
Ele fez uma careta ao pensar em Ty. Se deixasse sua fortuna para seu meio-irmo, tudo que Mack e o pai de Mack tinham se esforado tanto para construir seria perdido
em menos de um ano. Ty no tinha tino para negcios, alm de ser superficial e irresponsvel. Para ele, dinheiro servia apenas para se divertir e comprar tudo que
queria.
No, Mack no faria de Ty seu herdeiro.
Olhou para o beb novamente, imaginando se a criana podia ser uma resposta para seu problema. Poderia adot-lo, disse a si mesmo. Criar o garoto como se fosse seu
filho, ensinar-lhe valores morais e integridade que a criana jamais aprenderia se vivesse com Ty.
Ty no se importava com o filho, lembrou-se. Caso contrrio, estaria l naquele momento, em vez de ficar brincando de esconde-esconde. Se tivesse o mnimo senso
de responsabilidade, seria ele a segurar a mo de Addy enquanto o beb nascia, no Mack. E teria sido para Ty, e no para Mack, que o mdico teria passado a tesoura
para que o cordo umbilical fosse cortado, significando a entrada oficial do beb no mundo.
Na opinio de Mack, sua disposio de adotar o beb era a soluo perfeita para os problemas de todo mundo. A criana teria um pai, Ty ficaria livre e Mack teria
um herdeiro.
Havia apenas um problema... a me do beb.
Apesar do elo que haviam formado durante as ltimas 14 horas, duvidava que ela aceitasse a idia caso ele sugerisse adotar a criana. Na verdade, Addy acharia que
ele tinha enlouquecido.
- Mack?
Ele saltou ao som da voz de Addy e ergueu a cabea para v-la olhando-o com curiosidade.
- Algo errado? - perguntou ela preocupada. Temendo que, de alguma forma, ela pudesse ler seus pensamentos, Mack baixou o olhar e puxou o cobertor at o queixinho
do beb.
- No. Tive a impresso de que ele ia comear a chorar, ento, peguei-o na esperana de que voc pudesse dormir um pouco mais.
Ela sorriu ternamente, ento se sentou na cama e estendeu os braos.
- D-me aqui. Aposto que ele est com fome.
Levantando-se, Mack carregou o beb para a cama e colocou-o nos braos dela.
Como se sentindo a proximidade de seu suprimento de leite, o beb abriu a boquinha e imediatamente achou o seio sob a camisola.
Addy ajeitou a posio do filho e riu quando ele comeou a sugar.
- Viu? Ele est com fome.
Ela ia afastando a camisola de lado para dar acesso ao beb, quando olhou para Mack e enrubesceu, como se acabasse de perceber a intimidade que estava prestes a
compartilhar com ele.
Mack deu um passo atrs.
- Espero l fora - murmurou e virou-se para a porta.
- No! Espere.
Ele olhou por sobre o ombro, surpreso pelo pnico na voz dela.
Baixando o olhar, Addy falou:
- Apenas vire de costas at que eu o coloque na posio certa.
Mack fez como instrudo, e esperou ser chamado antes de se virar. Encontrando Addy e o beb cobertos com a manta azul, puxou uma cadeira para mais perto da cama.
-  incrvel como um beb instintivamente sabe como se alimentar - comentou, encantado pela viso.
Com os olhos no filho, Addy sorriu.
- Sim, .
Momentos se passaram em silncio, ambos absorvidos pelos movimentos do beb.
- Mack?
Ainda com a ateno no beb, ele respondeu distrado.
- Sim?
- Desculpe-me.
Ele inclinou a cabea para olh-la, intrigado.
- Pelo qu?
- Pelas coisas horrveis que lhe disse enquanto estava em trabalho de parto.
Ele sorriu.
- Eu sabia que voc no queria dizer aquelas coisas. Era a dor falando.
- Desculpe-me do mesmo jeito. No sei o que eu teria feito sem voc.
Mack riu.
- Fiquei com a parte fcil. Foi voc quem fez todo o trabalho.
Ela olhou para o beb e sorriu.
- E olhe o que recebi como recompensa. Um lindo beb saudvel. No poderia ter pedido por mais.
Antes que ele pudesse responder, Marjorie entrou no quarto, arrastando um buqu de bales nos seus calcanhares. Sem se importar de cumprimentar Addy ou Mack, aproximou-se
da cama e olhou para o beb.
- Oh, deixe-me ver este tigrinho - disse ansiosa enquanto amarrava os fios dos bales na cabeceira da cama.
Addy tirou o beb do seio, ajeitou a camisola e dobrou o cobertor para que Marjorie o visse.
- Ele no  lindo?
- Maravilhoso - concordou sua amiga, abaixando o rosto para o de Addy - Ele j tem um nome?
Addy meneou a cabea.
- No. Eu tinha escolhido um nome se fosse menina, mas no para um menino.
- Pensei que voc fosse lhe dar o nome de seu pai - disse Marjorie.
- Apenas um dos nomes - ela deu de ombros - Mas quero um nome duplo e no consegui pensar em um que combine com Antnio.
Marjorie comprimiu os lbios, pensativa, ento olhou para Mack.
- Qual  o seu nome completo? Pego de surpresa, Mack piscou.
- Uh, Jonathan Michael McGruder.
- Que tal Antnio Michael Rocei? - sugeriu Marjorie para Addy.
Franzindo o cenho, Addy meneou a cabea.
- Quero usar Antnio como nome do meio.
- Ento, chame-o de Jonathan Antnio Rocei. Voc poderia cham-lo de Johnny.
- Jonathan Antnio Rocei - repetiu Addy, como se testando o som do nome, ento assentiu - Eu gosto - olhou para Mack, a expresso esperanosa.
- Voc se importaria se eu desse seu nome ao beb? Importaria-se?, pensou Mack. Meu Deus, esperava persuadi-la a dar seu sobrenome ao beb, tambm.
- Eu ficaria honrado.
O pager no bolso de Marjorie tocou e ela o pegou para checar a tela.
- Aqueles inteis - murmurou irritada - Parece que no podem dirigir o pronto-socorro dez minutos sem minha presena - guardando o pager no bolso de novo, ofereceu
a Addy um sorriso apologtico - Desculpe-me, querida, mas tenho de ir. Tentarei voltar mais tarde, no meu intervalo para a janta.
- Ligue antes - aconselhou Addy - Espero convencer o dr. Wharton a me liberar.
Marjorie apontou um dedo para o nariz da amiga.
- Oua-me, mocinha. Voc acabou de ter o beb. No faz sentido ir para uma casa vazia. Vai ficar um tempo aqui, de modo que as enfermeiras possam cuidar de voc
e de seu beb.
Addy ergueu o queixo.
- Posso cuidar de mim mesma.
- Mas...
- No, Marjorie - interrompeu Addy - Eu vou para casa.
Com um suspiro de desgosto, Marjorie virou-se para partir.
- Tente colocar algum bom senso na cabea dela - murmurou para Mack - Addy no me ouve.
Mack permanecera silencioso durante a conversa, absorvendo tudo que era dito e considerando como poderia usar a situao em sua prpria vantagem. Sabia que a idia
de adotar o beb era louca demais, e provavelmente levaria Addy a um acesso de raiva. Todavia, quanto mais pensava nisso, mais se convencia de que era a melhor soluo
para seus problemas, assim como para os de Addy.
Agora s teria de convenc-la disso. Esperou at que Marjorie sasse e a porta se fechasse.
- Ela tem razo, Addy. No faz sentido voc ir para casa, quando tem toda a ajuda de que precisa aqui.
Com lbios comprimidos, Addy enrolou o beb adormecido de volta na manta.
- Marjorie  intrometida. Est sempre interferindo nos assuntos de outras pessoas.
Quando percebeu que ela pretendia levar o filho para o bero, Mack se levantou.
- Aqui. Eu o coloco l - ele pegou o beb e levou-o para o bero - Ela s est pensando no que  melhor para voc - disse, retomando a conversa sobre a sugesto
de Marjorie.
Addy cruzou os braos sobre o peito com teimosia.
- Posso cuidar de mim mesma. Mack a olhou por sobre o ombro.
- Como fez na noite em que a encontrei?
Mack sabia que dissera uma coisa cruel, mas sentiu que era necessrio para convenc-la de que precisava de sua ajuda.
Atravessou o quarto e se sentou ao lado da cama.
- Quando voc voltar a trabalhar, o que vai acontecer se ficar doente? Quem vai cuidar do beb?
Ela nervosamente umedeceu os lbios.
- Eu... Eu darei um jeito.
- Como, Addy? - persistiu ele - Sua me certamente no vir para ajud-la. Eu a contatei. Na verdade, as ltimas palavras dela para mim foram alguma coisa assim:
"Ela se meteu nesta confuso sozinha, ter de se virar sozinha."
Addy baixou o olhar, mas no antes que ele visse lgrimas ali.
Ele estendeu a mo e tocou-lhe o brao de leve.
- No estou tentando mago-la, Addy - murmurou com ternura - Quero apenas que enxergue que voc no pode fazer tudo sozinha.
Ela deu de ombros.
- Como se eu tivesse escolha. Era a abertura que Mack precisava.
- Eu ficaria feliz em ajud-la. Addy o encarou.
- Voc? Por que me ajudaria? Voc nem me conhece.
Ele manteve os olhos fixos nela.
- Eu sei mais do que voc imagina. Sei que o pai de seu filho no estar por perto para cuidar de voc ou da criana.
Addy, com uma expresso zangada, respondeu:
- Voc no sabe disso.
- Sim, eu sei - replicou ele, calmamente - Se as aes passadas dele forem alguma indicao, voc nunca mais vai ouvir falar de Ty Bodean.
Ela arregalou os olhos.
- Voc... voc conhece Ty?
- Ele  meu meio-irmo.
- Ele  seu... - ela engoliu em seco - Voc quer dizer que sabia sobre mim e o beb antes...
- Sim. As cartas que voc enviou para Ty aos cuidados da agncia de correio de Lampasas foram entregues na minha casa.
Se possvel, os olhos dela se arregalaram ainda mais.
- Voc as leu?
- Sim - admitiu ele - Embora no no comeo. Somente depois que a terceira carta chegou, decidi que deveria abri-las, de modo que pudesse descobrir em que tipo de
confuso Ty se metera - Mack meneou a cabea com tristeza - Voc no  a primeira pessoa cujas tentativas de localizar Ty chegaram a mim. Tive de ler as suas cartas
a fim de saber com o que eu estava lidando.
Addy cobriu o rosto com as mos.
- Oh, meu Deus.
- No estou lhe contando isso para embara-la - murmurou Mack suavemente.
Ela ergueu a cabea para encar-lo.
- Ento, por que est me contando? Posso ser lenta, mas no sou estpida. Entendi muito bem que Ty nunca mais voltaria. Voc no precisava ter dirigido at aqui
para me dizer isso.
Suspirando, Mack reuniu coragem e falou a verdade:
- No foi para isso que fui  sua casa. Fui l para oferecer-lhe dinheiro.
A expresso de Addy tornou-se furiosa.
- Bem, diga a Ty Bodean para manter seu maldito dinheiro. No o quero.
- O dinheiro no  de Ty.  meu.
- Bem, no quero o seu dinheiro, tambm, Mack McGruder - ela apontou um dedo para a porta - Saia. E no se incomode em voltar. Nunca mais quero v-lo.


CAPTULO TRS

Mack achou que tinha estragado suas chances de convencer Addy a permitir que ele adotasse o beb... mas isso no significava que estava pronto para desistir. No
era de sua natureza aceitar o fracasso, no sem enfrentar uma boa luta antes.
Na verdade, a batalha apenas comeara.
Analisando a situao, pde ver que cometera alguns erros. O primeiro fora surpreender Addy com a notcia de que era meio-irmo de Ty, considerando como ela devia
se sentir em relao ao pai de seu filho aps ter sido abandonada. Mack devia ter suspeitado que ela no ia querer ter nada a ver com ningum nem mesmo remotamente
relacionado a seu meio-irmo.
Seu segundo erro foi dizer-lhe que tinha ido a casa dela para oferecer dinheiro. Em menos de 24 horas percebera que Addy exalava fora, orgulho, teimosia e determinao.
Oferecer dinheiro a uma mulher como ela seria um insulto. Addy no se importaria com dinheiro ou a falta do mesmo. Obviamente, era uma mulher movida pelo corao.
Faria qualquer sacrifcio por aqueles que amava... e no aceitaria nada como substituto, nem mesmo dinheiro. Como Mack sabia disso, no tinha certeza, mas apostava
sua fazenda que estava correto.
Uma vez que Addy certamente perdera toda a confiana que Mack tinha conquistado nas ltimas 24 horas, ele imaginou que precisaria de alguma ajuda para tal confiana,
o que acarretaria uma srie de providncias. Mas estava disposto a fazer tudo que fosse necessrio.
Depois de se instalar em um hotel perto do hospital, deu diversos telefonemas, o primeiro para seu advogado, explicando-lhe a situao e dizendo o que precisava
dele. Depois, ligou para seu pastor, para seu banqueiro, e por ltimo, para seu melhor amigo, que, por acaso, tambm era um pediatra famoso e altamente respeitvel
da cidade natal de Mack.
Aps certificar-se de que todos fariam tudo que pudessem para auxili-lo, ligou para o mdico de Addy, sabendo que precisaria do apoio das pessoas que ela conhecia
e respeitava. O ltimo telefonema foi para Marjorie. Rapidamente explicou seu plano para a amiga de Addy, e ficou aliviado quando ela prometeu tentar convencer Addy
a aceitar a situao.
Satisfeito por ter feito tudo que estava em seu alcance para assegurar um resultado positivo no encontro que marcara para a manh seguinte, Mack se deitou na cama,
exausto, no percebendo, at o momento que sua cabea tocou o travesseiro, que no dormia h mais de 48 horas.

Addy deu uma olhada ao redor do quarto uma ltima vez para se certificar que no esquecera de nada.
Uma vez que sua estadia no hospital fora breve, e poucas pessoas sabiam sobre isso, no havia muito com o que se preocupar. Graas a Marjorie, que fora  casa de
Addy na noite anterior e pegara algumas coisas, ela, assim como o beb, tinham roupas limpas para vestir esta manh, antes de irem para casa. Alm de si mesma, o
beb e uma pequena sacola de viagem, os nicos itens pessoais do quarto eram o buqu de bales que Marjorie lhe dera, um vaso com rosas, recebido da equipe do hospital,
e uma enorme cesta repleta de presentes para o beb, os quais ganhara de seus colegas do pronto-socorro. Agora, tudo que precisava era esperar que o dr. Wharton
chegasse para lhe dar alta, de modo que pudesse chamar um txi e ir para casa.
Olhou para seu relgio de pulso e franziu o cenho, perguntando-se por que o mdico demorava tanto. Normalmente, percorria os quartos por volta das 8 horas, e j
passava das dez. Impaciente para ir embora, Addy certificou-se de que o beb estava dormindo, ento foi para a porta, espiar no corredor e ver se o mdico ainda
estava naquele andar.
Antes de chegar  porta, esta se abriu e dr. Wharton entrou.
Encabulada, Addy sorriu.
- Eu estava indo procur-lo. Tive medo que o senhor tivesse esquecido de mim.
Ele passou um brao pelos seus ombros e conduziu-a em direo ao bero.
- Esquecer-me de minta paciente favorita? - brincou - De jeito nenhum - parou para olhar o beb - E como vai o nosso homenzinho esta manh?
- Perfeito. Ele s acordou uma vez a noite passada para mamar.
O mdico assentiu em aprovao.
- Sinal de que seu leite o est satisfazendo.
-  o que parece.
A porta se abriu e Addy olhou por sobre o ombro. Ento arregalou os olhos quando viu Mack. Com expresso irritada e dentes cerrados, perguntou:
- O que voc est fazendo aqui? Ignorando-a, ele olhou para o dr. Wharton e assentiu.
- Ol, Tom - cumprimentou - Apreciei o fato de voc ter mudado seus horrios, de modo a marcar um encontro comigo aqui esta manh.
Addy ficou to perplexa pela intimidade que Mack parecia ter com o mdico, chamando-o pelo primeiro nome, que demorou um momento para absorver tudo que Mack dissera.
- Que encontro? - exigiu saber.
- O que combinei - replicou Mack.
A porta se abriu de novo e Marjorie entrou. Addy virou-se para olhar para Mack.
- Voc a chamou para participar desta reunio tambm?
- Sim, achei que voc gostaria da opinio dela.
- Opinio sobre o qu? - perguntou Addy, indignada.
Sobre a melhor maneira de resolver seus problemas.
- Voc  meu nico problema - disse furiosa.
- Addy - comeou Marjorie gentilmente - pelo menos escute o que Mack tem a dizer.
Antes que Addy pudesse dizer  amiga que cuidasse da prpria vida, dr. Wharton falou:
- Marjorie tem razo, Addy. Voc precisa ouvir a sugesto de Mack.
Addy cruzou os braos sobre o peito e fulminou Mack com o olhar.
- Tudo bem. Voc tem exatamente dois minutos, e nem um segundo a mais.
- Quero que voc se case comigo - declarou ele simplesmente.
- O qu? - exclamou ela, boquiaberta - Voc est louco?
- No, asseguro-lhe de que estou perfeitamente so. Sou um homem rico, Addy. Eu poderia proporcionar um estilo de vida para voc e o beb, o qual jamais conseguiria
sozinha.
Quando ela abriu a boca para lhe dizer o que ele podia fazer com seu estilo de vida, assim como com sua proposta, Mack ergueu uma das mos.
- Por favor, oua-me. O que estou sugerindo no  um casamento tradicional. Eu no exigiria nada de voc, sexual ou emocionalmente. Minha oferta de casamento  somente
para sustent-los e dar meu nome ao beb. Estou preparado para adotar seu filho legalmente e cri-lo como se fosse meu. Minha casa  grande o bastante para lhe proporcionar
a privacidade necessria, alm de ter uma empregada e uma cozinheira para atender as suas necessidades e as do beb.
Ele fez uma breve pausa antes de continuar:
- Se, em algum momento no futuro, voc achar o arranjo inconveniente ou se sentir ameaada de qualquer forma, anulamos o casamento, mas continuarei a prover apoio
financeiro para a criana.
- Por que iria querer sustent-lo se no estivssemos mais morando com voc?
Mack manteve os olhos fixos nela, a expresso calma.
- Pela mesma razo que me leva ao pedido de casamento - respondeu - Para assegurar que a criana tenha tudo que necessite. Tomo conta do que  meu.
Ele ergueu um dedo quando Addy ameaou interromp-lo.
- Quando eu adotar o seu filho, estarei assumindo no apenas as obrigaes legais e financeiras associadas a ele, mas tambm as morais. Por causa deste compromisso,
eu estipularia uma condio para anular o casamento, caso esse seja seu desejo. Quero os mesmos direitos que qualquer pai tem no momento do divrcio. Especialmente
um programa justo de visitas e o direito de participar ativamente na vida dele. Posso lhe assegurar que seu filho ter as influncias necessrias para se tornar
um homem de honra e de integridade.
Addy refletiu, sentindo-se, em parte, emocionada pelo que parecia ser a sincera preocupao de Mack com seu filho, e em parte, incapaz de acreditar que ele realmente
esperava que ela concordasse com um acordo to absurdo.
- Voc tem alguma idia do que est me pedindo? - disse, ento se voltou para dr. Wharton para Marjorie - E vocs tm? - desafiou - Mal conheo este homem! Sim -
concedeu antes que a relembrassem do fato - ele provavelmente salvou a minha vida e a do beb, mas antes de ter aparecido e me ajudado, eu nunca o tinha visto! E
esperam que me case com ele? - perguntou incrdula - Esto todos loucos?
- Mack provou que  confivel - apontou Marjorie - Ele no precisava seguir a ambulncia para o hospital, mas seguiu. E no precisava voltar para Dallas quando liguei
e disse-lhe que voc estava de novo em trabalho de parto. E sim - admitiu quando Addy estreitou os olhos - telefonei para ele. Pode me processar, se quiser.
- E ele ficou do seu lado durante o parto - observou o mdico, dando um olhar significativo para Addy - O que foi seu pedido, se me recordo.
Addy abriu as mos.
- Eu estava delirando. Fora de mim por causa da dor. Por que mais suplicaria a um completo estranho que ficasse comigo durante o nascimento de meu filho?
- Posso entender por que voc est hesitante em aceitar a minha proposta - disse Mack pacientemente.
- Hesitante? - repetiu ela, elevando o tom de voz - Que tal violentamente oposta?
Ignorando-a, ele continuou:
- A fim de satisfazer quaisquer preocupaes que voc possa ter, incumbi-me de lhe proporcionar referncias apropriadas - ele foi at a porta e a abriu - Cavalheiros
- falou e estendeu o brao num convite.
- Queiram entrar, por favor.
Addy assistiu, com olhos arregalados, quando quatro homens adentraram o quarto. O primeiro a entrar se aproximou e estendeu-lhe a mo num cumprimento.
- Leonard Boyles, advogado - murmurou ele apresentando-se - Lido com todos os assuntos legais de Mack h anos. Posso lhe assegurar que ele nunca foi acusado de nenhum
crime ou processado legalmente. Possui uma reputao impecvel.
Sem fala, Addy pde apenas olh-lo. Assim que o advogado deu um passo para o lado, um segundo homem, sacerdote - a julgar pela batina - se aproximou e segurou-lhe
a mo entre as suas.
- Pastor Nolan, minha criana - disse com uma voz que inspirava confiana - Sou conselheiro espiritual de Mack desde que ele era um garotinho, e posso honestamente
dizer que nunca conheci um homem mais fino e com um corao mais generoso. Se voc concordar em se casar com ele, ficarei honrado em realizar a cerimnia.
Antes que Addy pudesse pensar em uma resposta, um terceiro homem parou a seu lado.
- Jack Phelps - ele apertou sua mo com firmeza - Presidente do Banco do Comrcio. Mack, assim como o pai dele foi,  um grande acionista da CB&T. Como presidente
do banco, posso atestar a estabilidade financeira de Mack, e garantir-lhe que  um lder muito respeitvel em nossa comunidade.
Sentindo-se paralisada, Addy pde apenas assentir.
O prximo homem a se aproximar era alto e grande, mas a expresso calorosa e amigvel nos olhos afastava qualquer medo que o seu tamanho poderia provocar.
- Ento voc  Addy - murmurou ele, apertando-lhe a mo entre as suas, enormes - Oficialmente, sou o dr. William Johnson - disse solenemente, ento sorriu - Mas
todos me chama de dr. Bill - Ele olhou para o bero, antes de voltar a encar-la com o semblante esperanoso - Importa-se se eu segurar o seu beb? Prometo que no
irei acord-lo. Tenho muita experincia com os pequenos.
Ela ergueu uma das mos, ento, deixou-a cair na lateral do corpo.
- Por que no?
Addy observou quando ele ergueu o beb do bero e aninhou-o contra o peito.
- E voc no  a coisinha mais linda? - sussurrou para o beb, depois olhou para ela e sorriu - Voc deve estar orgulhosa.
Addy teve de conter as lgrimas.
- Sim, estou - conseguiu dizer.
Ele mudou o beb de um brao para o outro para que pudesse abra-la a seu lado.
- Ora, ora. Voc pode chorar. Choros de mes novatas so esperados.
Addy teve de lutar contra a vontade de enterrar o rosto no peito dele e soluar.
- Eu sei - respondeu, secando as lgrimas - Sou enfermeira. J trabalhei na ala de gestantes do hospital, portanto, sei tudo sobre o assunto.
Ele afastou-se para fit-la em surpresa.
- Voc  enfermeira? Ento suponho que no preciso lhe dizer o quanto  importante que uma me v com calma nas primeiras semanas depois do nascimento. Leva um tempo
para uma mulher se curar propriamente e recuperar suas foras. Mencionei que sou pediatra? - acrescentou e olhou para o beb com um largo sorriso antes que ela pudesse
responder - Este garotinho e eu vamos nos dar muito bem. Depois que voc estiver instalada na casa de Mack, leve-o ao meu consultrio e faremos um check-up completo.
- Mas eu...
Ele a abraou de novo, quase tirando o flego de Addy com seu entusiasmo.
- Voc vai adorar morar em Lampasas. Sei que vai.
Addy afastou-se dos braos dele e cerrou os punhos rente ao corpo.
- Algum, por favor, me escute - exclamou - No vou me casar com Mack. Certo? No vou me casar com Mack!
Marjorie correu para o seu lado e pegou-lhe a mo.
- Oh, Addy, pense no que ele est lhe oferecendo. Uma vida livre de preocupaes. Voc no precisaria trabalhar. Poderia ficar em casa com seu beb, ser a me que
sempre quis ser. E Mack est disposto a adotar a criana, dar-lhe seu nome. Se vocs se casarem, seu filho nunca ter de passar pelo embarao e humilhao que voc
experimentou enquanto crescia. Ele ter um nome. Um pai. As pessoas no podero sussurrar pelas costas dele e cham-lo de nomes feios, como fizeram com voc.
Addy ps as mos sobre as orelhas, certa de que podia ouvir a zombaria das crianas no playground, os comentrios sussurrados dos adultos. No queria que seu filho
sofresse como ela. No queria que ouvisse as mesmas perguntas que ela tinha ouvido repetidas vezes. Onde est o seu pai? Quem  seu pai? Por que o nome de sua me
no  o mesmo que o seu?
- Pense, Addy - implorou Marjorie - Voc no precisa ficar casada com ele. Mack est lhe oferecendo a possibilidade de anulao do casamento. O que tem a perder?
Addy virou-se, tapando os ouvidos com fora.
- Por favor - suplicou - Vo embora. Todos vocs. Preciso pensar.
Ela ouviu a porta se abrir e os passos que se seguiram enquanto as pessoas deixavam o quarto. Sentiu uma mo em seu ombro, e ergueu a cabea para ver dr. Bill parado
l.
Ele passou o beb para seus braos.
- Mack  um homem bom - murmurou calmamente - Mantenha isso em mente enquanto estiver refletindo.
Ele apertou-lhe o ombro, ento se virou e saiu do quarto.
Piscando contra as lgrimas, Addy abraou o beb contra o peito.
- Oh, Johnny - sussurrou chorosa - o que ns vamos fazer?
Segurando o beb nos braos, Addy abriu a porta de seu quarto de hospital para encontrar o grupo que expulsara antes no corredor. O advogado, o padre, dr. Bell,
Marjorie e Mack. Estavam todos l, exceto o dr. Wharton, que provavelmente tivera de partir para atender outros pacientes.
Addy ergueu o queixo, determinada a no mostrar nenhum sinal de fraqueza.
- Vocs podem entrar - informou-os, ento se virou e liderou o caminho de volta para o quarto.
Esperou at que Mack fechasse a porta, antes de se dirigir para o advogado:
- Se eu concordar com isso, quero tudo por escrito, inclusive a promessa de Mack de uma anulao.
- Considere feito - replicou ele.
- E quero que me assegure - continuou ela - que meus interesses legais sero protegidos, assim como os de meu filho.
Ele estendeu uma das mos numa promessa solene.
- Voc tem a minha palavra.
Satisfeita, ela mudou a direo do olhar, fitando cada pessoa no quarto.
- Vocs todos ouviram o que Mack falou mais cedo, e espero que sirvam como testemunhas para o documento que o advogado preparar. E aviso de antemo que pretendo
tornar cada um de vocs responsveis pelo meu sustento e de meu filho caso Mack no honre as promessas que me fez. Entendido?
Todas as pessoas assentiram em concordncia.
Addy respirou fundo e voltou-se para Mack:
- Imagino que voc queira realizar este casamento o mais breve possvel.
- Agora seria bom para mim.
- Agora? - repetiu ela - Mas... ns no precisamos de uma licena?
Ele gesticulou em direo ao advogado, que j estava retirando um documento do bolso de seu palet.
- Lenny cuidou disso para ns.
Uma onda de pnico fez o estmago de Addy revolver-se. Pensara que teria mais tempo para se acostumar  idia, para planejar, para cair em si.
- Exames de sangue - falou apressada - O governo requer exame de sangue antes de dar a licena.
Marjorie ergueu uma das mos.
- Isso j foi providenciado.
- Como? - perguntou Addy, incrdula - No tirei sangue.
- Dr. Wharton autorizou o uso do sangue que foi coletado na noite que voc chegou ao pronto-socorro.
Sem nada mais para oferecer de modo a adiar o inevitvel, Addy baixou os ombros e voltou-se para o pastor Nolan.
- Parece que  sua vez, padre. Suponho que seja intil perguntar se tem a Bblia em mos?
Ele removeu o pequeno livro de couro do bolso e mostrou-lhe.
- Nunca saio sem esse livro.

Embora tentasse esconder, Addy estava totalmente encantada pela casa de Mack. A entrada era alinhada com grandes carvalhos, seus troncos torcidos acima para criar
a cobertura sombreada pela qual eles passavam. A casa no final do caminho relembrava as de fotos que vira em revistas de casas toscanas. Construda de; uma combinao
de estuque e pedras, alas anguladas sobressaam de cada lado da estrutura central, formando uma espcie de U. Morros, cactos e pedras serviam como um lindo cenrio
ao redor da casa.
Mack parou o carro na garagem lateral, desceu e abriu a porta de trs para remover Johnny da cadeirinha de beb. Com os joelhos tremendo, Addy o seguiu pelo caminho
de pedras at a porta da frente.
Assim que Mack tocou a maaneta, a porta se abriu e duas mulheres apareceram, os ombros colidindo, como se estivessem tentando passar pela porta ao mesmo tempo.
Mack ergueu uma das mos.
- Acalmem-se, moas. Vocs duas tero a chance de segur-lo.
Ele deu um passo atrs para pegar a mo de Addy e puxou-a para seu lado.
- Addy, esta  Zadie, minha cozinheira. Ela tem um apartamento nos fundos da casa e manda em quase tudo aqui. Irrite-a e ela a perseguir com uma colher de pau.
Meneando a cabea, a maior das duas mulheres deu um passo  frente.
- No acredite numa palavra que ele diz - murmurou para Addy - A nica pessoa que j persegui com uma colher de pau foi ele, e isso porque cortou a torta que eu
tinha feito para o jantar - sorrindo, assentai com um gesto de cabea - Prazer em conhec-la, sra. Addy.
- E esta  Mary - disse Mack, gesticulando para a segunda mulher - Ela est aqui de oito s cinco, seis dias na semana, limpando as camadas de poeira em volta da
casa.
Baixa em estatura, mas forte, Mary plantou as mos nos quadris.
- Se achar uma camada de poeira nesta casa, sr. Mack, eu como - olhou para Addy e sorriu - Bem-vinda, sra. Addy. Se precisar de qualquer coisa,  s me pedir que
cuidarei de tudo.
Mary olhou para o beb e esfregou as mos com excitao, como se estivesse ansiosa para roub-lo de Mack.
- No, no - avisou Zadie e passou na frente de Mary, bloqueando-lhe o caminho - Primeiro eu. Voc tem bebs em casa para segurar, eu no.
Com um sorriso terno, Zadie passou o beb dos braos de Mack para os seus.
- Ele no  a coisinha mais linda do mundo? - murmurou suavemente e olhou para Mack, surpresa - Sr. Mack, ele  igualzinho quelas fotos de beb que o senhor costumava
ter na saleta de sua me.
- Ele tem o nariz de Mack - disse Mary, espiando o beb, antes de se voltar para Addy - Qual e o nome dele?
Chocada que as mulheres achassem seu filho parecido com Mack, Addy levou um momento para encontrar a voz.
- Jonathan Antnio Roc... Uh, quero dizer, McGruder.
- Que nome grande para uma coisinha to pequena - comentou Zadie rindo - Como voc vai cham-lo?
- Johnny - respondeu Addy.
- Johnny - Zadie estudou o beb por um momento e se virou para a casa - Bem, vamos, Johnny Mack. Vamos tir-lo deste calor.
Addy piscou, surpresa. Johnny Mack? Mary seguiu Zadie.
- Agora, d-me Johnny Mack. Voc j o segurou bastante tempo.
Addy olhou para Mack, o semblante incrdulo.
- Voc as ouviu? Elas o chamaram de Johnny Mack.
Com um dar de ombros, Mack virou-se para o carro a fim de pegar a bagagem.
- Muitas pessoas por aqui tm nomes duplos. Ela o seguiu.
- Mas eu disse claramente que o nome dele  Jonathan Antnio. Por que elas colocaram Mack no fim? Por que no Tony?
Inclinado sobre o porta-malas, ele tirou uma mala e colocou-a no cho.
- Suponho que porque ele se parece comigo - endireitou o corpo para encar-la - O que no deveria surpreend-la, j que Ty e eu temos a mesma me. Podemos no parecer
gmeos, mas ambos herdamos o nariz e o formato da boca de nossas mes.
Addy engoliu em seco. Agora que ele apontara, podia ver a semelhana entre os irmos.
Mack pegou a mala e se virou para casa.
- Se voc quiser, peo para Zadie e Mary tirarem o Mack e chamarem-no apenas de Johnny.
- No - replicou Addy, decidindo que no queria aborrecer as mulheres.
E o que isso importava, de qualquer maneira?, perguntou-se, enquanto seguia Mack para casa. Era apenas um apelido.
Addy soube exatamente como Dorothy devia ter se sentido quando descobriu estar em Oz. Definitivamente, no estava mais em Kansas.
O quarto que Mary lhe convidara a explorar era maior do que a maioria das casas comuns. Alm da decorao de bom gosto, havia um banheiro particular, com uma enorme
banheira de mrmore. Uma sala de estar conectava seu quarto ao de Mack, e fora convertida em um quarto de beb antes da chegada deles, com bero, trocador e cadeira
de balano.
Perguntou-se como Mack conseguira transformar o cmodo to rapidamente, meneando a cabea para a questo absurda. Como ele j lhe provara, obviamente possua recursos
e conexes para realizar qualquer coisa que quisesse.
Com um suspiro resignado, foi at o bero ver se seu filho dormia tranqilamente, e passou pelas portas francesas que se abriam de seu quarto para um ptio particular.
Cercada por uma parede de pedra, a rea era iluminada por lustres de cobre, e plantas coloridas e altas rodeavam o ambiente. No canto, uma fonte de gua caa sobre
pedras e sobre um pequeno lago, onde peixes nadavam preguiosamente debaixo de ptalas de lrios. Achando o som da cascata de gua to relaxante quanto a viso do
jardim, Addy sentou-se na espreguiadeira e permitiu que a tenso se esvasse de seu corpo.
Tinha sido um dia exaustivo, tanto mental quanto fisicamente. Primeiro, houvera aquele estressante confronto no hospital com os amigos e pessoas associadas a Mack,
seguido de uma cerimnia de casamento breve e impessoal. Depois, a viagem para a sua casa, a fim de empacotar as coisas que decidira levar consigo. Mack havia oferecido
contratar um servio de mudana para empacotar tudo e levar para Lampasas, mas Addy recusara. No tinha certeza se o arranjo que fizera com ele ia dar certo e queria
sua casa intacta e esperando-a caso resolvesse voltar. . E ento houvera a longa viagem de Dallas at Lampasas. A maior parte do trajeto fora feita em silncio,
uma vez que Addy ainda estava chocada demais pelos eventos da manh para tentar puxar uma conversa. Qualquer sanidade que lhe restasse desaparecera assim que avistara
a casa. Apesar de Mack ter me assegurado naquela manh que possua uma casa grande e adequada para a privacidade dela, Addy no estava preparada para a manso palaciana
que a cumprimentara.
Mas seu choque com o tamanho da casa e a bvia riqueza de Mack no era nada comparado ao que experimentara quando Zadie chamara seu filho de Johnny Mack. Ainda no
podia acreditar que no notara a semelhana das feies entre os irmos antes que Mack tivesse apontado.
O pensamento a fez ficar tensa novamente. Embora Mack lhe assegurasse que no precisava se preocupar com Ty, Addy no podia livrar-se do medo de que ele pudesse
assombr-la de alguma maneira.
Pelo amor de Deus, pensou, a preocupao retornando com fora total. Os dois homens eram irmos! O que impediria Ty de aparecer para uma visita? O mero pensamento
de v-lo a fez tremer. Nunca mais queria pr os olhos em Ty Bodean. Podia ter pensado estar apaixonada por ele um dia, mas isso fora antes de descobrir que o homem
era mentiroso e ladro.
- Espero que tenha achado suas acomodaes adequadas.
Addy saltou ao som da voz de Mack, ento engoliu em seco e se levantou para encar-lo.
- Isso no vai dar certo.
Ele a olhou, a expresso preocupada.
- Algum problema com seu quarto? Se houver, h diversos outros para escolher.
Ela virou-se para andar de um lado para o outro.
- No h nada errado com o quarto.  lindo.
- Ento, qual  o problema? Ela o olhou.
-Esqueceu-se que o pai do meu filho  seu irmo.
- Meio-irmo - corrigiu ele - E que diferena isso faz?
- E se ele vier aqui? Poderia causar problemas. At mesmo tentar tirar meu filho de mim.
Mack a segurou pelo brao e a guiou de volta para a cadeira.
- Ty no pode levar o beb. Lenny j est preparando os papis de adoo. Assim que estiverem prontos, Johnny ser legalmente meu.
- Mas ele poderia contestar a adoo, no poderia? Exigir um exame de sangue para provar que  o pai natural?
Com um suspiro, ele liberou o brao dela e se sentou na cadeira a seu lado.
- Suponho que sim, mas por que faria isso? Ele sabia que voc estava grvida quando a abandonou. Por que iria querer a criana se fugiu quando soube de sua gravidez?
- Mack cobriu-lhe a mo com a sua - Voc est se preocupando  toa, Addy. Ty no vir a Lampasas, muito menos  minha casa.
- Voc no sabe disso.
- Oh, eu sei - disse ele, e retirou a mo - Ty faria quase qualquer coisa para evitar um encontro comigo.
Franzindo o cenho, Addy colocou a mo sobre o estmago para amenizar o friozinho que o toque dele deixara ali.
- Vocs nunca se falam?
- Raramente, e quando nos falamos  ao telefone, nunca pessoalmente.
Ele reclinou-se e estendeu as pernas  frente, a expresso confiante.
- Mas mesmo se ele viesse aqui, nunca passaria pelo porto da frente. No sabe o cdigo de segurana, e ningum que trabalha para mim o deixaria entrar sem minha
permisso - Mack angulou a cabea para encontrar o olhar dela - Voc est segura aqui, Addy. Tanto voc quanto o beb. Eu nunca permitiria que algum mal fosse causado
a nenhum de vocs.
Ela estudou-lhe o rosto, querendo acreditar naquelas palavras, mas com medo de baixar a guarda. Ty a fitara diretamente nos olhos e lhe contara mentira aps mentira.
Mack poderia estar mentindo tambm. No apenas sobre sua habilidade de proteg-la de Ty, mas sobre as razes para se casar com ela. Quem lhe garantia que ele no
a estava enganando da mesma forma que Ty fizera?
Mas o que Mack poderia querer dela?, perguntou-se honestamente. No tinha motivos para roubar-lhe. De acordo com o banqueiro, era um homem rico. E de maneira alguma
queria um relacionamento fsico com ela. Pelo amor de Deus, Addy acabara de ter um beb! Ele a vira em seu pior estado, ficara at mesmo a seu lado quando ela parira.
Aquilo desestimularia qualquer homem fisicamente.
Sups que ele estivesse falando a verdade. Os homens que foram ao hospital o haviam descrito como um homem prspero e generoso, e jurado que Mack no era louco,
como ela o acusara. E parecia genuinamente importar-se com o beb.
- Tudo bem - disse ela relutante, ento ergueu um dedo em aviso - Mas se Ty aparecer aqui, no o quero perto de mim ou de meu filho. Se voc permitir que isso acontea,
eu partirei. Entendeu? -  justo - ele se levantou com um suspiro - Preciso cuidar de uma papelada em meu escritrio antes de me deitar. Se quiser, pode assistir
 televiso na sala de estar.
Addy meneou a cabea.
- No. Acho que vou para a cama. Foi um longo dia.
Ele pressionou-lhe o ombro de leve quando passou.
- Boa noite, Addy.
- Boa noite - murmurou ela, ouvindo o som dos passos seguido pelo suave rudo da porta se fechando. Assim que teve certeza de que estava sozinha, abaixou a blusa
sobre o ombro e examinou a pele, esperando encontrar uma rachadura ali, ou no mnimo uma marca vermelha. No achando nenhuma das duas coisas, franziu o cenho e colocou
a blusa de volta no lugar, perguntando-se o que fazia sua pele se arrepiar toda vez que ele a tocava.


CAPTULO QUATRO

Addy gemeu, tentando bloquear a voz que ameaava seu sonho.
- Addy, acorde - persistiu a voz.
Lentamente, ela forou os olhos a se abrirem e quase morreu de susto quando encontrou o rosto sombreado de um homem a centmetros do seu. Reconhecendo Mack, suspirou
de alvio.
- Voc me assustou.
- Desculpe-me, mas o beb est com fome. Instantaneamente acordada, Addy se sentou e estendeu os braos.
- Meu Deus, sinto muito - murmurou se sentindo culpada - No ouvi nada.
Mack colocou o beb nos braos dela.
- Ele no me acordou. Eu o ouvi se mexendo quando acordei para beber gua. Imaginei que se eu o balanasse por um tempo, voc poderia dormir um pouco mais.
Grata pela escurido, ela rapidamente ajustou a camisola para que o beb pudesse mamar.
- Agradeo pela considerao, mas voc no precisava fazer isso. J descansei bastante.
- No me importei.
Em vez de partir, como era esperado, ele se sentou na beira da cama e puxou a manta para cobrir o pezinho do beb.
- Na verdade, gostei de aninh-lo. Trouxe-me algumas memrias de volta.
Ela ouviu a melancolia na voz dele e perguntou-se por qu.
- Voc tem filhos?
- Tive um filho. Ele morreu quando tinha 6 anos.
- Oh, Mack - disse ela, o corao partido pela perda dele - Sinto muito.
Mack deu de ombros.
- Aconteceu h mais de 12 anos. O tempo faz a dor diminuir.
- Ainda assim... - ela olhou para o prprio filho, incapaz de imaginar o que seria perd-lo. Enquanto considerava isso, ocorreu-lhe que se Mack tivera um filho,
provavelmente tinha uma esposa tambm.
- Voc  divorciado? - perguntou hesitante.
- Vivo. Minha esposa e filho morreram juntos. Um acidente de carro - acrescentou.
Addy olhou para o rosto sombreado, tentando imaginar a magnitude daquela perda.
- Isso deve ter sido muito duro para voc.
- Voc no tem idia.
Porque realmente no tinha, Addy olhou para o filho e no disse nada.
Eles ficaram em silncio enquanto o beb mamada os suaves rudos de suco da criana sendo o nico som do quarto.
-  melhor trocar de lado - aconselhou Mack - No vai querer que ele fique de barriga cheia antes de mamar em seu outro seio.
- Certo - concordou ela, e colocou um dedo sob o seio para separar a boca do beb do mamilo. Comeou a levant-lo para o ombro, mas num impulso ofereceu a Mack -
Voc quer faz-lo arrotar?
Ele se sentou mais ereto.
- Eu gostaria.
Com uma facilidade que a teria surpreendido se no soubesse que ele tivera um filho, Mack posicionou o beb sobre o ombro e comeou a dar-lhe tapinhas gentis nas
costas. Foi s naquele momento que Addy percebeu que Mack estava usando apenas uma cala jeans. Embora tentasse no olhar, no pde deixar de notar os plos escuros
rodeando-lhe os mamilos, antes de descerem numa linha sombreada e desaparecerem abaixo da cintura do jeans, os msculos do brao flexionando enquanto segurava o
beb.
O alto arroto do beb a assustou.
Rindo, Mack entregou-lhe a criana.
- Este foi bom.
Divertida, Addy guiou o filho para o seio oposto. Apesar da semi-escurido do ambiente, ainda achou estranho que no se importar em alimentar Johnny na frente de
Mack. Sups que a presena dele durante o parto tinha tirado qualquer vergonha que ela poderia ter experimentado.
Levantou a cabea e olhou-o com curiosidade.
- Voc acha isso estranho? Mack franziu o cenho em confuso.
- O qu?
- Isso - respondeu ela e levantou os braos para indicar o beb - Eu o alimentando na sua frente.
Mack colocou a mo sobre o colcho, como se fosse levantar.
- Se quiser que eu saia...
Ela cobriu-lhe a mo com a sua.
- No. Eu s estava pensando como  estranho fazer isso na frente de um completo estranho.
- No sou um estranho - disse ele - Sou seu marido.
Ouvir aquilo era um pouco embaraoso, pensou Addy.
- Isso pode ser verdade, mas ns nos conhecemos... h dois dias?
Ele consultou o relgio de pulso.
- Dois e meio. Addy riu.
- Certo. E essa metade do dia faz toda a diferena do mundo.
- Conheo algumas pessoas h mais tempo do que conheo voc e sei menos sobre elas.
Ela arqueou uma sobrancelha, intrigada.
- E o que sabe sobre mim?
- Voc  teimosa feito uma mula.
- Isso  muito lisonjeiro - ela disse secamente. Reprimindo um sorriso, Mack esticou-se na cama aos ps dela e apoiou-se sobre um cotovelo.
- No terminei ainda.
- No tenho certeza se meu ego agenta ouvir mais.
- Voc  corajosa, independente e rica em expedientes.
Ela assentiu.
- Agora voc est certo.
- E  muito boa em esconder seus sentimentos. Addy o olhou, horrorizada.
- Est brincando? Como pode dizer isso depois de todo o escndalo que fiz sobre me casar com voc?
- Falo das emoes que voc no deixa transparecer.
- Oh? E exatamente que emoes estou escondendo?
- Aquelas que dizem respeito  sua me. A falta de ateno dela magoa voc.
Embaraada por ele saber daquilo, Addy desviou o olhar, mas permaneceu silenciosa.
- Ela no a merece.  uma filha muito melhor do que ela  uma me para voc.
O elogio, embora soasse sincero, irritou a.
- Voc no sabe disso. Nunca a viu na vida.
- Conversei com ela. Foi o bastante.
- Discordo, mas continue - disse ela - Diga-me o que mais acha que sabe sobre mim.
- Ficou desapontada consigo mesma por deixar que um homem como Ty a engravidasse.
O embarao de Addy se transformou em raiva.
- Voc faz parecer como se eu tivesse tentado engravidar. Eu insistia que ele usasse preservativos. Obviamente um deles estava com defeito.
- Desculpe-me - murmurou Mack - Fui infeliz na construo da sentena. Deixe-me tentar de novo. Voc ficou decepcionada consigo mesma por se tornar ntima de Ty.
Para ser honesto, tambm fiquei surpreso. Voc no parece o tipo dele.
Embora ele estivesse certo sobre os arrependimentos dela em relao a Ty, Addy no admitiria seu sentimento de culpa.
- Ento, de que tipo eu sou?
- Do tipo que quer o pacote completo. Amor, casamento, famlia.
Ela considerou aquilo, perguntando-se se era assim to transparente ou se Marjorie tinha contado algumas coisas secretas a Mack.
- E como voc chegou a tal concluso?
- Primeiro, a sua casa. As flores ao longo do caminho de entrada. As cestas de samambaias na varanda. O potinho de alpiste para os pssaros pendurado na rvore da
frente.
- E por causa disso voc decidiu que sou a tpica dona de casa? - ela riu - Est muito enganado.
- Estou? - desafiou ele - Ento, por que voc teve o beb?
- Havia outra escolha?
- Outras mulheres em sua situao teriam optado pelo aborto.
- Sou contra o aborto. Sou pela vida.
- Mais pela famlia - insistiu ele - Voc pode no ter planejado esta gravidez, mas jamais destruiria sua chance de ter uma famlia, mesmo perdendo um elemento importante.
O pai.
Assustada por ele estar to perto da verdade, ela ergueu o filho para o ombro.
- Certo, dr. Freud.  o bastante de psicanlise por hoje. Quero dormir.
Ele se levantou e estendeu os braos.
- Eu o coloco no bero.
Addy resistiu por um momento, tentada a lhe dizer que era mais que capaz de fazer aquilo sozinha, mas ento decidiu concordar, uma vez que Mack teria de passar pelo
quarto de Johnny antes de chegar ao seu.
Depois de entregar-lhe o beb, deitou-se e puxou as cobertas at o queixo.
- No esquea de cobri-lo.
- Fique tranqila.
Apesar da leve irritao que sentia, Addy sorriu. Poderia se acostumar com aquilo, pensou, enquanto aninhava o rosto contra o travesseiro.
Era gostoso ter algum cuidando dela para variar... mesmo que este algum fosse um pouco prepotente.
Da cadeira de balano, Addy ouviu Mary entrar no quarto do beb e comear a guardar as coisas de Johnny. Depois de mais de uma semana na casa de Mack, ainda no
estava acostumada com pessoas lhe servindo.
- Mary, no precisa guardar estas coisas. J  o bastante o trabalho de lavanderia que voc tem feito. Deixe a cesta em cima da cama que mais tarde guardo tudo.
- No  trabalho nenhum - insistiu Mary - Mexendo na cesta de novo, removeu um tip-top e ergueu-o para admirar.
- Oh, no  a coisinha mais linda? - disse ela, pressionando o tecido macio contra o rosto - Lembra-me de quando meus filhos eram bebs.
- Quantos filhos voc tem?
- Quatro.
- Quatro - repetiu Addy, olhando para seu filho mamando no seio. Perguntou-se como uma me poderia cuidar de tantos filhos, quando um parecia lhe dar trabalho de
tempo integral - Como voc consegue?
Rindo, Mary pegou uma colcha para dobrar.
- No sabe que mes vm equipadas com um par extra de mos?
Addy olhou para o prprio filho e franziu o cenho.
- Fui enganada.
- Como?
Addy ergueu a cabea para encontrar Mack parado na soleira da porta... e teve de piscar duas vezes para ter certeza que era ele. Vestido de botas, jeans desbotado
e com os cabelos despenteados pelo vento, parecia mais jovem e menos imponente do que o homem que, menos de uma semana atrs, prometera am-la at que a morte os
separasse.
Ela desviou o olhar, ainda achando difcil pensar em Mack como seu marido.
- Mary diz que as mes recebem um par extra de mos - explicou - Eu disse a ela que fui enganada, Porque s tenho um.
Ele gesticulou em direo ao beb.
- Para uma coisinha to pequena, um par  tudo que voc necessita - Mack a fitou - D-me Johnny. Vocs, mulheres, ficaram com ele a manh inteira.  a minha vez.
Papai chegou! Ele no disse isso, mas foram as palavras que vieram  mente de Addy quando Mack estendeu os braos e deu um sorriso de orelha a orelha.
Beijando a testa do filho, ela passou-o para os braos de Mack e ofereceu-lhe a cadeira de balano.
Assim que Mack se sentou, Johnny comeou a choramingar.
- Fiz alguma coisa errada? - perguntou ele, alarmado.
- Provavelmente Johnny precisa arrotar. Acabou de mamar.
Ele ergueu Johnny alto no peito e comeou a esfregar-lhe as costas. O beb arrotou quase instantaneamente.
Rindo, Mary pegou a cesta vazia da cama.
- Parece que voc no perdeu o jeito - disse a Mack antes de sair do quarto.
Addy viu os olhos de Mack entristecerem e soube que o comentrio de Mary o lembrara do filho. Querendo distra-lo de memrias tristes, sentou-se na cama em frente
 cadeira de balano.
- Mary est determinada a me mimar. Lavou e passou as roupas de Johnny esta manh, ento insistiu em guard-las.
Mack aninhou o beb nos braos, mas no a olhou.
- Ela  louca por crianas. Sempre foi.
- Mary trabalha h muito tempo para voc?
- H 14 anos. Trabalhou para minha me antes disso. Eu a contratei depois que mame faleceu.
- Zadie tambm trabalhou para sua me? - Addy quis saber.
- Sim, mas ela foi trabalhar em um restaurante da cidade aps a morte de minha me. Depois que minha esposa morreu percebi que precisava de uma cozinheira, ento,
roubei-a do restaurante. Ela est comigo h seis anos agora.
Lembrando-se das refeies deliciosas que Zadie preparava, Addy ps a mo sobre o estmago.
- Posso entender por que voc quis roub-la, mas como consegue evitar engordar? Mais um pouco da comida de Zadie e terei de voltar a usar roupas de grvida.
- Zadie diz que voc come como um passarinho.
- Oh, no. Voc viu quanto comi. Compartilhamos todas as refeies. Eu limpo o prato.
- Mas no repete.
Ela pensou no bolo de coco da noite anterior e gemeu.
- No posso repetir! Como vou perder peso se Zadie continuar colocando sobremesas fabulosas na minha frente?
- Direi a ela para cortar os doces.
- Talvez seja melhor no dizer nada. No quero correr o risco de mago-la.
Mack lhe lanou um olhar de lado.
- Voc est preocupada com os sentimentos de Zadie ou com medo de ser privada dos doces?
Comprimindo os lbios, ela lhe deu um tapinha no brao.
- Tolo.
Mack riu.
- Foi o que pensei.
Ele olhou para o beb e seu sorriso desapareceu? lentamente. Aps um momento, falou:
- Obrigado.
Ela franziu o cenho.
- Pelo qu?
- Por ter puxado assunto - ele angulou a cabea para encar-la - As lembranas doem.
Addy suspirou, perplexa pela dor que viu nos olhos azuis, os anos de sofrimento guardados atrs deles. Mais do que qualquer coisa, queria alisar-lhe o rosto e tirar
a dor dali.
Antes que pudesse ceder  vontade, levantou-se abruptamente e estendeu os braos.
-  melhor eu peg-lo para que voc possa trabalhar. Certamente tem coisas a fazer.
Ele virou o ombro para bloque-la.
- Nada que no possa esperar. V relaxar enquanto pode - olhou para o beb e sorriu - Johnny Mack e eu precisamos de um tempo s para homens.

Addy estava deitada na espreguiadeira de seu ptio particular, os olhos fechados, o sol quente na pele. Um copo de limonada estava encaixado no suporte da cadeira,
e uma revista que estivera lendo jazia aberta sobre seu estmago, marcando a pgina. Sentia-se relaxada, preguiosa e pecaminosamente contente.
Dizer que estava no paraso no seria um exagero, pensou com um suspiro. A casa de Mack era grande e espaosa, a comida tinha a qualidade da de um restaurante cinco
estrelas, todas as suas necessidades eram atendidas antes que precisasse vocifer-las. Zadie cuidava de todas as refeies, enquanto Mary limpava, lavava e passava.
Tudo que Addy tinha permisso de fazer era cuidar de seu beb, e mesmo essa tarefa era amenizada pelos outros trs adultos da casa, que constantemente procuravam
uma desculpa para roubar-lhe Johnny. "Mes novatas precisam de descanso", dizia Mary e desaparecia com o beb. "Crianas precisam de estmulo constante", dizia Zadie
e levava Johnny para a cozinha, onde um bero fora instalado perto das largas portas francesas.
Ento havia Mack. E dos trs, ele era o pior. Algum pensaria que passava a noite no cho, ao lado do bero. Antes que o beb pudesse abrir a boca para chorar, Mack
j estava lhe trocando a fralda. Balanava-o nos braos para se certificar de que Johnny estava com fome, e no apenas se sentindo solitrio, antes de lev-lo para
Addy. E raramente partia depois de trazer o beb. No geral, deitava-se aos ps da cama e lhe fazia companhia enquanto Johnny mamava.
Addy sabia que era tolice, mas comeava a esperar ansiosamente por aquele momento com Mack. A conversa entre os dois flua com facilidade. Ele era inteligente e
divertido. Tambm apreciava os momentos nos quais ficavam em silncio. O horrio pacfico e a semi-escurido do quarto acrescentavam uma intimidade ao momento compartilhado,
dando-lhe uma qualidade quase sonhadora.
Durante o curto espao de tempo que estava na casa de Mack, um elo de amizade tinha sido criado, um elo que Addy aprendera a valorizar. Eles conversavam, riam e
assistiam  televiso juntos. Ele a convidara para algumas caminhadas... at o estbulo para ver uma gua ou at o porto da frente para apanhar a correspondncia
diria. Sabia que aquele era o jeito que Mack encontrara de tir-la de dentro de casa e de afastar-se um pouco do beb, algo que ela se sentia relutante em fazer.
- Olhe o que achei!
Addy assustou-se com o som da voz de Mack, e se virou para encontr-lo parado na soleira da porta, segurando o beb.
Ela o olhou seriamente.
- Mack McGruder, se voc acordar Johnny ficarei muito zangada.
- No precisei fazer isso. Ele j estava acordado - com a ponta da bota, ele arrastou uma cadeira para o lado dela e sentou-se, enquanto segurava o beb em um dos
braos.
Addy observou, impressionada pela facilidade com que ele manuseava a criana.
- Aposto que voc era um bom pai - o pensamento saiu de sua boca antes que se desse conta que falara em voz alta. Tocando-lhe o brao, acrescentou:
- Sinto muito.  s que voc parece to natural segurando Johnny.
Mack meneou a cabea.
- Ser lembrado de que fui pai no me incomoda. Mas eu no sabia que era um bom pai. s vezes, voc precisa perder algum para se dar conta de quanto essa pessoa
era preciosa.
Ela assentiu solenemente, pensando nos arrependimentos que ele deveria ter.
- Como era seu pai? - perguntou impulsivamente.
Mack arqueou uma sobrancelha, como se estivesse se perguntando de onde vinha a pergunta, mas ento deu de ombros.
- Divertido. Minha me jurava que montaria um cavalo antes de andar, e imagino que havia mais verdade nessa declarao do que exagero. Meu pai me levava a todos
os lugares que ia. Checar o gado, consertar cercas, caar, pescar - ele riu - Trabalho ou diverso, papai sempre me levava.
Addy sorriu, invejando o relacionamento que ele descrevera.
- Voc teve muita sorte.
- Sim, tive - concordou Mack e a olhou - E quanto a seu pai? Como ele era?
- Nunca conheci meu pai. Ele foi morto no Vietn.
- Isso  duro. Addy deu de ombros.
- No posso sentir falta do que nunca tive.
- E quanto a seu padrasto? Voc era prxima dele?
- Qual deles? - perguntou ela friamente. Ele franziu o cenho.
- Voc teve mais de um?
- Quatro para ser exata.
A expresso de Mack era divertida.
- Quatro?
- Sim, quatro. E no, eu no era prxima a nenhum deles - ela torceu o nariz - Para ser honesta, os primeiros trs no ficaram por tempo suficiente para que pudssemos
estabelecer qualquer tipo de relacionamento, e quando o quarto chegou, eu j no estava mais interessada em tentar.
- Quatro - disse Mack novamente, como se fosse incapaz de acreditar.
Addy hesitou por um momento, ento decidiu que era melhor contar-lhe seu passado srdido de uma vez.
- Minha me se casou quatro vezes. Mack refletiu antes de perguntar:
- Sua me e seu pai nunca...
- No, eles nunca se casaram. Quando ela lhe disse que estava grvida, ele fugiu, alistando-se no exrcito, em vez de fazer dela uma mulher honesta. Minha me nunca
o perdoou por isso.
Mack assobiou baixinho.
- Bem, isso explica algumas coisas que ela me disse ao telefone.
- Posso imaginar o que ela falou sobre meu pai. Nunca perdoou Tony Rocei. E aps a morte dele, minha me decidiu me culpar.
- Isso no  justo - disse Mack, indignado - Voc no pode ser culpada por algo sobre o qual no tinha controle.
- Bem, tente dizer isso  minha me.
- No, obrigado - franzindo o cenho, ele trocou o beb de brao - Voc tem algum contato com a famlia de seu pai?
- No. Minha me se recusa a ter qualquer coisa a ver com os Rocei. Suponho que ela os culpe por Tony t-la abandonado.
- Mas ela lhe deu o nome de seu pai - observou Mack, confuso.
- Isso no foi uma cortesia, mas vingana. Ela queria que o mundo soubesse que canalha ele tinha sido, engravidando-a e fugindo em seguida.
Mack lhe lanou um olhar enigmtico.
- O que foi? - perguntou ela.
- Esta histria parece muito familiar.
Addy desviou o olhar.
- Em parte, mas no sou como minha me. Posso detestar seu irmo...
- Meio-irmo - ele a corrigiu.
- Que seja. A nica semelhana entre a situao de mame e a minha  que ambas engravidamos sem nos casar. No dei ao meu filho o nome do pai, e sim o meu - ela
fez uma pausa antes de acrescentar: - Ou teria dado se voc no o tivesse adotado. E jamais culparei Johnny pelo que aconteceu. Engravidar foi culpa minha e aceitei
total responsabilidade.
Addy olhou para o filho e seu semblante tornou-se mais ameno.
- Mas nunca me arrependerei de t-lo colocado no mundo - disse e pegou o beb dos braos de Mack. Colocando uma mo atrs da cabecinha do filho, roou-lhe o rosto
com o nariz - Como poderia me arrepender de algo to doce?
Recostando-se, acariciou o beb, distrada.
- A coisa mais estranha aconteceu no dia que entrei em trabalho de parto.
- Um homem estranho apareceu na sua casa? Ela o olhou.
- Alm disso - desviando o olhar de novo, franziu o cenho, recordando-se - Uma moa telefonou dizendo que nossos pais haviam servido juntos no Vietn. O telefonema
me pegou de surpresa, porque raramente penso sobre meu pai.
- Imagino que tenha sido um susto ouvir o nome dele.
- Sim. Mas o estranho  que ela ligou para perguntar sobre um pedao de papel que encontrou enquanto mexia nos pertences do pai. Queria saber se meu pai tinha enviado
algo similar para minha me.
- E ele enviou? Addy deu de ombros.
- No sei. Se ele enviou e mame guardou, est provavelmente no ba que ela deixou em minha garagem quando se mudou para o Hava. Tem todo tipo de coisas l dentro.
Lembranas do tempo do colegial, dos casamentos anteriores. Coisas que ela no queria que o marido soubesse que guardava.
- Se voc sabe aonde poderia encontrar o papel, por que no procurou?
- No tive a chance ainda. Entrei em trabalho de parto - Addy continuou acariciando as costas de Johnny, enquanto refletia sobre as possibilidades - No seria incrvel
se fosse algo valioso? - murmurou, pensando alto - Eu poderia me livrar de meu velho tren e comprar um novo.
- Tren?
- Meu carro. Tudo que o mantm unido so fios emaranhados e fita crepe.
Mack jogou a cabea para trs e riu. Ela lhe lanou um olhar zangado e ele rapidamente ficou srio.
- Desculpe-me - murmurou - Pensei que apenas pessoas do interior usassem fita crepe para esse tipo de reparos.
Addy ergueu o queixo.
- Necessidade e criatividade no conhecem fronteiras.
Ele assentiu em concordncia.
- No. Suponho que no.
- No importa - disse ela -  tolice colocar esperana em alguma coisa que no existe.
- Voc no sabe disso - ele a relembrou - Talvez esteja no ba.
- Duvido. Mesmo que meu pai tivesse enviado, mame no o guardaria. Ela o odiava. No iria querer nada que o relembrasse.
- Ele est sorrindo. Addy piscou em confuso.
- O qu?
- Johnny est sorrindo.
Addy abaixou o filho para o colo a fim de ver por si mesma.
- Ele est! - exclamou excitada, ento riu e ergueu-o para dar-lhe um beijo no rosto - Johnny Mack, voc  o beb mais lindo do mundo e mame o ama muito.
- Acho que agora isso se tomou oficial - disse Mack.
Ela o encarou, perplexa.
- O qu?
Ele gesticulou para o beb.
- Voc o chamou de Johnny Mack, o que toma o nome oficial.


CAPITULO CINCO

Uma mulher podia agentar ser servida e mimada apenas por um tempo. Depois de um ms na casa de Mack, Addy tinha chegado ao seu limite.
A cozinha era o domnio de Zadie, e ela a guardava como uma galinha guardaria seus ovos, recusando-se a deixar Addy at mesmo ferver gua. Mary, embora muito mais
amvel sempre que rejeitava as ofertas de Addy para ajudar, tambm era ciumenta com suas tarefas de casa.
No comeo, Addy gostava de ser mimada, considerando as mulheres doces e gentis. Agora, a inatividade a deixava nervosa, e estava determinada a pr um fim nisso antes
que enlouquecesse.
Achando melhor discutir a situao com Mack antes de dizer qualquer coisa s mulheres, foi procur-lo. No o encontrando no quarto ou no escritrio, dirigiu-se para
a cozinha, onde encontrou Zadie mexendo em uma massa. Vapor subia de uma grande panela sobre o fogo e o aroma que preenchia o ambiente a distraiu momentaneamente
de sua misso.
- O que est cozinhando? - perguntou quando atravessou a cozinha para espiar a panela.
- Sopa de legumes - rindo, Zadie acrescentou: - O homem gosta da minha sopa.
Addy abaixou a cabea sobre a panela e inalou profundamente.
- Posso entender por qu. O cheiro  maravilhoso - ela alcanou a colher de pau, pretendendo dar uma mexida rpida.
Antes que o fizesse, Zadie tirou-lhe a colher da mo.
- Eu fao a comida por aqui - disse, balanando a colher diante do nariz de Addy - No voc.
Addy ficou to irritada com aquilo que pegou a colher de volta rapidamente.
- Eu sou a mulher desta casa e posso mexer a comida a qualquer hora que quiser.
Zadie deu um passo atrs, os olhos arregalados, ento comprimiu os lbios.
- Tudo bem - murmurou e retornou  sua massa - Mexa. Mas faa isso gentilmente - avisou - O sr. Mack gosta dos legumes em pedaos, no amassados.
Addy liberou uma respirao trmula, to surpresa pelo seu acesso de raiva quanto Zadie obviamente estava.
Mergulhando a colher na panela, comeou a mexer, cuidando para manter os legumes j cortados inteiros.
Lembrando de seu. propsito para ter ido  cozinha, perguntou:
- Onde est Mack?
- No sei. Saiu h mais ou menos uma hora. Recebeu um telefonema e saiu como se o diabo o estivesse perseguindo.
Addy olhou para cima, alarmada.
- Aconteceu alguma coisa?
Zadie comeou a abrir a massa com as mos.
- Ele no falou. Assim que desligou o telefone, saiu feito louco.
O estmago de Addy revolveu-se.
- Voc sabe quem era ao telefone? Zadie no a olhou quando respondeu:
- Com quem o sr. Mack fala no  problema meu. Addy largou a colher, certa de que sabia quem tinha ligado.
- Era Ty, no era?
- Ty Bodean? - Zadie pegou o rolo agora para alisar a massa - O sr. Mack no daria um minuto de seu dia para aquele garoto malvado. Ty no  mais bem-vindo aqui
h muito tempo. Sempre vinha para pedir dinheiro. Exatamente como o pai. Mas como o sr. Mack fez uma promessa  me, continuou dando dinheiro para Ty, sabendo muito
bem que o garoto gastaria sem cuidado ou responsabilidade - ela meneou a cabea com tristeza - Isso durou anos, at que o sr. Mack finalmente se cansou das bobagens
do rapaz e parou de sustent-lo. Ty ficou furioso, saiu daqui praguejando e jurando vingana.
- Quando?
Zadie olhou para cima, as sobrancelhas arqueadas.
- Quer saber quando Ty partiu? Addy assentiu com um gesto de cabea.
Zadie franziu o cenho, pensativa, ento voltou sua beno para a massa.
- Faz uns dois anos, acho. No se ouviu meno do nome dele por aqui, at que ligaram da agncia de correios avisando o sr. Mack sobre as cartas que voc enviava.
Depois de ter ficado nervoso por dias, ele decidiu que era melhor fazer alguma coisa por Ty, que estava envolvido em mais um caso de paternidade.
As mos dela pararam no rolo de massa quando olhou para Addy.
- Casar-se e trazer voc e o beb para casa no era o que o sr. Mack tinha em mente no dia em que foi para Dallas, e isso  um fato. Ele planejava lhe oferecer dinheiro,
como fez com as outras - rindo, ela ps o rolo de lado e limpou as mos no avental - Mas suponho que o bom Deus tinha outra coisa em mente para o meu patro desta
vez.
- E o que era?
Zadie a fitou em surpresa.
- Fazer o sr. Mack se casar e trazer voc e o beb para casa - ela fez uma breve pausa - Agora, sei que no  de minha conta, mas acho que j  mais que hora de
voc e o sr. Mack compartilharem a mesma cama. Sei que seu parto foi difcil e tudo isso, mas o beb j tem mais de um ms e voc precisa cumprir seus deveres de
esposa, em vez de dormir no quarto, sozinha.
Addy olhou para a mulher mais velha, atnita pela sugesto, ento virou-se para a porta, o rosto totalmente rubro.
- Aonde vai com tanta pressa? - chamou Zadie - Pensei que voc fosse mexer a sopa.

Ansioso para mostrar a Addy a surpresa que lhe trouxera, Mack jogou seu chapu no balco da cozinha.
- Onde est Addy?
Irritada, Zadie fechou a porta do forno.
- Como vou saber? Ningum me diz nada. Ela saiu correndo da cozinha como se estivesse sendo picada por uma abelha.
Mack arqueou uma sobrancelha, estranhando o mau-humor de Zadie.
- Se est chateada comigo porque no lhe disse aonde ia, desculpe-me. Eu estava com pressa. Tinha de cuidar de alguns negcios na cidade.
Ela virou-se para encar-lo e plantou as mos nos quadris.
- Eu lhe perguntei onde esteve? - antes que ele pudesse responder, Zadie foi para a geladeira e abriu a porta - Todos esto perguntando onde esto todos. Sou cozinheira,
no secretria.
Quando se virou da geladeira e quase colidiu com Mack, reclamou de novo:
- Pensei que estivesse com pressa para encontrar a sra. Addy - pondo a mo no peito dele, empurrou-o de leve - V procur-la. Tenho de fazer o jantar.
Decidindo que era mais seguro partir do que question-la, ele foi  procura de Addy. Encontrou-a no quarto, parada diante das portas francesas, olhando para fora.
- Addy?
Ela teve um sobressalto, mas no se virou.
- Sim?
Ele notou que ela contorcia as mos e perguntou-se se aquilo tinha algo a ver com o mau-humor de Zadie.
- Voc e Zadie tiveram uma discusso, por acaso?
Addy ficou tensa.
- Zadie disse isso?
- No, mas quase me bateu quando perguntei se sabia onde voc estava.
- O que mais ela lhe disse? Intrigado, Mack meneou a cabea.
- Nada. Apenas me expulsou da cozinha.
Addy virou-se ento, e ele viu as lgrimas nos olhos dela.
- O que houve? - perguntou preocupado.
-  culpa minha que sua cozinheira est de mau-humor. Gritei com Zadie - ela secou os olhos - Eu s queria mexer a sopa e ela tirou a colher da minha mo. E eu...
eu... - parou quando seus olhos encheram de lgrimas novamente - No sei o que deu em mim. Mas estou to entediada. Ningum me deixa fazer nada. Zadie. Mary. Tratam-me
como se eu fosse invlida.
- Elas apenas no querem que voc se exceda.
- Exceda-me? - repetiu ela, as lgrimas instantaneamente secando - Mais um pouco desta vida sedentria e vou atrofiar! Estou acostumada a me manter ocupada. Em casa
e no trabalho. Oito horas de turno direto no pronto-socorro no preparam uma pessoa para esse tipo de inatividade. Estou enlouquecendo com isso.
- Quer que eu fale com elas?
- Sim. No - gemendo, Addy cobriu o rosto com as mos - No sei. Apenas quero fazer alguma coisa, qualquer coisa, e elas no me permitem.
Com dificuldade, Mack reprimiu uma risada.
- Pedirei a elas que aceitem sua ajuda sempre que voc quiser ajudar.
Addy tirou as mos do rosto para fit-lo.
- Promete que no vai contar-lhes que falei alguma coisa? Afinal, as duas tm sido muito boas para mim. No quero que pensem que sou mal-agradecida.
Mack usou um dedo para desenhar uma cruz sobre o corao.
- Voc tem a minha palavra. Elas nunca sabero sobre essa nossa conversa.
- Obrigada.
Escondendo um sorriso, ele passou uma mo sobre os ombros de Addy e conduziu-a para a porta.
- Vamos l fora comigo. Quero lhe mostrar uma coisa.
Ela olhou para o bero atrs dos dois.
- Mas e se Johnny Mack acordar?
- H monitores pela casa inteira. Mary ou Zadie o ouviro.
Quando chegaram ao porto da frente, Mack parou.
- E ento? - perguntou, indicando o veculo parado na entrada - O que voc acha?
Addy olhou para o carro, depois para ele.
- Voc comprou um carro novo? Mas j tem uma Mercedes e uma caminhonete. Para que precisa de mais um veculo?
Antes que ele pudesse explicar que o carro era para ela, Addy entrou, acomodou-se atrs do volante, apoiou a cabea no encosto de couro e fechou os olhos.
Inalou profundamente, o semblante entusiasmado.
- Sinta este cheiro. Carro novo. Nada no mundo se compara a um carro novo.
Rindo, Mack circulou o veculo e entrou do lado de passageiro.
- Ento, voc gosta do carro?
- Se gosto? - ela se recostou no banco com um suspiro dramtico -  maravilhoso.
Ele tirou as chaves do bolso e ofereceu-lhe.
- Experimente.
- De jeito nenhum. E se eu estrag-lo?
- No se preocupe. Est no seguro - Mack colocou a chave na mo dela - Vamos. Experimente.
Mordiscando o lbio, Addy olhou para a chave na mo.
- Tudo bem. Mas se eu bater, a culpa  sua. Ela ligou o motor, ento parou, o corpo trmulo.
- Oh, meu Deus. No sei se posso agentar isso.
- Agentar o qu?
- O motor pegou na primeira tentativa. Rindo, Mack ajustou o cinto de segurana.
- Suponho que o tren no pegava. Ela virou a cabea para olh-lo.
- Eu tinha sorte quando pegava depois de muitas tentativas.
- Bem, voc no ter de se preocupar mais com isso - ele a assegurou.
Addy riu.
- Sim, certo. O tren tem de durar mais uns dois anos, no mnimo.
Mack cobriu-lhe a mo com a sua.
- Este carro  seu, Addy. Ela empalideceu.
- Meu?
- Sim, seu - replicou ele rindo.
Addy desligou o motor e meneou a cabea.
- No posso aceitar uma coisa dessas.
- Por que no? Voc precisa de alguma coisa para dirigir.
- Bem, sim. Mas tenho meu tren.
- O qual est em Dallas - ele a relembrou. Ela abriu os braos, indicando o carro.
- Mas no tenho condies de sustentar um carro como este.
-  claro que tem. Eu lhe disse, sou um homem rico.
- Voc pode ser, mas eu no sou.
- Voc  minha esposa - insistiu Mack - O que  meu,  seu.
Com olhos arregalados, Addy engoliu em seco.
- Voc est me... dando isso de presente?
-  o que parece - sorrindo, ele alcanou a chave e virou-a - Agora, que tal nos levar para um passeio?

Mais tarde naquela noite, Addy estava deitada na cama, ouvindo os sons que vinham do quarto do beb. O barulhinho de madeira da cadeira de balano, a voz baixa e
rouca de Mack enquanto conversava com Johnny. A qualquer minuto agora, sabia que ele o traria para mamar. Poderia facilmente se levantar e poupar-lhe a viagem, mas
detestava priv-lo daquele momento com Johnny Mack, o qual ele parecia apreciar tanto.
Ento, permaneceu l, esperando e refletindo sobre as coisas que tinham acontecido naquele dia.
Ainda no podia acreditar que Mack lhe comprara um carro. E no apenas qualquer carro, pensou com um tremor de excitao. Um Lexus SUV. Como ele sabia que aquele
era o veculo de seus sonhos? Para Addy, era o carro perfeito para uma me. Luxuoso o bastante para satisfazer as necessidades de extravagncia de uma mulher, e
ainda espaoso e forte o suficiente para enfrentar poas de gua e estradas de terra. Era o carro perfeito para uma famlia.
Famlia?
Olhou para o teto, considerando. Mas era exatamente assim que comeava a pensar neles, percebeu. Uma famlia. Sabia que era errado consider-los uma famlia. Este
no era o arranjo que tinha feito com Mack. Ele lhe oferecera um casamento de convenincia, sem obrigaes sexuais ou emocionais. Ento, por que se permitia v-los
como uma famlia, quando estava claro que no era isso que Mack pretendera com sua proposta?
Pensativa, olhou em direo ao quarto de seu filho. No podia ver Mack e o beb, mas podia ouvi-los, e sabia que estavam no escuro. Ele pensava nos trs como uma
famlia?, perguntou-se. Era obviamente louco por Johnny Mack, passando todo tempo que podia ao lado do filho adotado. E em relao a Addy, era generoso e tinha muita
considerao, mas raramente a tocava. No como um marido tocaria uma esposa. Tratava-a mais como... uma irm, ou talvez uma amiga ntima.
Voc devia estar cumprindo seu dever como esposa de Mack, no dormindo no quarto, sozinha.
Um calor subiu-lhe pelo pescoo quando se lembrou do comentrio de Zadie. O que dera na mulher para dizer uma coisa daquelas? Certamente, sabia que o casamento deles
no era de verdade, no no sentido tradicional. Como poderia no saber? Mack e Addy tinham sido estranhos antes de ele ir a Dallas. E se casaram em menos de 48 horas
depois de se conhecerem! Estranhos no se casavam por amor... o tipo de sentimento que crescia com o tempo. E Addy no dormiria com um homem que no amasse... ou
pelo menos no que achasse que estava apaixonada.
E dever? Ela fez uma careta. Jamais dormiria com um homem por dever. Teria de haver algo mais forte antes de considerar se entregar. Teria de sentir alguma coisa
por ele, uma emoo, uma conexo de algum tipo.
A cadeira de balano parou e ela reprimiu os pensamentos, sabendo que Mack traria o beb. Ouvindo os passos no tapete, sentou-se na cama e estendeu os braos.
- Ele est com fome? - perguntou, forando um sorriso.
Mack inclinou-se para dar-lhe o beb.
- Muita. Addy olhou para  filho, ajeitou a camisola e posicionou-o.
- Ele est ficando forte como um tourinho. Bocejando, Mack estendeu o corpo aos ps da cama.
- Ele definitivamente est engordando.
- Acho que j ganhou mais de um quilo e meio.
- Bill pode nos dizer isso com certeza quando o levarmos  consulta amanh - disse Mack.
Ela o fitou em surpresa.
- Voc marcou hora no mdico para Johnny Mack?
- Sim. Vi Bill esta tarde na cidade, e ele disse que poderamos lev-lo por volta de meio-dia, se no tiver problema para voc.
Ela olhou para o beb e engoliu em seco, sabendo que ele receberia suas primeiras vacinas, e temendo por ele.
- Ele no vai machuc-lo, vai? Mack riu.
- Bill cuida de bebs h anos. Sabe o que est fazendo.
Ela cobriu as perninhas do filho com a manta.
- Eu sei.  s que...
- Ele  seu beb - terminou Mack por ela. Addy o olhou, envergonhada.
- Voc deve pensar que sou uma daquelas mes superprotetoras.
- No, acho que voc  uma me que ama muito o filho. No h nada de errado com isso.
Ela comeou a responder, mas sentiu uma forte cimbra no p.
- Ai - exclamou e ergueu o joelho.
Com o beb nos braos, era impossvel alcanar o p, ento liberou a perna das cobertas e flexionou os dedos.
- Estou com cibra.
- Aqui, deixe-me ver.
Mack pegou-lhe o p entre as mos, pressionou o polegar no arco e comeou a massage-lo. Aps alguns minutos, a cimbra comeou a passar.
- Melhor? - perguntou ele.
- Sim - murmurou Addy aliviada - Obrigada.
Ele apoiou-se sobre o cotovelo de novo, mas manteve uma das mos em volta do p dela, os dedos traando carcias circulares.
Mack no parecia consciente de sua ao, mas Addy estava. Um calor irradiou-se por sua perna, chegando ao estmago.
Sabia que deveria quebrar o contato, mas no podia. Os movimentos suaves dos dedos dele eram sensuais, erticos. O calor que havia se instalado no estmago de Addy
era maravilhoso e foi se espalhando devagar pelo corpo inteiro. Estava excitada, percebeu, perplexa que Mack pudesse deix-la em tal estado com uma simples massagem
no p.
Ela roubou-lhe um olhar e agradeceu que a escurido o impedia de ver seu rosto, e possivelmente saber seus pensamentos. Sabia que era loucura, mas o desejo de fazer
amor com Mack estava em sua mente, um desejo que parecia consumi-la.
- Podemos almoar fora depois da consulta com Bill - sugeriu Mack, continuando a conversa - Isso lhe daria a oportunidade de ver um pouco mais de Lampasas.
Addy perguntou-se como ele poderia falar de algo to mundano quanto um almoo, quando tudo que ela podia pensar era em despi-lo. Ele no sentia o que ela estava
sentindo? No queria o que ela queria? Como poderia no querer, quando Addy precisava daquilo quase tanto quanto precisava respirar?
Porque Mack no se sentia atrado por ela,
A resposta era to bvia e humilhante que foi como receber um balde de gua fria sobre o rosto.
E por que se sentiria atrado?, perguntou-se com tristeza. Ela tinha acabado de parir, ainda precisava perder uns cinco quilos, os seios estavam grandes e inchados,
e seu aroma devia ser de colnia de beb. Que homem em seu juzo perfeito sentiria atrao por uma mulher assim?
Desanimada, afastou o p da mo de Mack e ergueu o beb no ombro para que ele arrotasse.
- No sei - respondeu finalmente - Talvez devssemos esperar e ver como Johnny Mack se sente depois das vacinas.

Bill apareceu na sala de espera do consultrio mdico e acenou-lhes. Uma vez que Mack carregava o beb, Addy pegou a sacola de Johnny Mack e sua bolsa e o seguiu.
Quando entrou na sala de exames, Bill j estava com o beb no colo, e olhou para cima.
- Ol, Addy. Como tem passado?
O sorriso caloroso do pediatra a deixou  vontade de imediato.
- Bem, obrigada.
- Voc j fez o seu check-up?
Ela meneou a cabea.
- No. Pensei em ir a Dallas para consultar meu prprio mdico.
- Por que esperar? - Bill tirou o interfone de parede do gancho.
- Oh, no - comeou Addy, apavorada com a idia de ser examinada por um estranho - No  necess...
Bill ergueu um dedo.
- Ei, Sally - falou ao interfone - Mack e Addy esto aqui com o beb. Acha que Kathy pode fazer o exame ps-parto de Addy? - ele ouviu por um momento, ento assentiu
- timo. Eu a encaminharei.
Desligando, voltou-se para Addy.
- Kathy  minha esposa, e uma excelente ginecologista. Ela pode atend-la imediatamente, se voc se apressar - com o beb aninhado nos braos, ele abriu a porta
e apontou para o fundo do corredor - E a ltima porta. Diga a Sally, a recepcionista, que voc  Addy e ela ir encaix-la.
- Mas e quanto a Johnny Mack? - Addy olhou para Mack - No posso deix-lo.
Mack colocou uma mo sobre as costas dela e conduziu-a para o corredor.
- No se preocupe com Johnny Mack. Ficarei aqui com ele.
- Mas, Mack...
-  melhor se apressar - aconselhou Bill - Kathy tem uma agenda cheia. E quando se atrasa muito fica de mau-humor.
Antes que Addy pudesse argumentar, a porta se fechou em seu rosto.

Depois de seu exame fsico, Addy seguiu Sally para o consultrio da mdica, pensando que ter uma ginecologista mulher no era uma m idia. Sentira-se muito mais
confortvel sendo examinada por uma mulher do que j tinha se sentido com dr. Wharton.
Assim que se sentou, a porta se abriu e Kathy entrou.
- Voc est tima - anunciou, acomodando-se atrs da mesa e na frente de Addy - Os pontos dissolveram e a inciso cicatrizou bem - ela abriu o arquivo que a enfermeira
deixara sobre a mesa e olhou os resultados do exame de laboratrio - A contagem de globos sangneos est boa e o nvel de ferro mais do que suficiente - fechando
o arquivo, sorriu - Eu diria que voc est pronta para o prazer.
Addy piscou.
- Perdo?
Rindo, Kathy recostou-se.
- Desculpe-me. Vou explicar. Voc pode reassumir suas atividades sexuais.
Um calor subiu pelo pescoo de Addy.
- Oh. Bem... Uh... Mack e eu... Voc sabe... Kathy fez o possvel para esconder um sorriso.
- No estou dizendo que voc tem de fazer sexo esta noite. Estou somente informando-a de que est fisicamente pronta, caso a situao se apresente.
Se possvel, o rosto de Addy esquentou ainda mais.
- Sim. Claro.
Sorrindo abertamente agora, Kathy levantou-se e estendeu a mo.
- Foi um prazer conhec-la, Addy. Voc  tudo que Mack falou e ainda mais.
Addy engoliu em seco.
- Mack falou sobre mim a voc?
Kathy rodeou a mesa e a escoltou at a porta.
- No diretamente. Mas Mack e Bill so amigos desde que eram crianas. Se algo acontece na vida de um deles, o outro fica sabendo - ela parou  porta e deu de ombros
- E o que Bill sabe, eu sei. Meu marido no guardaria um segredo nem que sua vida dependesse disso - dando uma boa olhada em Addy, assentiu - E tenho de concordar.
Voc  perfeita.

Voc  perfeita.
Addy repetiu o comentrio de Kathy em sua cabea enquanto dobrava as roupas que Mary tinha lavado, tentando entender o que a mdica quisera dizer. Uma vez que Kathy
confessara que Bill lhe contava tudo, tinha de assumir que o "Eu concordo" significava que Kathy concordava com Bill. Mack teria dito isso a Bill?, perguntou-se
incerta.
- Como ele est se sentindo?
Ao som da voz de Mack, Addy virou-se para encontr-lo na soleira da porta. De forma espontnea, um outro comentrio de Kathy lhe veio  mente: "Voc est fisicamente
pronta."
Mortificada por pensar sobre isso, virou a cabea, rezando para que suas faces no estivessem to vermelhas quanto as sentia.
- Bem - murmurou, tentando manter a voz neutra - Ele no teve febre ou chorou.
Mack atravessou o cmodo para espirar o quarto de beb, onde Johnny dormia. Com o corao disparado no peito, Addy o observou de canto de olho, perguntando-se por
que, cada vez mais, seus pensamentos se voltavam para sexo toda vez que ele estava por perto. Seis meses atrs no o teria olhado uma segunda vez. Homens mais velhos
nunca a tinham atrado, e Mack era quase dez anos mais velho que ela. Addy sempre gostara de homens altos e magros, e, embora Mack fosse bem alto, definitivamente
no era magro. Era mais do tipo musculoso. Alm disso, desde o primeiro dia, fora insuportavelmente mando, sempre lhe dizendo o que fazer.
Mack virou-se do quarto de beb e ela rapidamente comeou a dobrar as roupas, a fim de no revelar sua expresso.
- Parece que Johnny Mack no teve reaes s vacinas - comentou ele e moveu-se para parar ao lado dela.
- , parece que no.
Ele pegou um babador e alisou o ursinho aplicado na frente.
- Voc gostou de almoar na cidade ontem? Addy o fitou, surpresa pela pergunta, uma vez que j tinha lhe dito que sim, assim como agradecido pela refeio.
- Sim. Eu lhe disse que gostei.
Assentindo, ele largou o babador e pegou uma botinha, enfiando dois dedos nela.
- O que acha de Lampasas?
Enquanto conversava, Mack no a olhava, o que Addy achou bastante estranho. Manteve os olhos na botinha do beb, movimentando-a com os dedos.
-  uma cidade bonita - replicou ela - Muito menor do que Dallas, mas cidades pequenas tm seu prprio charme - incapaz de agentar a curiosidade, indagou: - Por
que todas essas perguntas?
Dando de ombros, ele jogou a botinha de novo na cesta e se virou.
- Nenhuma razo em particular. Apenas curiosidade.
Addy o observou partindo, confusa pelas perguntas, assim como pela bvia relutncia de Mack em encontrar seu olhar.
Aquilo era hormonal.
Addy chegou a esta concluso durante a noite, enquanto no conseguia dormir. Era a nica explicao para a sbita atrao que vinha sentindo por Mack. Sabia que
mudanas hormonais eram comuns em mulheres grvidas, tanto durante quanto depois da gravidez. Havia experimentado algumas enquanto carregava Johnny Mack no ventre.
A vontade repentina e inexplicvel de chorar, as ondas de frio seguidas por estranhas ondas de calor.
Hormnios, pensou decidida. S podia ser isso.
Roubou um olhar de Mack, que estava sentado  mesa do lado oposto, a ateno no jornal dobrado ao lado do prato. Ele mal reconhecera sua presena durante o caf-da-manh,
mantendo o olhar fixo no jornal enquanto fazia a refeio.
Addy comeu um pedao da panqueca. No era justo, pensou. Por que, bem agora que vinha se sentindo to atrada por ele, o interesse de Mack parecia diminuir a cada
dia?
No que ele j tivesse se interessado, disse a si mesma. Mas pelo menos, costumava ser mais atencioso, mais amigvel. Fazendo-lhe companhia de madrugada enquanto
alimentava o beb. Assistindo tev a seu lado. Levando-a ao estbulo para ver seus cavalos ou ao pasto para ver o gado.
Roubou-lhe outro olhar e sentiu a agora familiar onda de desejo. As mechas grisalhas ao redor das tmporas de Mack eram muito sexies. E as pequenas rugas que se
formavam ao redor dos olhos quando se concentrava acrescentavam um ar de sofisticao ao rosto j bonito. E aquele peito... Addy cobriu a boca com o guardanapo a
fim de reprimir um gemido, imaginando como seria a sensao daquele peito nu sob suas mos, pressionado contra seus seios.
- Sr. Mack?
Ao som da voz de Zadie, Addy tirou o guardanapo da boca e colocou-o no colo.
- Sim? - respondeu Mack, ainda olhando para o jornal.
- Precisarei de alguns dias de folga.
Ele ergueu a cabea para olh-la, o cenho franzido.
- Algum problema?
-  minha irm Mabel. O filho dela acabou de ligar. Disse que Mabel quebrou a perna ontem  noite.
Mack largou o jornal, dando-lhe total ateno agora.
- Sinto muito. Ela vai ficar bem? Zadie assentiu.
- Ela teve de colocar um pino na perna. A cirurgia foi feita esta manh. Mas preciso cuidar de minha irm. Certificar-me de que no se exceda nas tarefas.
Mack assentiu.
- Fique quanto tempo precisar. Precisa que eu a leve?
- Obrigada, mas posso dirigir. Apenas detesto a idia de abandon-lo to de repente. Se eu soubesse, teria feito diversos pratos e deixado-os no congelador.
Mack olhou para Addy.
- Tenho certeza que Addy no se importar de cozinhar por alguns dias. Addy sorriu, adorando a sugesto.
- De maneira alguma. Amo cozinhar.
- Suponho que ela possa fazer isso - murmurou Zadie duvidosa - Posso deixar algumas receitas para a sra. Addy.
Mack se levantou e colocou uma mo sobre o ombro de Zadie.
- No se preocupe conosco.  com Mabel que precisa se preocupar agora. Addy cuidar para que no morramos de fome.

Addy parou diante do espelho do banheiro, nua como no dia em que nascera, estudando seu corpo. O rosto parecia mais magro, decidiu, a cintura mais definida, o estmago
quase to reto quanto antes de engravidar. Olhou para os seios. Estavam definitivamente maiores do que tinham sido um dia, mas haviam perdido o inchao e pareciam
quase... normais.
Aliviada, aproximou-se do espelho para examinar o rosto, e passou um dedo sobre uma das faces, onde uma pequena mancha de gravidez aparecera meses atrs. Ficou satisfeita
ao descobrir que a mancha praticamente sumira, e sabia que, com uma maquiagem leve, nem seria notada.
Dando um passo atrs, baixou o olhar para o abdome e viu algumas marcas de estria. Recuando, traou um dedo sobre a mais bvia, que ficava ao longo da linha do biquni,
ento riu. Como se fosse usar um biquni, depois da gravidez ou no.
Dizendo a si mesma que algumas estrias eram um pequeno pagamento pelo presente que era seu filho, entrou na banheira e provou a gua morna. Alinhado ao longo da
extremidade da banheira, havia tudo que precisava para ficar bonita, ou, no mnimo, apresentvel. Uma gilete para se depilar, mscara de abacate para o rosto, leos
para perfumar o corpo, sais de banho para ajud-la a relaxar. Franzindo o cenho, espirrou generosamente os sais sobre a gua, sabendo que precisaria de toda ajuda
que pudesse obter no departamento de relaxamento.
Como descobriu, planejar uma seduo deixava qualquer mulher nervosa.
A idia de seduzir Mack surgira logo aps a partida de Mary, s cinco horas, e com a percepo de que, com Mary fora pelo restante do dia e Zadie em Austin cuidando
da irm, Addy e Mack passariam a noite sozinhos pela primeira vez,  exceo de Johnny Mack,  claro, mas ele j estava dormindo e provavelmente dormiria at a manh
seguinte.
Embora a idia tivesse surgido como uma inspirao divina, ela no a abraara imediatamente. Refletira muito, temendo que Mack no a achasse fisicamente atraente.
Todavia, aps alguns momentos de dvida, decidira no se preocupar com o que a maquiagem e as velas fossem incapazes de esconder. Mack a aceitaria como era ou no.
Correria o risco.
Ignorando o tremor nos dedos, passou a mscara sobre o rosto e deixou o produto agir enquanto raspava os plos das pernas. A seguir, esfregou o corpo todo com uma
esponja embebida em leo, seguido de xampu e condicionador para os cabelos.
Quando seus cabelos estavam limpos e a pele sedutoramente perfumada, saiu da banheira. Aps se enxugar, lembrou-se que no tinha levado as roupas que vestiria para
o banheiro.
Com um suspiro de resignao, enrolou a toalha no corpo e abriu a porta. No meio do caminho para o quarto, ouviu um barulho, olhou por sobre o ombro e encontrou
Mack saindo do quarto do beb. O corao disparou violentamente no peito. Olhou para o closet, ento de volta para o banheiro, mentalmente calculando a distncia
para cada um... e percebeu que no chegaria em nenhum dos dois lugares sem ser vista.
Usando uma toalha em volta do corpo, os cabelos soltos e pingando sobre os ombros, o rosto sem a maquiagem que ainda pretendia aplicar, Addy pde ver seus planos
de seduo indo por gua abaixo.
Mack se virou.
- Ei - disse, sorrindo - Eu ia... - ele parou, o sorriso se derretendo quando a olhou - Voc est usando uma toalha - observou, ento, fitou-lhe o rosto.
Addy ergueu o queixo, recusando-se a mostrar seu embarao.
- Esqueci de levar as roupas para o banheiro.
Ele olhou para a toalha e contraiu os msculos do rosto. Quando ergueu os olhos para encontrar os dela novamente, Addy podia jurar que via um calor queimando ali.
Rezando para que no o estivesse lendo errado, respirou profundamente... e deixou cair a toalha.


CAPTULO SEIS

Somente aps a toalha cair no cho Addy lembrou-se da luz de velas e do fato que estivera contanto com isso, assim como com a maquiagem, para esconder alguns defeitos
de seu corpo. Felizmente, a luz do teto estava apagada e apenas o abajur sobre o criado-mudo iluminava o cmodo. Luz suficiente para Mack ver cada imperfeio, se
olhasse bem de perto.
O que estava definitivamente fazendo.
No momento, os olhos azuis descansavam em seus seios. Embora Addy tivesse vontade de agarrar a toalha e sair correndo, endireitou os ombros e ergueu o queixo.
Ouviu o que pensou ser um gemido vindo de Mack, e um tremor percorreu-lhe a coluna. Ento, forou-se a dar o primeiro passo.
Ele olhou para seu rosto.
- Addy...
Sem responder, ela parou diante dele e colocou a mo no peito largo. Sentiu-o tremer sob seu toque, e sentiu as batidas fortes do corao de Mack.
- Voc sabe o que est fazendo? - perguntou ele, encarando-a.
Addy assentiu.
- Sim.
Ele respirou profundamente, ento soltou o ar devagar, enquanto a olhava.
- Voc tem exatamente dois segundos para mudar de idia.
Ela arqueou a sobrancelha em desafio.
- E seu eu no mudar?
- Um... dois.
Antes que ela tivesse tempo de respirar, a boca de Mack cobriu a sua, com fervor, exigente, enquanto os braos fortes a envolviam. Ela sentiu o desejo dele, provou-o,
mesmo enquanto uma parte de sua mente se maravilhava pelo fato de ter o poder de evocar aquele nvel de emoo em um homem.
As mos fortes e grandes queimavam nas costas de Addy, produzindo uma sensao deliciosa, enquanto ele pressionava o corpo dela contra o seu. Ela sentiu o sexo ereto
contra o abdome, o calor que se espalhava em ondas pelo seu corpo, e perguntou-se por que tinha esperado tanto para seduzi-lo.
Mack beijava maravilhosamente bem. Addy estava surpresa que ainda tinha a presena da mente para formar o pensamento. Os lbios dele eram possessivos, exigentes,
assim como as mos que lhe acariciavam as costas, puxando-a para mais perto. Quando Addy comeou a ficar totalmente sem flego, e os joelhos enfraqueceram, Mack
amenizou o ritmo do beijo, a impacincia dando lugar a uma explorao sensual, a qual no era menos excitante.
O desejo de toc-lo, de acariciar-lhe a pele nua, como ele estava fazendo com a sua, era muito forte para ser ignorado por mais tempo.
- Suas roupas - sussurrou ela sem flego, e alcanou os botes da camisa.
Mack afastou-se um pouquinho para lhe dar acesso, mas continuou abraando-a pela cintura, pressionando o sexo poderoso contra ela. Addy tinha aberto trs botes
quando sentiu o olhar dele. Ergueu os olhos para encontr-lo estudando-a, a expresso... curiosa? Inquisitiva? Confusa?
Insegura, parou as mos, temendo que tivesse feito alguma coisa errada.
- O que foi?
Ele meneou a cabea e, em seguida, inclinou-a e lhe mordiscou o pescoo.
- Nada.
Embora a resposta de Mack no tivesse acalmado as dvidas que, de repente, preenchiam a mente de Addy, a boca dele fez isso, enquanto beijava-lhe sensualmente do
pescoo at o queixo. Sem flego, ela abriu as mos sobre o peito largo, tanto para firmar-se quanto para satisfazer sua necessidade de toc-lo. Sob as palmas, sentiu
fora e calor, enquanto acariciava os ombros largos no processo de tirar-lhe a camisa.
Com um gemido, Mack segurou-lhe as ndegas e lhe tirou os ps do cho.
- Cama - murmurou.
O pedido era uma simples palavra, no deixando dvida na mente de Addy de seu significado, dos desejos dele. Antes que pudesse lhe dizer que era isso queria desde
o princpio, ele a pegou nos braos.
Colocando-a na cama com gentileza, comeou a se despir imediatamente.
Deitada de costas, Addy assistiu enquanto ele removia as botas e a cala jeans. E quando Mack endireitou o corpo, ela no foi capaz de desviar os olhos do membro
poderoso entre as pernas. No queria comparar. Isso parecia to mesquinho, to infantil. Mas no pde evitar notar que ele era bem melhor equipado do que Ty. Engolindo
em seco, ergueu os olhos para fit-lo.
Olhando-a fixamente, Mack colocou um dos joelhos sobre o colcho e estendeu o corpo sobre o dela, cobrindo-lhe a boca com a sua novamente. O corpo msculo era como
um cobertor, quente e confortvel, o beijo to carinhoso, to gentil que levou lgrimas aos olhos de Addy.
Ele levantou a cabea, afastou os cabelos dela do rosto e ento viu as lgrimas.
- Tudo bem fazermos isso, certo? - perguntou hesitante.
Ela engoliu em seco e assentiu.
- De acordo com Kathy, estou pronta para o prazer.
Ele riu e deitou-se de costas a seu lado.
- Este tipo de comentrio  tpico de Kathy.
Addy sentiu um momento de pnico, temendo que, de alguma maneira, tivesse arruinado o momento falando sobre Kathy. Mas ento, Mack olhou para seus seios e ficou
srio novamente. Virou-se de lado e pegou uma dos seios na mo, o semblante suave e terno.
- Toda vez que eu a via alimentar Johnny Mack, ficava imaginando como seriam seus seios, assim como a sensao de toc-los - ele circulou o mamilo com o polegar,
ento se inclinou para prov-lo com a lngua - Que gosto teriam.
Ondas de desejo arrepiaram a pele de Addy com o toque da lngua, e seus seios enrijeceram ainda mais. Tremendo, uniu os joelhos, sentindo que ia se despedaar a
qualquer momento.
Ele olhou para cima, e ela viu que o calor tinha retornado aos olhos de Mack. Mantendo-a no lugar somente com seu olhar, ele apoiou-se sobre um cotovelo e beijou-a.
Um tremor a percorreu quando Mack passou um brao por trs de seu pescoo e puxou-a para cima de seu corpo, segurando-lhe o rosto entre as duas mos. Certa de que
ele pretendia enlouquec-la antes de fazer amor, ela mordiscou-lhe o lbio impacientemente.
A resposta de Mack foi lhe segurar as ndegas com firmeza, pressionando-a contra si. Inseriu a lngua entre seus lbios e comeou uma explorao oral que a deixou
completamente em chamas. Nunca na vida tinha experimentado uma coisa assim, pensou desesperada. Nunca com tanta urgncia, tanta necessidade.
- Eu quero voc - sussurrou, pressionando-se contra ele.
Mack afastou-se para fit-la, a expresso incerta.
- No quero machuc-la.
- Voc no vai me machucar - ela o assegurou, enquanto deslizava a mo entre os dois corpos e o guiava para dentro de si. A ponta da ereo deslizou pela abertura
e Addy quase chorou de frustrao.
- Mack, por favor.
Ele apertou as mos em suas ndegas.
- Calma - murmurou - Vamos fazer isso devagar.
Ela meneou a cabea.
- No. Por favor. Agora.
Apesar de sua demanda por urgncia, Mack a penetrou lentamente, centmetro por centmetro. O tremor das mos fortes em seus quadris, e das pernas contra as suas,
disse a Addy o quanto a conteno custava a ele. Mesmo que se sentisse tocada pela preocupao de Mack, ela no queria aquilo devagar. O que queria, o que precisava
era dele.
Posicionando-se de joelhos, prendeu-lhe os quadris com as pernas.
- Voc no pode me machucar - repetiu, quando baixou os quadris para encontrar o sexo potente. Conseguindo o que queria, jogou a cabea para trs com um gemido,
glorificando-se no prazer sensual de ser preenchida completamente. Aps um momento, comeou a se movimentar para frente e para trs, absorvendo cada sensao, enquanto
a presso se construa em seu interior.
Sentiu a mudana no corpo de Mack, mesmo quando seu prprio corpo se preparava. A juno dos msculos, o tremor da pele, os dedos msculos se enterrando quase com
desespero em suas ndegas. Querendo, precisando compartilhar aquela incrvel experincia com ele, Addy colocou as mos no peito largo e inclinou os quadris para
trs, contra o membro poderoso. Ento ficou ali, no pico do prazer, a cabea para trs, os pulmes quase sem ar, aceitando o presente da paixo de Mack, enquanto
os dois atingiam, juntos, um orgasmo incrivelmente maravilhoso.
At aquele momento, Addy nunca entendera verdadeiramente o significado de xtase, o que era experiment-lo de primeira mo. Mas agora sabia. A intensidade do prazer
era tamanha, que cegava, libertava, enfeitiava.
Respirou profundamente, prendeu o ar por um momento, ento abriu os olhos e liberou-o num suspiro... e encontrou Mack observando-a, os olhos azuis suaves e translcidos.
O rosto dele estava mido de suor, uma barba por fazer sombreava o maxilar. Encarando-a, estendeu a mo para acariciar-lhe a barriga e um sorriso suave curvou-lhe
os lbios.
Addy tencionou, lembrando-se das estrias ao longo da rea do biquni. Desejando que pudesse desaparecer, ou no mnimo apagar a luz do abajur, colocou a mo sobre
o estmago, tentando esconder as marcas.
- No faa isso - murmurou ele gentilmente - Isso no  nada de que deva se envergonhar.
Como se para provar o que dissera, apoiou-se sobre um cotovelo, ento abaixou a cabea para pressionar um beijo contra a marca. Erguendo a cabea, beijou-a, enquanto
alisava a marca com o polegar.
- Esta  a medalha da maternidade. Use-a com orgulho.
O corao de Addy pareceu parar por um momento, ento disparou contra as costelas. Estava se apaixonando por ele, percebeu. Como podia sentir menos por um homem
que falava coisas to doces, e obviamente era sincero?
Antes que tivesse tempo de absorver a idia, Mack pegou-lhe os braos e puxou-a para seu peito. Com os rostos apenas a centmetros do seu, estudou-lhe a expresso.
- Addy - murmurou antes de beij-la. O beijo foi to carinhoso, to incrivelmente doce, que levou lgrimas aos olhos de Addy.
Afastando-se, usou o polegar para secar-lhe os clios.
- Ei - murmurou suavemente - Por que as lgrimas?
Ela engoliu em seco e meneou a cabea.
- Eu... no sei.
- Eu no machuquei voc, machuquei?
Addy meneou a cabea de novo, depois enterrou o rosto no pescoo dele.
- No. Estou bem.
Segurando-lhe a nuca, Mack pressionou os lbios contra os cabelos dela.
- Arrependimentos? Ela riu.
- Como posso me arrepender de uma coisa que planejei?
Ele afastou-se para estudar-lhe o rosto.
- Voc planejou isso?
Percebendo que sua aparncia devia estar horrvel, ela tocou a mo nos cabelos e fez uma careta.
- Bem, no isso exatamente. Mas eu tinha tudo planejado. Luz de velas, msica suave, uma garrafa de vinho. Eu, totalmente irresistvel - Addy torceu o nariz - Infelizmente,
voc me pegou antes da transformao ser completada.
- Eu no sabia disso - Mack acariciou-lhe os cabelos - No pude resistir a voc - ergueu a cabea para tocar os lbios dela com os seus - Voc me tirou completamente
do cho - abaixando a cabea, roou-lhe o pescoo, ento respirou fundo - Que aroma  este que est usando?
Addy fechou os olhos e arqueou o pescoo, dando-lhe melhor acesso.
- Seduo. Pareceu-me apropriado.

Zadie teria um ataque se pudesse ver sua cozinha. Cascas de ovos estavam espalhadas sobre a pia, meio quilo de bacon estava empilhado ao lado do fogo, pronto para
ser adicionado  frigideira esquentando, e farinha cobria toda a superfcie da pia, assim como dos balces.
Mas Addy no se importava com a baguna que tinha feito. O que Zadie no podia ver no a incomodava, e Addy se divertia mais do que nunca.
Tinha passado uma noite inacreditvel com Mack na cama, fazendo amor, trocando carcias, e finalmente dormindo, apenas para acordar e fazer tudo de novo. E agora,
enquanto ele tomava banho, ela fazia o caf-da-manh, o que considerava a maneira perfeita de comemorar o que tinha sido uma noite inesquecvel.
E se estava se sentindo um pouco nervosa sobre encontr-lo  luz do dia, sups que isso era esperado. Uma coisa era fazer amor selvagem e apaixonado com um homem
no escuro, e uma outra bem diferente, sentar-se diante dele  mesa do caf-da-manh e compartilhar uma refeio que preparara, como se nada tivesse mudado entre
os dois.
- O aroma est delicioso.
Addy saltou, quase queimando a mo na frigideira, ento relaxou quando Mack chegou por trs, passou os braos ao redor de sua cintura e enterrou o nariz na curva
de seu pescoo.
- O meu aroma ou o da comida? - brincou ela.
Rindo, ele mordiscou-lhe o pescoo, ento moveu-se para o lado de Addy, mantendo um brao em sua cintura.
- Os dois. O que tem para o caf-da-manh?
- Biscoitos, omeletes e bacon. Com fome?
- Como um urso - ele lhe deu um tapinha de brincadeira na ndega e se virou - Johnny Mack continua dormindo - murmurou e foi para a geladeira. Servindo dois copos
de suco de laranja, levou um para ela. Deslizando a mo livre pela cintura delicada de novo, bebeu o suco, enquanto Addy fritava bacon.
Para Addy, a cena toda parecia significar famlia. E sentia-se to plena que temia explodir de felicidade.
- O que voc planejou para hoje? - perguntou ele.
Ela deu de ombros.
- Nada especial. Dobrar e guardar algumas roupas, talvez ajudar Mary a limpar a casa. E quanto a voc?
- Preciso ir  cidade cuidar de alguns negcios. Mais tarde, pensei que talvez pudssemos fazer alguma coisa. Somente ns dois. Aposto que Mary vai adorar a chance
de ficar cuidando de Johnny Mack.
Ela o fitou em surpresa.
- Voc quer dizer, como um encontro amoroso? Com um sorriso tmido, ele esfregou-lhe a nuca.
- Algo assim. Primeiro nos casamos, e depois fizemos amor. Parece que ao longo do caminho, pulamos um ou dois passos.

Addy passou uma insana quantidade de tempo agonizando sobre o que usar no seu "encontro" com Mack. No era como se precisasse impression-lo, disse a si mesma enquanto
vasculhava o closet pela terceira vez, procurando alguma coisa apropriada para vestir. Eleja a vira no seu pior estado mais vezes do que queria pensar, e no fugira
ainda, ento, que diferena fazia que roupa usaria?
Porque  seu primeiro encontro, lembrou a si mesma, e quero que tudo seja perfeito. Tirou um vestido de vero do armrio e colocou-o sobre o corpo enquanto atravessava
at a cama.
- O que voc acha? - perguntou para o beb, que estava sentado no carrinho ao lado da cama - Muito casual? Muito provocante?
Johnny Mack chutou os pezinhos no ar e riu, obviamente excitado com a ateno que estava recebendo.
- Ento voc acha que eu ficaria bonita neste vestido, certo? - rindo, ela abaixou-se para beijar-lhe o rosto - Est apenas dizendo isso porque sou sua me.
Endireitando o corpo, segurou o vestido  frente do corpo, estudando seu reflexo no espelho da cmoda.
- Tudo bem - concedeu - Vou us-lo - olhou para o beb e arqueou uma sobrancelha - Mas se Mack no gostar, a culpa  toda sua.
Em resposta, Johnny Mack soprou uma bolha de cuspe.
Rindo, Addy deu-lhe um outro beijo.
- Voc  fofo demais.
Addy cruzou e descruzou as pernas pela terceira vez desde que tinha sado de casa.
- Eu disse a Mary que deixei mamadeiras com o leite do meu seio na geladeira?
- Duas vezes - respondeu Mack pacientemente, ento estendeu o brao e acariciou-lhe a mo - Ele ficar bem. Mary tem quatro filhos, e sabe cuidar de um beb.
Ela mordiscou o lbio inferior.
- Mas os filhos dela so mais velhos, no so? Ela pode ter se esquecido que precisa aquecer a ma-madeira antes de dar a ele.
Meneando a cabea, Mack pegou o celular da cintura e ofereceu a ela.
- Ligue para Mary. Voc no conseguir relaxar at que faa isso.
Ela olhou para o telefone por um momento, ento empurrou a mo dele.
- No. Mary sabe como cuidar de um beb. Ele riu e guardou o celular de novo.
- Parece que j ouvi isso antes.
Addy fez uma careta, ento se virou para olhar pela janela de passageiro, observando o cenrio que passava.
- Aonde vamos? - perguntou, aps um momento.
- Austin. Pensei em lhe mostrar alguns pontos tursticos. Voc j viu o Capitol?
Ela meneou a cabea.
 No. No verdade, nunca estive em Austin, alm de passar pela cidade,  claro, mas isso no conta.
- Eu a levarei para um tour completo uma outra vez. Hoje s vamos aos pontos altos.
Os pontos altos, aparentemente, incluam passar de carro pela Sixth Street, o que, de acordo com Mack, era a verso de Austin da rua Bourbon de Nova Orleans. De
l, ele a levou para o Capitol e contou-lhe a histria de como alguns homens cheios de orgulho texano haviam planejado construir um prdio, sem violar nenhuma regra,
que superaria a altura do Capitol em Washington D.C., escolhendo um morro como local da construo. Depois, eles passearam a p por Lady Bird Johnson's Wildflower
Center, onde Mack insistiu em lhe comprar um enorme saco de sementes de tremoo azul que ela parou para admirar. Ento, um pouco mais tarde, ele alugou uma canoa
do lago Town, situado no corao de Austin, e deu-lhe uma perspectiva inteiramente nova da cidade, dessa vez da gua.
O sol estava comeando a se pr, tornando o horizonte vermelho como fogo, quando ele tirou o remo da gua, descansou-o ao lado da coxa, e deixou a canoa ser levada
pela corrente.
- Um dlar por seus pensamentos - provocou.
Mais relaxada do que j estivera em anos, Addy escondeu um sorriso quando inclinou-se para trilhar os dedos na gua.
- Eu aceitaria, se tivesse algum pensamento. Estendendo a mo, Mack puxou-a para sentar em seu colo.
Addy deu um gritinho e agarrou-lhe o pescoo quando a canoa inclinou-se perigosamente para um dos lados.
- O que est tentando fazer? - protestou - Afogar-nos?
Rindo, ele passou o brao ao redor da cintura dela.
- No. Apenas quero voc mais perto de mim. Ela derreteu-se com a resposta e sorriu, enquanto lhe afastava os cabelos despenteados do rosto.
- Voc poderia ter me chamado, sabe? E se eu casse?
Uma vez que o rosto de Mack estava no nvel dos seios dela, ele foi incapaz de resistir mordiscar-lhe o mamilo.
- Eu teria pulado na gua e a salvado.
Addy respirou fundo, ento soltou o ar com um tremor.
- Cuidado - avisou-o e pressionou a ponta do dedo contra o centro da testa dele, empurrando-o para trs - Existem leis contra apalpao em pblico.
- Aquilo no foi apalpao - olhando-a fixamente, ele deslizou a mo por baixo do vestido e massageou-lhe a coxa - Isso  apalpao.
Enquanto a acariciava, Mack tomou-lhe a boca com a sua, tirando-lhe o flego. O calor foi instantneo e abrasador.
- Mack - suplicou ela, respirando contra a boca dele - Voc no deveria. Algum pode ver.
Ele levantou-lhe o vestido at a cintura e moveu-a at posicion-la sobre seu colo de pernas abertas.
- Quem? - desafiou - No h ningum aqui, exceto eu e voc.
Addy deu uma olhada ao redor e descobriu que Mack tinha razo. Eles estavam realmente sozinhos. A canoa tinha ido para um estreito recesso nas bordas do lago, sob
grandes rvores que sombreavam o local. A distncia, luzes de estabelecimentos comerciais brilhavam do lado oposto do lago, mas a rea imediatamente ao redor deles
estava quase na escurido, criando uma atmosfera perfeita para amantes.
Mack puxou o lao do vestido que estava amarrado na altura dos seios dela, e pressionou os lbios no Vale que exps.
- J fez amor em uma canoa? - perguntou, enquanto traava a lngua sensualmente do vale entre os seios at o queixo de Addy.
Ela jogou a cabea para trs e fechou os olhos.
- No - respondeu sem flego - Acho que no.
Ele a beijou ardentemente.
- timo. Ento esta ser a primeira vez para ns dois.

Naquela noite, Addy estava deitada em posio fetal com Mack encaixado nas suas costas, a cabea apoiada em um dos braos dele, enquanto o outro descansava sobre
sua cintura. O encaixe era quase perfeito, e a paz que a envolvia era alm de qualquer coisa que j conhecera, que j imaginara.
Sups que deveria ser grata a Ty, embora preferisse cortar a lngua a lhe dizer isso. No fosse por Ty, ela nunca teria conhecido Mack.
Percebendo o quanto sua vida seria diferente sem Mack a seu lado, o quo vazia seria, entrelaou os dedos nos dele, sentindo conforto e segurana at mesmo na mais
leve conexo.
Ento era assim que uma pessoa apaixonada se sentia, pensou com um tremor. Olhou por sobre o ombro para o homem responsvel por toda sua felicidade. Ele parecia
to infantil, com os cabelos despenteados e o rosto relaxado no sono. To pacfico. Mack a amava?, perguntou-se incerta. Ele no tinha mencionado a palavra amor.
Mas ento, nem ela tinha.
Virando o rosto, voltou a coloc-lo sobre o travesseiro. No se apresse, disse a si mesma. Era como Mack dissera mais cedo naquele dia, quando a convidara para sair.
Eles haviam pulado alguns passos ao longo do caminho. De totais estranhos, tinham se casado, e depois, se tornado amantes. Agora precisavam de tempo para explorar
as possibilidades, para se conhecer, para ver onde seus sentimentos os levariam.
Engolindo em seco, cruzou os dedos e rezou silenciosamente para que Mack tambm descobrisse que estava apaixonado.
Johnny Mack chorou baixinho, e Addy afastou as cobertas, mas Mack apertou o brao em volta de sua cintura, impedindo-a de levantar.
Apoiou-se sobre o cotovelo e beijou-lhe o pescoo.
- Fique na cama. Eu vou l.
Embora estivesse mais acordada do que ele, Addy deitou-se e observou a sombra de Mack desaparecer no quarto do beb.
- Ei, amiguinho - ela o ouviu sussurrar para Johnny Mack - O que est fazendo acordado  essa hora?
Sorrindo, ela fechou os olhos, capaz de monitorar os movimentos dele pelos sons vindo do quarto anexo. O som metlico da grade do bero sendo abaixada o rudo da
cadeira de balano aceitando o corpo e Mack, a voz baixinha conversando com o beb.
Addy ouvia, sonolenta, sentindo-se to confortada pelo som da voz dele quanto Johnny Mack parecia se sentir.
Como seu filho tinha sorte por ter Mack, pensou, enquanto comeava a adormecer. Ela nunca tivera um pai para amenizar-lhe os medos ou balan-la at que dormisse.
Mas seu filho sempre teria Mack.


CAPITULO SETE

Mack estava sentado diante da mesa de seu advogado, escutando cuidadosamente enquanto Lenny explicava os requerimentos legais do pedido que ele fizera.
Quando Lenny terminou, Mack absorveu a informao por um momento, ento disse:
- Deixe-me ver se entendi corretamente. Voc prepara os documentos necessrios para Ty perder todos os direitos de paternidade, e, uma vez que ele assin-los, est
tudo resolvido? Johnny Mack  legalmente meu?
- Legalmente, ele j  seu. Os papis de adoo que preenchemos cuidaram disso. A recusa de Addy em nomear o pai na certido de nascimento simplificou o processo
- ele ergueu as mos - Mas uma vez que sabemos que Ty  o pai biolgico do beb, e estamos cientes da propenso dele em lhe causar problemas, a renncia dos direitos
paternos adicionais de proteo, caso ele decida desafiar a adoo um dia.
- Ento vamos fazer isso. No quero que Ty tenha nenhum direito legal sobre meu filho.
Lenny assentiu.
- Certo. Mas sinto que devo avis-lo. Isso lhe custar caro, e no estou falando sobre o pagamento dos meus servios. Ty usar esta oportunidade para tirar mais
dinheiro de voc.
Mack se levantou e ps o chapu, preparando-se para partir.
- Vamos deixar para nos preocupar com isso quando acontecer. O que precisamos agora  localizar Ty. Contrate um investigador particular. Ty geralmente deixa uma
trilha de destruio por onde passa, portanto, localiz-lo no deve ser to difcil.
- Est bem - Lenny se levantou e o seguiu para porta - Voc no mencionou Addy. Como vocs dois esto se dando?
Mack inclinou a cabea para esconder um sorriso.
- Bem. Muito bem.
Lenny olhou para o amigo de perto.
- No acredito - murmurou, ento riu e bateu nas costas de Mack - Quem pensaria que voc se apaixonaria de novo?

Zadie ficou fora por quatro dias, nove horas e vinte e dois minutos. Addy sabia porque apreciara cada segundo que passara na cozinha durante a ausncia dela. Mas
tal liberdade estava no fim, j que Zadie voltaria naquela tarde.
- Se esfregar mais esta pia, vai acabar furando-a - avisou Mary.
Com um suspiro, Addy largou o pano sobre a pia olhou ao redor da cozinha, procurando alguma coisa fora do lugar.
- A cozinha parece igual, no parece? - perguntou insegura - Coloquei tudo no lugar.
- Pare de se preocupar - ralhou Mary -  a sua cozinha, no a de Zadie. Voc pode pintar as paredes de vermelho, se quiser. No precisa da permisso dela.
- Sim, certo - disse Addy - Zadie me bateria com a vassoura se eu mudasse o pano de prato de lugar sem lhe pedir permisso.
Mary suspirou.
- No acredito que voc deixa a mulher acreditar que manda na casa. Voc  a chefe. A esposa do sr. Mack. Relembre-a disso e ela mudar de atitude.
- Voc acha mesmo? - perguntou Addy duvidosa.
- Tenho certeza.
- Eu no quero deix-la zangada. Gosto muito de Zadie - ela torceu o nariz - S no gostaria que fosse to possessiva com sua cozinha.
- Diga-lhe isso - aconselhou Mary - Ela dirige esta casa por tempo o bastante.
Addy endireitou os ombros.
- Tudo bem. Mas voc tem de me prometer uma coisa.
- O qu?
- Depois que eles me enterrarem, voc ter de Pintar as paredes de vermelho.
Mary riu.
- Estamos combinadas, garota.
Apesar de sua conversa corajosa, Addy deu uma boa olhada na cozinha, verificando se deixara tudo nos lugares apropriados.
Estava sentada na despensa, arrumando os enlatados numa prateleira, quando ouviu a porta de trs se abrir. Certa de que era Zadie retornando, ficou tentada a fechar
a porta e se esconder. Quase tremendo de medo, ouviu Zadie entrando na cozinha e depositando a mala no cho.
- Olhe isso - Zadie murmurou para si mesma.
- Algum deixou o pano de prato em cima da pia. Addy recuou, lembrando-se, tarde demais, que tinha esquecido de pr o pano de prato para secar em seu suporte.
- Ol, Zadie - disse Mary, entrando na cozinha.
- Como est Mabel?
- Bem, dentro do possvel.
- Por que no ficou com ela mais tempo?
- A filha de Mabel veio de Tyler para cuidar da me. Ainda bem. Tive de me matar limpando aquela casa. Juro que a mulher vive num chiqueiro. Precisei esfregar toda
a cozinha antes de cozinhar.
Mary passou pela despensa e ia fechando a porta quando viu Addy l dentro. Pressionou os lbios para reprimir uma risada e saiu andando, deixando uma fresta da porta
aberta.
- Imagino que o sr. Mack ficar feliz de me encontrar aqui - disse Zadie - O pobre homem deve estar passando fome.
Addy tencionou com o comentrio.
- Na verdade - replicou Mary em defesa de Addy - ele est comendo melhor do que nunca. Addy lhe prepara trs refeies ao dia.
Addy sorriu, um sorriso que desapareceu em seguida quando escutou Zadie bufar.
Decidindo que era mais do que hora de pr a cozinheira em seu lugar, abriu a porta da despensa e saiu.
- Ol, Zadie - murmurou em surpresa, como se no soubesse que ela retornara e no tivesse ouvido cada palavra daquela conversa - Como est Mabel?
Os olhos de Zadie se arregalaram, a expresso assustada.
- Uh... Ela est bem. Muito bem.
Sorrindo docemente, Addy encostou o quadril contra o balco e cruzou as mos sobre o peito.
- Fico feliz de saber disso. Ser servida o tempo todo cansa qualquer pessoa, aps um tempo.
- Sim - concordou Zadie - Imagino que sim. Addy olhou ao redor da cozinha, considerando.
- Sabe - comeou pensativa - estas paredes precisam de uma pintura nova.
Zadie inchou o peito em indignao.
- No h nada errado com estas paredes.
- No com as paredes em si - concordou Addy -  a cor que precisa ser mudada.
- No h nada errado com a cor, tambm.
- Mas so to... apagadas - ela olhou para Mary, que estava se esforando para conter uma risada - que acha, Mary? As paredes no precisam de uma cor mais alegre?
- Eu gosto de cores - concordou Mary, entrando no jogo - Trazem vida ao ambiente. Zadie parecia prestes a explodir.
- Este cmodo tem vida o bastante! No precisa de mais.
- De que cor voc gostaria de pintar, Addy? - incentivou Mary.
Addy comprimiu os lbios, fingindo estar pensativa.
- No sei. Alguma cor forte, vibrante. Talvez vermelho.
- Vermelho! - exclamou Zadie - No vai transformar minha cozinha numa casa de prostituio.
A porta dos fundos se abriu e Mack entrou.
- Ol, Zadie. Eu no a esperava de volta to cedo. Seja bem-vinda.
- Obrigada, sr. Mack - replicou ela e franziu o cenho para Addy - Parece que cheguei bem a tempo.
Ele ps o chapu sobre o balco e a fitou com curiosidade.
- A tempo de qu?
Zadie movimentou as mos no ar.
- De salvar a minha cozinha. Ela quer pint-la de vermelho.
Mack olhou para Addy.
- Vermelho?
Ela sorriu encabulada.
- Talvez no de vermelho. Mas acho que a cozinha deveria ser pintada.
Mack olhou ao redor do ambiente, considerando, ento assentiu.
- Voc tem razo. Talvez as paredes precisem de uma pintura nova. Avise-me quando decidir a cor, que contrato os pintores para fazer o servio - ele consultou o
relgio - Preciso dar alguns telefonemas - Parando diante de Addy, beijou-a nos lbios, e foi para a porta - Se alguma de vocs precisar de mim, estarei no escritrio.
Zadie ficou parada, a boca aberta, obviamente chocada pelo beijo que tinha acabado de testemunhar.
Addy arqueou uma sobrancelha.
- Algum problema?
A cozinheira deu de ombros.
- Bem, acho que no preciso perguntar quem est dormindo onde - murmurou - E eu aqui pensando que teria de trancar vocs dois no mesmo quarto at que entendessem
para que um homem e uma mulher foram criados.

Addy apoiou-se sobre um cotovelo e retirou algumas mechas de cabelo do rosto.
- E ento ela falou que temia que tivesse de nos trancar no mesmo quarto, de modo que pudssemos descobrir para que um homem e uma mulher foram criados.
Mack riu e abraou-a pela cintura.
- Ela provavelmente teria feito isso.
Addy aninhou-se a seu lado, deitando a cabea no peito dele.
- Isso  estranho.
- O qu?
- Ter algum morando na mesma casa que ns e sabendo o que estamos fazendo a cada segundo do dia, at mesmo onde estamos dormindo.
Uma risada reverberou no peito de Mack.
- No estamos fazendo nada ilegal.
- Eu sei, mas  horrvel. Faz eu me sentir como se estivesse sendo vigiada por uma cmera.
Ele deslizou os dedos preguiosamente na lateral do corpo de Addy.
- O apartamento de Zadie fica do outro lado da casa - relembrou-a.
- Ainda assim...
Rindo, ele rolou de lado e puxou-a para seus braos.
- Voc se sentiria melhor se eu mandasse construir um apartamento para ela, fora da casa?
Addy escondeu um sorriso, secretamente satisfeita que ele fosse to longe apenas para deix-la feliz.
- No, mas talvez voc deva considerar comprar-lhe tampes de ouvido.
Mack arqueou uma sobrancelha.
- Voc grita muito?
Ela desenhou um crculo no peito dele com a unha.
- Se devidamente estimulada.
- Uma vez que eu nunca a ouvi gritar, suponho que devo entender isso como um insulto.
Addy lhe lanou um olhar envergonhado.
- Ou um desafio.
Ele riu, ento a puxou para cima de si e lhe segurou as ndegas.
- Ningum gosta mais de um desafio do que eu.
Sorrindo, ela aproximou a boca da de Mack.
- Sorte sua. Por acaso, estou com vontade de gritar.

- Encontre-o em Houston - disse Lenny, ento virou o arquivo na mesa para que Mack pudesse ler - Ty est morando com uma mulher em um apartamento perto de Galleria,
h aproximadamente cinco meses.
Mack estudou a fotografia da moa loira de pernas longas andando na calada, de brao dado com Ty.
- Parece o tipo dele - comentou, ento virou o arquivo de volta para Lenny e recostou-se - Voc o contatou?
- Esta manh - Lenny meneou a cabea com tristeza - Dez horas da manh e o acordei de um sono profundo.
- Significa que ele est desempregado.
-  o que parece. O detetive particular disse que toda vez que ele sai do prdio, est acompanhado pela mulher.
- Ela  rica?
- Vive de uma herana deixada pelo av. Para si mesma, se for cuidadosa, nunca precisar trabalhar na vida.
Mack suspirou.
- Um ano, ou dois no mximo, e Ty acaba com o dinheiro dela. Lenny assentiu em concordncia.
- Se os hbitos passados de Ty forem alguma indicao, voc provavelmente est certo.
- Ento, quais so seus planos?
O advogado tirou um arquivo de sua gaveta.
- O documento est preparado e pronto para a assinatura dele. Combinei com um tabelio para encontrar voc no aeroporto de Houston, amanh, s trs da tarde, a fim
de testemunharem Ty assinando.
- Ele concordou em me encontrar? Lenny sorriu com ironia.
- O que voc acha? Tudo que tive de dizer foi a palavra paternidade e ele j estava procurando uma caneta.
Mack meneou a cabea.
- Ele nunca vai crescer.
- Oh, ele cresceu bastante - disse Lenny - Pena que o crebro no desenvolveu com o corpo.

Mack colocou sua bolsinha de artigos de toalete na mala e foi para o closet pegar uma camisa.
- Ser tudo muito simples - explicou para Addy - Dou a Ty o documento que Lenny preparou, ele assina, o tabelio carimba e tudo fica resolvido.
Tirando a camisa do cabide, andou de volta para a cama. Addy pegou-a da mo dele e dobrou-a cuidadosamente, o semblante preocupado.
- E isso  o fim de tudo? - perguntou insegura, enquanto guardava a camisa na mala - Ele nunca poder reivindicar seu direito de paternidade?
- No. Uma vez que assinar o documento, desiste de todos os direitos por nosso filho.
Addy pressionou uma mo sobre o corao, emocionada pelo fato de Mack se referir a Johnny MacK como filho deles. Reprimindo as lgrimas, estendeu a mo e entrelaou
os dedos nos dele.
- Voc ser cuidadoso, no ser?
Olhando-a fixamente, ele levou as mos unidas dos dois aos lbios e beijou a mo de Addy.
- Ty pode ter muitos defeitos, mas no  violento. Ele no vai me machucar.
Embora ela nunca tivesse visto nenhum sinal de violncia em Ty, no podia se livrar de um horrvel pressentimento que vinha sentindo desde que Mack retornara do
escritrio do advogado e lhe contara sobre seus planos de ir para Houston.
Forando um sorriso, apertou-lhe a mo antes de liber-la.
- Mesmo assim, tome cuidado. No quero que nada acontea a voc.
- Ficarei bem - ele fechou a mala e ergueu-a da cama.
Addy teve vontade de ajoelhar-se aos ps de Mack e pedir que no fosse.
- Voc realmente precisa ir esta noite? - perguntou, tentando pensar em uma maneira de adiar a viagem - No ir encontr-lo apenas amanh de tarde?
- No quero me arriscar a pegar trnsito ou ter algum problema com o carro que me impea de estar no aeroporto s trs.
- Mas voc poderia partir amanh cedo e certamente chegaria a tempo.
Meneando a cabea, Mack abraou-a de lado e conduziu-a para o quarto do beb.
- Pare de se preocupar. Vai dar tudo certo.
Ele liberou-a do abrao quando parou em frente ao bero e colocou a mala no cho. Lgrimas preencheram os olhos de Addy quando Mack se inclinou e alisou o rostinho
de seu filho.
- Seja um bom menino enquanto eu estiver fora - sussurrou para o beb adormecido - E cuide bem de sua me para mim - inclinou-se mais sobre o bero e beijou a testa
de Johnny Mack, ento endireitou o corpo e ficou admirando a criana
Aps um momento, pegou a mala do cho e circulou a cintura de Addy, conduzindo-a para fora do quarto.
- Se ele acordar de madrugada, tente cantar. Parece que ele gosta mais do estilo country. Dois versos de uma msica de George Strait geralmente o fazem dormir de
novo.
Mack parou  porta do que agora era o quarto deles e acariciou-lhe o rosto.
- Vamos nos despedir aqui - sugeriu - Se eu beij-la  porta da frente, Zadie pode querer um beijo, tambm.
Addy riu atravs das lgrimas, envolveu os braos ao redor do pescoo dele e abraou-o apertado.
- Fique seguro - sussurrou.
- Voc, tambm.
Ele a beijou, longa e profundamente, antes de se virar e partir.
- At amanh.
Quando Mack alcanou a curva do corredor que levava  frente da casa, um pnico a assolou.
- Mack! Espere! Ele parou e virou-se.
- Sim?
Com lgrimas nublando seus olhos, Addy pressionou uma das mos nos lbios para conter as trs palavras que seu corao suplicava que dissesse.
Em vez de dizer que o amava, retirou a mo da boca e falou:
- No se esquea de pr o cinto de segurana.
O sorriso que ele lhe ofereceu era suave, a expresso dos olhos, calorosa.
- No esquecerei. Boa-noite, Addy.
Ele deu mais alguns passos e desapareceu de viso.
- Boa-noite, Mack.

Mack ofereceu a mo para o tabelio sentado  mesa do bar do aeroporto.
- Mack McGruder - apresentou-se.
O homem se levantou, apertando a mo de Mack com firmeza.
- Glen Powell.
Mack balanou a mala nervosamente na mo, enquanto olhava ao redor.
- Ty no chegou ainda? Glen se sentou.
- No que eu saiba - ele consultou o relgio de pulso - Mas ainda no so trs horas.
Suspirando de nervoso, Mack colocou a mala sobre em uma cadeira e acomodou-se na frente do tabelo. Uma garonete apareceu e ele pediu cerveja, esperando que pudesse
acalmar os nervos. No tinha dormido muito na noite anterior, motivo pelo qual insistira em ir para Houston um dia antes. Sabia que se ficasse em casa, no seria
capaz de esconder seu nervosismo de Addy, e no queria preocup-la ainda mais.
No que houvesse algo para se preocupar, disse a si mesmo. No havia motivos para acreditar que Ty criaria problemas para assinar os papis. Tinha assinado as outras
renncias de paternidade que Mack lhe apresentara sem a menor hesitao.
A garonete chegou com a cerveja e Mack deu um gole, depois olhou para alm da entrada do bar, onde passageiros transitavam em ambas as direes, apressados para
pegarem seus vos. Todavia, nenhum sinal de Ty.
Girou o pulso e olhou a hora. Trs e cinco. Comprimiu o maxilar, recusando-se a aceitar que o atraso de Ty era um sinal de que seu meio-irmo no ia aparecer. Ty
estava sempre atrasado, lembrou a si mesmo. Tempo no significava nada para um homem que no tinha nada para fazer, nenhum lugar para ir.
Addy saiu correndo pela porta da frente, o beb em um dos braos, enquanto o outro acenava freneticamente sobre a cabea.

- Zadie! Espere!
Com a expresso desgostosa, a cozinheira abriu o vidro do carro.
- O que voc esqueceu desta vez? - perguntou irritada.
- Uma garrafa de champanhe. Mack chegar esta noite e vamos querer comemorar.
Com uma careta, Zadie fechou a janela de novo e partiu.
- Bruxa - murmurou Addy, ento roou o nariz contra o rosto de Johnny Mack - Ela nos ama, sabia? Apenas tem dificuldade de demonstrar os sentimentos.
Ele movimentou pernas e braos como se quisesse voar, e Addy riu.
- Amor da mame - murmurou abraando-o e entrando de novo na casa - Que tal um banho? - perguntou, enquanto voltava para os quartos - Voc pode espirrar quanta gua
quiser.
O beb agitou as perninhas, excitado, como se entendesse o que ela estava dizendo.
- Voc  to esperto - ela o informou, enquanto pegava as coisas necessrias para o banho do filho. Colocando-o sobre a plataforma elevada da banheira dele, comeou
a despi-lo - Mack voltar esta noite - anunciou, fazendo-lhe ccegas embaixo do queixo - Aposto que est com saudades de voc. Voc est com saudade dele?
Johnny Mack a encarou, os olhos arregalados, ouvindo atentamente.
Addy abriu a torneira e ps a mo sobre a gua, testando a temperatura.
- Mack  um homem bom - continuou - Voc tem sorte por ter um pai que o ama tanto - Pegando a esponja de banho, umedeceu-a com gua e sabonete lquido - Nunca conheci
meu pai, sabia? Ele morreu antes de eu nascer.
Ela torceu o nariz e inclinou-se para ro-lo no filho.
- Triste no ter um pai, no acha? - sorrindo, comeou a esfregar a barriga do beb - Mas voc sempre ter Mack. Ele o ama muito. E  um bom pai - assegurou-o enquanto
ensaboava-lhe o resto do corpo - Muitos pais no acordariam de noite para confortar o filho.
- Pronto - disse ela quando acabou de enxagu-lo e embrulh-lo na toalha que tinha separado - Vamos pr uma fralda e roupas limpas?
Entrando no quarto do beb, equilibrou-o na curva de um brao, enquanto pegava as coisas do gaveteiro. Brincando o tempo todo, rapidamente lhe vestiu a fralda e
roupas limpas.
- A est - disse finalmente - Prontinho, lindo e cheiroso. Que tal balanarmos um pouco enquanto voc mama? - Sentou-se na cadeira e ajeitou John-ny Mack no seio.
Um sorriso amoroso brotou nos lbios de Addy quando ele pegou o bico e comeou a sugar.
Ela pressionou o p no cho para balanar a cadeira e cantarolou. Enquanto ele mamava, a mente de Addy voltou-se para as preocupaes que a vinham perturbando desde
que Mack havia viajado na noite anterior. Especificamente para o encontro de Mack com Ty.
Fechando os olhos, inclinou a cabaa para trs, rezando silenciosamente para que tudo desse certo e Mack retornasse com a assinatura de Ty no documento. Entoando
a cano de George Strait, deixou as imagens dele virem  sua mente. Mack ao lado de sua cama durante o nascimento de Johnny Mack, apertando sua mo com fora, os
olhos azuis fixos nos seus. Mack parado a seu lado no quarto de hospital, olhando-a de lado enquanto o pastor Nolan os declarava marido e mulher. Mack sentado na
cadeira de balano, o sorriso terno, fitando o beb amorosamente e cantarolando para faz-lo dormir. Mack dormindo na cama dela, as pernas de ambos entrelaadas
e os corpos aninhados com perfeio.
- Bem, olhe quem est aqui.
Assustada, Addy abriu os olhos para encontrar Ty parado na soleira da porta que dava para seu quarto. Engoliu em seco, instintivamente apertando os braos em volta
de Johnny Mack.
- O que... O que voc est fazendo aqui?
- Acho que isso  bvio - sorrindo amplamente, ele abriu os braos num gesto expansivo - Eu vim para ver a minha famlia.
Ela virou um ombro, como se para proteger Johnny Mack dele.
- Mack no est em casa.
- Addy, Addy - murmurou Ty, enquanto entrava no quarto do beb - No vim para ver Mack. Vim para ver voc. E o nosso beb.
Ela abraou o filho mais forte.
- Ele no  seu.
Parando diante da cadeira de balano, ele arqueou a sobrancelha.
- Realmente espera que eu acredite que o beb  de Mack? Bem,  muito fcil fazer a conta - Ty gesticulou para o beb - Ele tem, o qu? Um ms? Deixe-me ver, a ltima
vez que eu a vi foi em dezembro, aproximadamente cinco ou seis meses atrs. Na poca, voc alegou estar grvida de dois meses, e ns moramos juntos pelo menos quatro
meses antes disso - com um sorriso cnico, acrescentou: - Ento, sim, o beb  definitivamente meu.
- Ele no  seu! - gritou ela -  de Mack, que o adotou.
- E por que Mack iria querer adotar um beb? Um homem na idade dele? O que meu irmo espera ganhar assumindo a responsabilidade de criar o filho de outro homem?
Quando ela apenas o olhou, ele agachou-se na frente da cadeira.
- Voc no  boba, Addy. Pense. Mack tem 42 anos.  vivo. Perdeu a esposa e o filho num acidente de carro.
Ela moveu os joelhos para o lado, angulando o corpo para distanciar-se.
- No estou ouvindo voc.
- Oh, est sim - replicou ele - E sua mente est trabalhando, eu sei. Est se perguntando por que Mack adotaria um filho do meio-irmo que tanto despreza.
Ty pousou uma mo sobre o joelho dela e Addy a empurrou.
- No me toque! No ouse me tocar nunca mais.
Ele deu de ombros e se levantou.
- Sem problemas. Voc nunca foi muito divertida na cama.
Sentindo repulsa pela viso de Ty, ela virou o rosto, recusando-se a continuar olhando-o.
- V embora desta casa ou vou chamar a polcia.
- Oh, eu no faria isso se fosse voc. Pense em toda fofoca que sua denncia criaria. Todos na cidade saberiam que sou o pai do beb e no Mack.
Ela o fitou, dio irradiando de seus olhos.
- Se  dinheiro que voc quer, no tenho nenhum. Um sorriso lento espalhou-se no semblante de Ty.
- Mack tem. Muito. E aposto que pagaria um bom preo pelo meu filho. Ele achou que o conseguiria de graa. Que eu assinaria os papis e desistiria de meus direitos
- abaixando-se, abraou os joelhos com as mos para colocar o rosto no nvel do de Addy.
- Foi por isso que ele foi a Houston, no foi? Para me fazer assinar um papel desistindo de meus direitos? Queria minha assinatura na linha pontilhada antes que
eu decidisse exigir meu filho. Mas, sabe de uma coisa, Addy? Sou mais esperto do que meu irmo pensa. O detetive que Mack contratou para me seguir era to negligente
que descobri tudo no primeiro dia de trabalho do homem. Suspeitei que Mack o contratara. Ento recebi o telefonema de Lenny, dizendo que eu encontrasse Mack para
assinar uma renncia de paternidade e minha suspeita foi confirmada.
Ele fez uma breve pausa e continuou:
- Chame-me de paranico, mas alguma coisa no parecia certa no esquema todo. Ento, liguei para alguns velhos amigos em Lampasas. Imagine minha surpresa quando descobri
que Mack tinha se casado recentemente com uma mulher que acabara de dar  luz. Uma mulher de Dallas. Uma vez que eu tinha deixado uma mulher grvida em Dallas, isso
me fez pensar. O que eu no conseguia entender foi como vocs dois se juntaram - Ty riu - Ento, lembrei-me de como Mack sempre gostou de ajudar pessoas, principalmente
aquelas ligadas a mim, com o propsito de proteger o nome da famlia, e sua fazenda preciosa. Ento tudo se encaixou. Entendi que, de alguma maneira, meu irmo soubera
sobre voc, descobrira que estava grvida e fora para Dallas tentar compr-la - ele arqueou a sobrancelha numa expresso interrogativa - Estou certo at agora?
Addy engoliu em seco e no respondeu. Endireitando o corpo, Ty a olhou e sorriu.
- No precisa responder, Addy. Recebi a resposta que queria. Voc nunca soube fingir - abaixando-se de novo, segurou a mo contra a lateral da boca, como se fosse
lhe contar um segredo - Aqui entre ns - murmurou de forma confidencial - eu no dou a mnima para o beb - Ele desceu a mo - Mas Mack pagar pelo direito de dizer
que o filho  dele. No dou nada de graa. Nem mesmo algo que no quero.
Furiosa, Addy cerrou os dentes.
- Voc no tem o direito. Nunca quis o beb. Sumiu rapidamente para que no tivesse de assumir responsabilidade por ele.
Ty deu de ombros, inabalvel pelas acusaes.
- Por que eu ia querer o moleque? Mas o que voc deveria estar se perguntando  por que Mack o quereria? Acha que  por pena? - perguntou curioso - Sentiu pena da
pobre me indefesa e indesejada, abandonada para criar um beb, sozinha, e decidiu bancar o cavaleiro branco que gosta de pensar que  e salvar a donzela? - Inclinando-se
para mais perto, continuou: - Ou talvez o motivo tenha sido puramente egosta. Mack precisa de um herdeiro. O filho dele est morto. No tem ningum para deixar
sua fortuna, sua fazenda.
- Isso  mentira - exclamou Addy em tom raivoso - Mack no  egosta.  um homem bom, honesto e generoso.
Ty endireitou o corpo e arqueou as sobrancelhas.
- Oh, verdade? Ele j mencionou como se sente em relao a mim?
Addy engoliu em seco, lembrando das coisas que Mack lhe contara sobre o relacionamento com o meio-irmo.
- Somente que a relao de vocs ... tensa.
- Tensa? - ele jogou a cabea para trs e gargalhou - Bem, suponho que esse seja um jeito de descrev-la. Mack me odeia - declarou - Ressente-se de mim desde o dia
em que nasci, porque nossa me me preferia a ele.
Ela no acreditou naquilo nem por um minuto, mas ficou calada, temendo que se o desafiasse, Ty poderia ficar irado e cometer alguma tolice.
- Foi por isso que Mack quis se casar com voc e adotar o meu filho - continuou ele - No porque  generoso e gentil, mas porque far qualquer coisa para evitar
que eu pegue um centavo do que considera seu. At mesmo se casar com uma completa estranha e adotar uma criana. Um filho que possui um pouco do mesmo sangue que
corre nas veias de Mack.
Addy estava boquiaberta.
- Mack no adotou meu filho por causa de algum lao sangneo. Ele ama Johnny Mack como se fosse seu prprio filho.
Ty deu uma risada rude.
- No se engane, Addy. Mack McGruder ama apenas a si mesmo.
- Isso no  verdade! Ele nos ama.
- Nos ama? - repetiu Ty, ento lhe lanou um olhar pattico - Por favor, no me diga que acha que Mack est apaixonado s porque dormiu com voc? Que coisa, ele
 homem, Addy! Uma mulher  igual a qualquer outra.
Addy sentiu lgrimas queimando atrs dos olhos e lutou para reprimi-las. Ele meneou a cabea.
- Oh, tenho de dar crdito a meu irmo mais velho pelo seu golpe perfeito. No apenas conseguiu um herdeiro, como conseguiu sexo a hora que quiser.
Ty fez uma pausa.
- Mas o que importa tudo isso realmente? Quaisquer que tenham sido as razes de Mack para ter se casado e adotado seu filho, voc ainda  a vencedora, certo? Conseguiu
uma vida boa - ele abriu os braos, indicando a casa - Nada mal, no?  um grande passo, considerando o buraco que voc morava em Dallas.  claro, h todo o dinheiro
dele, tambm. Mack tem muito guardado. Mas certamente voc j sabe disso.
Ele abaixou-se de novo, e olhou-a diretamente nos olhos.
- Agora, vou lhe fazer uma proposta, Addy. Quero um pouco desse dinheiro. Bastante, na verdade. E voc vai me ajudar a obter isso. Se o fizer, pode manter esse moleque
e levar uma vida de luxo como esposa de Mack - Ty ergueu um dedo ameaador - Mas tente me deixar sem nada e eu reivindicarei o beb, e voc voltar para o mesmo
buraco de Dallas.
- Levante as mos e saia imediatamente da casa do sr. Mack.
Addy girou a cabea para encontrar Zadie parada na soleira da porta, o rifle de Mack contra o ombro, o cano mirado para as costas de Ty.
Ele se levantou.
- Ora, Zadie - disse numa voz adocicada - Voc sabe to bem quanto eu que nunca atiraria em mim. Afinal de contas, ajudou a me criar.
Ela travou a arma por segurana, mas manteve o cano apontado para o peito dele.
- Se eu no o tivesse mimado quando beb, talvez tivesse poupado a todos da vergonha que voc traz para esta famlia.
- Agora, Zadie - comeou ele, e deu um passo na direo dela.
O clique metlico do rifle sendo engatilhado silenciou-o e o fez erguer as mos.
- No pense nem por um minuto que eu no puxaria o gatilho - avisou ela - Agora, saia desta casa. E no volte mais para aterrorizar esta famlia. Se voltar, eu lhe
darei um tiro na cabea.
Ty obviamente acreditou, pois passou ao lado de Zadie, com as mos levantadas, e foi para a porta. Zadie o seguiu de uma distncia segura, mantendo a arma apontada
para as costas dele.
Tremendo, Addy recostou-se na cadeira de balano, abraando Johnny Mack junto ao peito. Ainda estava sentada l quando Zadie retornou, alguns minutos depois, a espingarda
presa ao corpo, com o cano apontado para o cho.
- Voc est bem, sra. Addy? - perguntou hesitante.
Addy respirou profundamente e expirou devagar.
- Sim. Ele no me machucou.
- E no ir machuc-la. Ele foi embora. Certifiquei-me disso e tranquei bem as portas quando entrei.
Zonza, Addy assentiu.
- Obrigada, Zadie.
Franzindo o cenho, Zadie colocou o rifle contra a porta.
- Por que deixou aquele garoto malvado entrar na casa? Deveria saber que ele no queria coisa boa.
Addy meneou a cabea.
- Eu no o deixei entrar. Ele simplesmente... apareceu.
Zadie arqueou as sobrancelhas.
- Ele deve ter passado pelos portes quando eu sa para o mercado - meneando a cabea, aproximou-se de Addy - Aqui, querida. D-me o beb. Voc est tremendo inteira.
Addy apertou os braos ao redor de Johnny Mack.
- No.
Zadie ps as mos nos quadris.
- Voc no pode ficar sentada a, balanando o beb o dia inteiro.
Quando Addy recusou-se a entregar o filho, Zadie suspirou resignada.
- Tudo bem, querida. Fique a o quanto quiser. Imagino que seus nervos estejam  flor da pele. Sei que os meus esto - ela forou um sorriso - Sei do que precisamos.
De uma xcara de ch bem forte. E adicionarei um pouquinho de usque, apenas para propsitos medicinais - virando-se para a porta, acrescentou: - Fique a e tente
se acalmar. Tratei o ch assim que prepar-lo.
Depois que Zadie partiu, Addy permaneceu sentada, imvel, sem piscar. Sentia-se paralisada, incapaz de se mover ou pensar. Os pensamentos passavam por sua cabea
com muita rapidez, enquanto outros Pareciam suplicar por sua ateno.
Ty estava mentindo, disse a si mesma, lutando contra as dvidas que ele tinha plantado em sua mente. Mack no era uma pessoa egosta. Pelo contrrio, era amvel
e generoso. E no adotara Johnny Mack apenas para conseguir um herdeiro. Mack amava o filho de verdade. Nada que Ty pudesse dizer iria convenc-la do contrrio.
Claro, ele ama o beb. Mas a ama tambm ou apenas quer sexo, como Ty alegou?
Ela engoliu em seco, incerta da resposta. Mack nunca lhe dissera que a amava. No em palavras, pelo menos. Era doce, muito generoso e um amante extraordinrio. Mas
amava-a? Tanto quanto ela o amava?
Lgrimas preencheram seus olhos. Oh, Deus, como queria que ele a amasse. Desejava tanto uma famlia, sonhava com o que nunca tinha conhecido, com o que lhe fora
negado durante a vida. Achara que tinha conseguido aquilo com Mack. Comeara a acreditar que eles realmente poderiam ser uma famlia. J perdera o seu corao para
ele e no aceitaria nada menos do que amor em retorno.
Tempo, lembrou a si mesma com teimosia. Os dois ainda estavam tentando se conhecer. Sabia que Mack gostava dela. Com o tempo, aprenderia a am-la de verdade.
Mas e se eles no tivessem tempo?
Medo comprimiu-lhe o peito. E se no tivessem tempo? E se Ty cumprisse sua ameaa? Ameaara pegar o beb se ela no o ajudasse a tirar dinheiro de
Mack. No podia suportar a idia de perder seu filho. Nem podia suportar a idia de Mack perd-lo.
E isso era o que mais a apavorava, percebeu, finalmente capaz de isolar a verdadeira fonte de seu medo. Temia que Ty conseguisse tirar Johnny Mack de Mack.
Tinha de fazer alguma coisa para det-lo, disse a si mesma, o medo dando lugar  raiva. No seria parte do esquema de Ty para chantagear Mack. Jamais faria qualquer
coisa para machucar Mack propositadamente.
Mas se no fizesse o que Ty lhe dissera, levaria todos a uma batalha judicial, lutando por uma criana que ele abertamente dissera no queria.
Addy respirou fundo, sentindo dificuldade de engolir pelo n de medo que se formara em sua garganta. Sem a assinatura de Ty na renncia de paternidade que Lenny
havia preparado, ele ainda possua os direitos concedidos a um pai natural, direitos que substituiriam os que Mack conseguira ao adotar Johnny Mack. Estava nos noticirios
o tempo todo. Juizes geralmente favoreciam os pais naturais nesse tipo de batalha judicial, tirando as crianas dos pais adotivos.
Addy se levantou. Tinha de partir, pensou, o corao batendo violentamente contra o peito. Com sua partida, Ty ficaria sem poder, sem a nica arma que achava que
possua. Tolo como era, pensava que Addy era gananciosa e faria qualquer coisa a fim de levar uma vida de luxo como esposa de Mack. Mas estava errado. Mack significava
muito mais do que dinheiro. Ela sacrificaria qualquer coisa pela felicidade dele e de seu filho.
Quando Zadie retornou com a prometida xcara de ch, Johnny Mack estava sentado na cadeirinha de carro no centro da cama de casal, enquanto Addy fazia as malas.
Zadie parou  porta, assustada.
- O que voc est fazendo?
Addy colocou uma pilha de roupas na mala.
- Indo embora.
A mulher mais velha arregalou os olhos.
- Como assim, indo embora?
Addy foi at a cmoda e pegou uma outra pilha de roupas da gaveta.
- Vou para casa. Para Dallas.
Zadie entrou no quarto e colocou a bandeja de ch sobre a cmoda.
- Dallas no  sua casa.  aqui que voc mora agora. Bem aqui, com o sr. Mack. O que ele vai pensar quando chegar e descobrir que voc se foi? O que devo lhe dizer?
Addy guardou o restante das roupas na mala e fechou-a, virando-se para Zadie com uma calma que a surpreenderia mais tarde.
- Diga a Mack para pedir a anulao do casamento que me prometeu.


CAPTULO OITO

Fria fazia o sangue de Mack correr nas veias quando brecou o carro bruscamente diante de sua casa. Que desperdcio de tempo, pensou. E aquilo era bem tpico de
Ty. Marcar um encontro e ento no aparecer. Fazer outras pessoas perderem tempo. Mack se perguntou por que no esperava por isso desde o comeo.
Com um suspiro cansado, abaixou a testa para descans-la contra o volante. Agora teria de enfrentar Addy, contar-lhe que fracassara, que tinha chegado em casa de
mos vazias. Ela ficaria chateada. Que coisa, ele estava chateado! Esperava poder assegur-la de que Ty nunca mais lhes causaria problemas.
Com mais um suspiro, abriu a porta do carro e desceu. Pausou um momento para estender os msculos do corpo, tentando aliviar a tenso que vinha sentindo o dia inteiro,
antes de se dirigir para casa.
Assim que entrou e fechou a porta, chamou:
- Algum em casa?
Zadie saiu correndo da cozinha para encontr-lo no hall.
- Oh, sr. Mack - disse chorando - Eles foram embora. Ela fez as malas e partiu.
Pnico o assolou.
- Addy partiu?
- Sim, senhor. Assim que Ty saiu, ela arrumou as malas e se foi.
O corao de Mack pareceu parar.
- Ty esteve aqui?
- Sim. Sa esta manh para ir ao mercado e ele deve ter passado pelo porto enquanto ainda estava aberto. Eu no o vi, mas Ty estava aqui dentro quando voltei para
pegar a lista de compras que tinha esquecido no balco da cozinha - ela levantou o avental e enterrou o rosto nele - Foi tudo culpa minha. Eu nunca deveria ter deixado
a sra. Addy sozinha. Deveria saber que aquele garoto faria alguma maldade.
Mack segurou-a pelos braos e a sacudiu.
- Ele a machucou?
Zadie secou o rosto no avental e meneou a cabea.
- No fisicamente. Mas deve ter dito alguma coisa que a fez fugir.
- Para onde ela foi?
- Dallas. Disse que ia para casa. Tentei faz-la esperar o senhor voltar, mas ela no me ouviu. Parecia louca. Pediu que eu lhe dissesse para anular o casamento,
conforme lhe prometeu.
Mack deixou os braos cair na lateral do corpo.
- No - sussurrou, ento se virou e colocou os punhos fechados sobre os olhos - Oh, Deus, por favor, no.
Mack no estava disposto a perder Addy. Iria para Dallas e a traria de volta, juntamente com o beb, para onde os dois pertenciam.
Mas antes de fazer isso, precisava acertar as contas com Ty.
No sabia o que seu meio-irmo tinha dito a Addy e realmente no se importava. O que sabia era que Ty era o responsvel pela partida de sua esposa, e Mack se certificaria
de que ele nunca mais tivesse o poder de interferir na sua vida.
Uma vez que sua ltima tentativa de encontrar Ty fracassara miseravelmente, decidiu tentar uma ttica diferente.
s nove horas em ponto, dois dias aps a partida de Addy, parou o carro no estacionamento do prdio em Houston, onde Ty estava morando atualmente, e pegou o grande
arquivo que o investigador particular lhe dera, juntamente com um arquivo mais fino dos documentos que Lenny preparara, e desceu do carro. Deu uma olhada para o
carro parado ao lado do seu, e se dirigiu para o apartamento.
Mack ps o dedo na campainha e pde ouvir o som contnuo da mesma atravs da porta e sorriu, sabendo que Ty no poderia ignorar o som irritante por muito tempo.
Em poucos minutos, ouviu passos zangados se aproximando da porta e a voz de seu meio-irmo praguejando. Rapidamente, deu um passo ao lado e saiu de viso, de modo
que Ty no pudesse v-lo pelo olho mgico.
A porta se abriu e Ty saiu, vestindo nada alm de uma cala de pijama e uma carranca.
Mack tirou o dedo da campainha.
- Boa noite, Ty.
- V para o inferno - replicou seu meio-irmo e empurrou a porta com fora.
Mack colocou a bota na abertura, antes que a porta se fechasse e entrou.
- Bonito lugar - comentou, olhando ao redor. O rosto de Ty estava vermelho de raiva.
- O que voc quer?
Calmamente, Mack tirou os arquivos debaixo do brao.
- Uma vez que voc perdeu seu compromisso anterior comigo, decidi que era mais seguro passar por aqui sem ser anunciado.
- Se  a renncia de paternidade que voc tem a, est perdendo seu tempo. No vou assinar.
- Voc pode querer reconsiderar sua deciso - sugeriu Mack suavemente.
Ty cruzou os braos sobre o peito nu, a postura arrogante.
- Se acha que pode entrar aqui e me fazer assinar um papel que tire meus direitos sobre a criana, est enganado. Estou um passo  sua frente, irmo. Descobri seu
pequeno esquema. O beb  meu e voc vai pagar caro para t-lo.
Inabalvel, Mack abriu a pasta com os documentos que Lenny tinha preparado.
- Falando sobre dinheiro, tenho algumas declaraes financeiras que podem interess-lo.
Ty o olhou desconfiado.
- Que declaraes financeiras?
Ignorando a pergunta, Mack olhou ao redor.
- H algum lugar onde possamos nos sentar e discutir isso mais confortavelmente?
Ty hesitou por um momento, ento se virou com um suspiro.
- Ali - murmurou e conduziu o caminho para a sala de estar.
Gesticulou para uma poltrona oposta ao sof.
- Seja rpido - disse para Mack, antes de se esparramar no sof - Quero voltar para a cama.
Mack se sentou na beira da poltrona e abriu o arquivo de Lenny sobre a mesinha de centro. Pegou o primeiro conjunto de documentos e colocou-o na frente de Ty.
- Como pode ver - comeou, indicando os papis com um gesto de cabea - esta  a declarao deste ano do fundo que mame deixou para voc antes de morrer.
Ty nem mesmo olhou para o documento.
- E da? Recebo uma dessas do contador a cada trimestre.
- Voc alguma vez a leu? - perguntou Mack.
Ty movimentou-se desconfortavelmente.
- Para qu?  s um monte de nmeros. Mack inclinou-se e pegou o documento.
- Se tivesse se dado ao trabalho de ler o relatrio - disse enquanto virava para a ltima pgina - saberia que o balano de seu fundo est zerado h quase dois anos.
Ele teve a satisfao de ver Ty empalidecer.
- No pode ser! O dinheiro tem sido depositado em minha conta pessoal todos os meses, como sempre.
Mack se recostou na poltrona.
- Sim - concordou - Mas o dinheiro no tem vindo de seu fundo. Como mencionei, aquela conta foi zerada h mais de dois anos.
Ty se levantou.
- Isso  mentira! - gritou - Havia um milho e meio naquele fundo.
Mack assentiu.
- E voc conseguiu gast-lo em um pouco mais de 12 anos.
Ty passou uma mo pelos cabelos, nervoso, ento comeou a andar de um lado para o outro.
- No pode ser. No posso ter gastado todo esse dinheiro.
- Oh, mas voc gastou. E mais um pouco.
Ty se virou.
- Mas ainda estou recebendo dinheiro todos os meses. Devo ter investimentos aplicados que esto pagando os dividendos.
Mack meneou a cabea.
- Voc no tem nada. Recorda-se que tirou todo seu dinheiro aplicado no seu aniversrio de 30 anos? Contra meu conselho, devo acrescentar. Pelo que me lembro, voc
queria o dinheiro para comprar um barco. Um pequeno iate, no foi?
Mack podia ver que seu meio-irmo estava comeando a transpirar, e sabia que o tinha onde queria.
- Mas isso  uma velha histria - prosseguiu - Por respeito  nossa me, continuo fazendo os depsitos mensais em sua conta bancria, a fim de sustent-lo.
Querendo dar a Ty um momento para absorver aquela informao, antes de atingi-lo com o golpe final, inclinou-se para frente e pegou a declarao. Aps guard-la
cuidadosamente de volta na pasta, recostou-se de novo e encontrou os olhos de Ty.
- Mas no farei estes depsitos no futuro.
O sangue drenou do rosto de Ty.
- Mas como vou viver? Como vou pagar minhas contas?
Mack deu de ombros.
- Venda o iate. Isso deve ser o bastante para mant-lo at que voc arranje um emprego.
Ty se sentou no sof com um gemido e cobriu o rosto com as mos.
Mack fingiu estar preocupado.
- Algum problema?
- No tenho mais o iate.
- No tem? - repetiu Mack em confuso, embora j soubesse disso. A guarda costeira o confiscara durante uma busca por drogas um ano antes, informao que o detetive
particular havia descoberto.
Ty tirou as mos do rosto e deu um longo suspiro.
- No - respondeu com tristeza - Eu o emprestei para um amigo e ele... Bem, ele se meteu em um pequeno problema em seu retorno para o Mxico e os policiais confiscaram
o iate.
Mack meneou a cabea.
-  uma pena, Ty - olhou ao redor da sala, notando os mveis e acessrios caros - Talvez a mulher com a qual est morando possa sustent-lo, at que voc arrume
um emprego. Parece que ela tem condies.
Ty passou as mos pelo rosto.
- No por muito tempo. Ela j est reclamando de minha estadia aqui.
- Meu Deus - disse Mack, fingindo cumplicidade - isso o deixa numa situao difcil, verdade?
Ty encarou o meio-irmo.
- Sabia disso o tempo todo, no sabia? Toda essa conversa sobre minhas finanas foi armada, para que voc possa ficar com a criana.
Mack alcanou de novo os arquivos que Lenny tinha preparado.
- Eu preferia dizer que ns estamos colocando as cartas na mesa. Parece mais civilizado, no acha?
Ele tirou o segundo conjunto de documentos da pasta e colocou-os na mesa diante de Ty.
- Estes so os papis que voc deveria ter assinado ontem no aeroporto.  um documento legal que Lenny preparou, no qual voc abre mo de todos os seus direitos
de paternidade sobre o filho de Addy - um sorriso lento brincou nos lbios de Mack - Mas suponho que voc j sabe no que consiste uma renncia de direitos paternos.
J assinou tantas durante os anos para conhec-las de cor.
Irritado, Ty puxou o documento para mais perto.
- O que ganho com isso? - perguntou enquanto estudava o documento - Mereo uma boa recompensa deste negcio. Afinal, sou o pai da criana.
- Uma responsabilidade da qual voc fugiu - Mack o relembrou.
Ty levantou a cabea e riu.
- Lucro seu, certo? Vamos, Mack, diga-me, quanto esta criana vale para voc?
O mundo, pensou Mack. Mas no contaria a Ty o quanto amava Johnny Mack.
- No se pode pr um valor numa vida humana - disse secamente, ento pegou o ltimo conjunto de documentos, colocou-os por cima dos outros e recostou-se na poltrona
- Mas sinto que tenho uma obrigao moral com nossa me. Antes de morrer, ela me fez prometer que cuidaria de voc, uma promessa que tenho honrado h 14 anos. Mas
estou cansado, Ty. No vou mais depositar nenhum dinheiro em sua conta, e no vou tir-lo de mais problemas. A vida  sua e voc ter de lidar com as conseqncias
de seus atos.
Ele gesticulou com o queixo, indicando o ltimo documento que pusera sobre a mesa.
- Tenho certeza de que Lenny achou um jeito muito mais complicado de declarar isso, mas  exatamente o que diz o documento. Sua assinatura na ltima pgina reconhece
o que acabei de lhe explicar. A mesma assinatura  necessria no documento no qual voc abre mo dos direitos de paternidade, o qual vai livr-lo da obrigao de
qualquer apoio financeiro requerido pelo Estado e sua Corte, agora e a qualquer tempo no futuro.
Ty rapidamente virou para a ltima pgina, onde uma linha preta e grossa esperava por sua assinatura.
- E se eu no assinar? - perguntou.
- Quanto ao documento que atesta minha responsabilidade financeira em relao a voc no futuro, tanto faz se assinar ou no. Voc gastou seu fundo, portanto, o que
possuo, posso gastar do jeito que quero e no tenho mais a obrigao de lhe dar nada.
Ele fez uma pausa.
- Todavia, o documento sobre seus direitos de paternidade  uma outra histria. Se insistir em reter seus direitos de pai, ento tambm ser responsvel pelo sustento
da criana, o qual ser decidido por um juiz.
Ty bufou.
- Um juiz no pode me obrigar a dar o que no tenho.
Mack apontou para o documento que seu meio-irmo ainda segurava.
- Se olhar o pargrafo trs, na pgina um, vai descobrir que possui algum dinheiro. No muito, considerando a quantidade que gastou, mas o bastante para me deixar
com a conscincia limpa e dar-lhe o tempo que precisa para achar um emprego.
Ty rapidamente achou a pgina e o pargrafo indicados.
- Cem mil dlares - leu incrdulo, ento ergueu o olhar para Mack - Voc est me dando cem mil dlares?
- Leia um pouco mais adiante, e vai descobrir que somente ganhar o presente se assinar o documento.
Ty voltou os olhos para o papel novamente. Aps um momento, deu uma risada.
- Ah, entendi agora. Esta  uma armadilha. Se eu assinar isto, mas me recusar a perder meus direitos de paternidade, terei de me sentar diante de um juiz, o qual
vai me tirar uma boa poro dos fundos para sustentar a criana.
Mack tirou uma caneta do bolso da camisa e jogou-a sobre a mesa.
- Aos olhos da justia, uma criana deve ser sustentada pelo pai.
Meneando a cabea, Ty pegou a caneta.
- Espere um minuto - disse Mack antes que seu meio-irmo assinasse o papel. Levantando-se, foi em direo  porta da frente.
- Aonde voc vai? - perguntou Ty frustrado - Vamos acabar logo com isso.
-  o que pretendo - replicou Mack, ento abriu a porta e acenou uma das mos, sinalizando para que os homens, que tinham parado o carro ao lado do seu, entrassem.
Ty olhou boquiaberto quando o advogado, o padre, o banqueiro e Bill adentraram a sala.
- Apenas para tornar tudo legal - explicou para Ty, quando se sentou de novo na mesma poltrona e sorriu - No gosto de deixar nenhum furo.

- No que estejamos pobres - Addy assegurou Johnny Mack quando fechou a trave de segurana do balano infantil que o colocou - Mas ter uma esperana de algo melhor
no faz mal a ningum - pondo o balano em movimento, se aproximou do ba - Reze - murmurou para o beb e levantou a tampa. Ajoelhando-se, comeou a remover os itens.
Torceu o nariz de desgosto, puxando um ramo de flores secas de dentro, as ptalas amassadas e amareladas pelo tempo - Por que mame guarda tudo isso?
Aps dez minutos procurando, sem sucesso, alguma coisa que lembrasse um pedao de papel rasgado que supostamente pertencera a seu pai, Addy se sentiu desencorajada.
- No sei por que estou perdendo meu tempo - murmurou para o beb, enquanto removia os ltimos itens do fundo do ba - Se ele enviou isso para a mame, ela deve
ter jogado fora.
De repente, viu um envelope com um selo vermelho e azul desbotado pelo tempo, mas distinto o bastante para ser reconhecido. Com dedos trmulos, retirou-o do ba
e se sentou no cho.
- O selo  do Vietn - disse a Johnny Mack, alisando a frente do envelope - Mas no tem um nome no remetente - Fechou os olhos, prometendo a si mesma que no ficaria
decepcionada com o que encontrasse dentro do envelope.
Reunindo coragem, removeu a carta. Quando a desdobrou, um pedao de papel caiu em seu colo, e o corao de Addy pareceu parar.
- Johnny Mack - sussurrou, como se o papel pudesse se desintegrar, se falasse muito alto - Achei! Oh, meu Deus, realmente achei!
Com o corao batendo descompassado no peito, ergueu o pedao de papel para examin-lo. Franziu o cenho quando olhou para as palavras fragmentadas, incapaz de compreender
o significado das mesmas. Rapidamente, virou o papel e olhou do outro lado, onde encontrou o carimbo de um tabelio, o nome de uma mulher e o que parecia ser a assinatura
de Antnio Rocei. Passou a ponta do dedo sobre as letras, encantada que a assinatura tinha sido feita pela mo de seu pai.
-  como toc-lo - murmurou para Johnny Mack, ento engoliu o n de emoo que se formou em sua garganta - Nunca o conheci, nunca o vi. Ele morreu antes de eu nascer.
Ela olhou para seu filho, os olhos nublados pelas lgrimas.
- Era seu av. Antnio Rocei era meu pai e seu av. Esta  a assinatura dele.
Johnny Mack balanou os pezinhos e riu, fazendo o balano se mover. Precisando compartilhar aquele momento com o filho, Addy pegou a carta e foi se sentar diante
do balano.
- Vamos ver o que a carta diz - murmurou e abriu-a para ler em voz alta:
Querida Mary Claire,
Voc no me conhece, portanto, vou me apresentar. Meu nome  Larry Blair e servi junto com Tony no Vietn. Eu estava a seu lado no dia em que ele morreu.
Addy ergueu a cabea para olhar para Johnny Mack.
- A carta no  dele - contou-lhe e continuou a ler:
Sei que o que vou lhe contar no compensar a perda que voc sofreu, mas sinto que  meu dever lhe dizer o que penso sobre Tony.
Conheci Tony em Austin no dia que embarcamos para So Francisco, a primeira parte de nossa jornada para o Vietn. No sabia o nome verdadeiro dele na poca, uma
vez que tinha recebido o apelido de Romeo no exrcito. Acho que no  difcil para voc entender o motivo de tal apelido. A bonita aparncia italiana dele e aqueles
olhos escuros eram irresistveis para as mulheres.
Mas Tony era muito mais do que um rosto bonito. Tinha um corao imenso, e um tipo de personalidade que o fazia o favorito entre os rapazes. Aqui no Vietn, s vezes
temos dificuldade de rir, mas quando estvamos tristes ou deprimidos, sempre podamos contar com Tony para fazer ou nos dizer alguma coisa que levantasse nossos
nimos.
Ele era um bom companheiro para os rapazes com quem serviu, principalmente de Preacher, a quem Tony tratava com um irmo. Discutia e brigava com ele, s vezes, como
os irmos fazem, suponho. Mas se algum mexesse com Preacher, Tony era o primeiro a defend-lo. Alguns dos homens perturbavam Preacher, dizendo que ele tinha o corao
muito mole. A idia de atirar em outro ser humano, inimigo ou no, era alguma coisa que no podia aceitar. Mas Tony no zombava dele como os outros. Na verdade,
costumava golpear quem chamava Preacher de covarde.
Como falei antes, eu estava com Tony no dia em que ele morreu. A misso na qual estvamos deveria ser "segura", mas suponho que nada  seguro em tempos de guerra.
No entrarei em detalhes sobre a batalha, mas quero lhe dizer uma coisa. Tony era um soldado valente e deu sua vida para proteger os homens com quem servia.
Na noite antes de ser morto, contou-me sobre o beb que voc carrega. O beb dele. Disse que se sentia culpado por ter fugido para o exrcito e a deixado sozinha
para cuidar de tudo, e queria fazer alguma coisa para recompens-la. O plano de Tony era enviar-lhe uma parte de seu salrio todos os meses. Quando voltasse para
casa, pretendia arrumar um emprego que pagasse mais do que o salrio de um soldado, de modo que fosse capaz de ajud-la com o sustento da criana. Suponho que seja
desnecessrio dizer que isso no ser mais possvel agora.
Ele me fez prometer-lhe uma coisa naquela noite, enquanto conversvamos. Prometi que enviaria a voc este pedao de papel que inclu na carta. Talvez seja melhor
eu explicar o significado do mesmo. Na noite que partimos para o Vietn, estvamos num bar em Austin tomando alguns drinques. Conhecemos um homem l que perdera
o filho na guerra. Uma vez que no tinha mais para quem deixar sua fazenda, disse que queria d-la para ns. Improvisou uma escritura de venda e rasgou-a em partes,
dando um pedao para cada um de ns, ento chamou uma tabeli para validar todas as assinaturas.
No sei se isso algum dia ter valor, mas Tony comentou que no possua nada de valor para deixar-lhe, se alguma coisa acontecesse a ele, e pediu-me que lhe enviasse
isso.
Esperei nunca precisar cumprir minha promessa, mas infelizmente tenho de faz-lo agora. Achei seu endereo no meio dos pertences de Tony. Eu a contatarei depois
que voltar para casa, e lhe direi o que precisa fazer afim de obter a parte da fazenda de Tony. Como j disse, no h garantias, mas pela segurana de Tony e desta
criana, eu gostaria que este pedao de papel viesse a ser a herana que ele tanto queria que seu beb tivesse.
Sinceramente,
Sargento Larry Blair
Com lgrimas escorrendo pelo rosto, Addy olhou para a carta, a mo pressionada contra o corao.
- Voc acha que isso significa que ele me amava? - ela ergueu a cabea para fitar o filho - Quero dizer, pense bem. Ele disse para esse tal de Larry que se sentia
mal por ter abandonado mame para me criar sozinha, e queria ajudar a me sustentar. At mesmo pediu que ele enviasse esse pedao de papel, porque era tudo que possua
para me dar.
O lbio inferior de Johnny Mack tremeu e ele chorou.
Addy se levantou, guardando o papel e o envelope dentro do bolso do robe.
- Oh, meu beb, no chore - sussurrou enquanto o tirava do balano - S porque mame est triste, no significa que voc tem de ficar, tambm - aninhou-o na curva
de seu pescoo e beijou-lhe a testa - Voc tem um pai. No h necessidade de chorar. Voc tem Mack e sempre saber que ele o ama.

Mack parou seu carro diante da casa de Addy, ento ficou sentado por um minuto, estudando a propriedade. As janelas da frente estavam escuras, mas havia luz nos
fundos da casa. Era tarde, provavelmente bem tarde para aparecer na casa de algum, mas no tinha viajado de to longe para voltar agora.
Respirando profundamente para controlar os nervos, desceu do carro e passou uma das mos sobre os cabelos, enquanto comeava a andar, sabendo que sua aparncia no
devia estar muito boa, depois de dirigir o dia inteiro, primeiro para Houston, depois para Dallas. Mas no quisera parar e tomar um banho. Tudo que queria era ver
Addy.
Bateu  porta e esperou. Diferentemente da outra vez que batera quela porta, a resposta foi quase imediata. As luzes da varanda se acenderam, e Mack ouviu a pergunta
nervosa de Addy do outro lado:
- Quem est a?
- Sou eu, Mack. Preciso falar com voc.
Um longo momento de silncio se seguiu, fazendo-o perguntar-se se conseguiria entrar. Mas ento, uma fresta da porta se abriu, revelando uma fatia estreita do rosto
dela.
- Mack, por que voc est aqui? J  tarde.
- Eu sei e me desculpe, mas ns precisamos conversar.
Ela hesitou um momento, ento perguntou.
- Sobre o qu? Ele reprimiu a frustrao - Addy, por favor, deixe-me entrar. Relutante, ela cedeu. Mack entrou e fechou a porta. Quando se virou, percebeu que Addy
estava descala e usava um robe amarrado na cintura. Consultou o relgio de pulso e quase gemeu quando viu que j passava da meia-noite.
- Acordei voc - disse ele arrependido.
Ela deu um passo atrs, como se querendo manter uma distncia segura entre os dois, e meneou a cabea.
- Eu no estava dormindo. Mack olhou ao redor.
- H algum lugar onde possamos nos sentar? Foi um longo dia.
Addy hesitou por um instante, ento gesticulou para uma passagem  sua esquerda.
- Ali - murmurou, liderando o caminho para a sala de estar, parando para acender a luz, e depois se sentando na poltrona oposta ao sof.
Disposto a respeitar a necessidade dela de distncia, pelo menos por enquanto, ele se acomodou no sof.
- Zadie lhe deu meu recado? Mack arqueou uma sobrancelha.
- Sobre a anulao?
- Sim.
- Ela me falou.
- Voc notificou Lenny?
- No vi motivo para isso. Addy comprimiu o maxilar.
- Mas voc prometeu! Disse que se algum dia eu quisesse acabar o nosso acordo, me daria a anulao do casamento.
- Anulao no  mais uma opo - ele a informou - Se voc se recorda, ns consumamos o nosso casamento. Um ato que foi idia sua, a propsito.
Ela baixou o olhar, as faces enrubescendo.
Mack perguntou-se se Addy estaria se lembrando da noite em que o seduzira. Ele se lembrava de cada detalhe. Desde a toalha mida que ela tinha derrubado no cho,
at a sensao de paz e contentamento de ter o corpo delicado aninhado ao seu enquanto dormiam.
- Por que voc partiu, Addy?
Ela ergueu a cabea, os olhos arregalados em surpresa, ento baixou o olhar para o colo de novo, e comeou a mexer nervosamente no cinto do robe.
- Eu... Eu achei que seria melhor.
- Para quem? Para voc? Para o beb? Certamente no para mim.
Ela mordiscou o lbio inferior, mas manteve a cabea baixa.
- Para... todos.
- Ora, Addy. Mereo uma explicao melhor do que esta.
Ela ergueu a cabea, os olhos repletos de raiva.
- O que voc quer de mim? - exclamou - J tem o herdeiro que queria. Foi por isso que se casou comigo.
Mack queria negar aquilo, mas estaria mentindo. Havia lhe oferecido casamento a fim de obter um herdeiro.
-  verdade - admitiu - Ou pelo menos era no comeo. Mas as coisas mudaram. Eu mudei.
Desesperado para convenc-la, saiu do sof e aproximou-se. Ento se ajoelhou, fechando uma mo sobre aquelas que Addy mexia sobre o colo.
- Voc estava feliz morando comigo, no estava? Ela fechou os olhos com fora e virou o rosto.
- Mack, por favor - suplicou - No faa isso. As lgrimas nos olhos de Addy, sua inabilidade de responder provou a Mack que ela o amava.
- Addy, olhe para mim - quando ela, teimosamente, manteve o rosto virado, ele segurou-lhe o queixo delicadamente e forou-a a encar-lo - Addy, olhe para mim e diga
que no estava feliz a meu lado.
Ela abriu os olhos.
- Sim, eu estava feliz a seu lado! - exclamou, as lgrimas agora rolando por suas faces - Eu me apaixonei por voc! Foi por isso que parti. No pode ria deix-lo
machucar voc, e se eu ficasse, ele faria isso.
Mack a olhou em confuso.
- Quem? Ty? Addy, Ty no pode me machucar.
- Ele poderia se eu tivesse ficado - ela passou a mo sobre o rosto para sec-lo - Ty ia usar Johnny Mack como uma isca para extorquir dinheiro de voc. Falou que
se eu no o ajudasse a conseguir o que queria, reivindicaria Johnny Mack e eu voltaria para Dallas e viveria na pobreza de novo.
- Mas como voc achava que o fato de partir me protegeria de Ty?
- Voc no entende? - exclamou ela, frustrada - No  Johnny Mack que Ty quer,  seu dinheiro! Se eu ficasse, Ty o levaria ao tribunal e provaria a paternidade,
e voc perderia tudo pelo que trabalhou to arduamente. Partindo e terminando nosso casamento, eu o tiro de cena, e ele ter de lidar somente comigo. Assim que perceber
que tudo que pode conseguir comigo numa batalha pela custdia  uma criana, vai desistir rapidamente. Addy fez uma pausa e suspirou.
- E se ele tentar brigar pela custdia, certamente vai perder. Nenhum juiz entregaria uma criana para um perdedor como Ty. De qualquer forma, ficarei com Johnny
Mack e voc pode v-lo sempre que quiser. Sei o quanto o ama e o quanto ele o ama. Voc  o pai dele, Mack. Eu jamais tentaria separ-los.
Embora no pudesse entender a lgica de Addy, Mack no queria question-la mais. Tudo que ela lhe dissera era o bastante para convenc-lo de que ainda o amava.
Com um sorriso carinhoso, alisou-lhe o rosto.
- Oh, Addy, apesar de eu apreciar o sacrifcio que voc estava disposta a fazer, isso no  necessrio. Ty no pode nos prejudicar. Nem a voc, nem a mim ou a Johnny
Mack. Eu me certifiquei disso.
Ela o olhou fixamente.
- Mas... como?
- Ele assinou os papis.
Addy meneou a cabea, recusando-se a acreditar.
- Isso  impossvel. Ele estava na casa comigo quando deveria estar encontrando-o no aeroporto de Houston.
-  verdade, e s mais tarde entendi por que ele no apareceu. Quando cheguei em casa e descobri que voc tinha partido, conclui que Ty tinha algo a ver com sua
partida. Tudo que eu mais queria era vir para c, pegar voc e o beb e lev-los para casa, mas sabia que no poderia fazer isso at que acertasse as contas com
Ty de uma vez por todas. Passei o dia de ontem providenciando os documentos legais que cortariam meu relacionamento com ele, ento dirigi para Houston esta manh
e o fiz assinar tudo.
Com olhos arregalados, Addy o encarou, como se temesse acreditar que aquilo era verdade.
- E isso basta? Quero dizer, a assinatura dele torna tudo legal? Ty nunca mais poder desafiar a validade dos documentos?
Mack riu.
- Eu gostaria de v-lo tentar, considerando que estaria questionando a integridade dos homens que levei comigo para testemunhar a assinatura dele.
Ela engoliu em seco.
- Eu... Eu no sei o que dizer. No sei o que fazer. Ele ajustou a posio para segurar-lhe o rosto com as duas mos.
- Eu sei - assegurou-a - Lembra-se quando me perguntou o que eu queria de voc?
Addy assentiu.
Mack passou o polegar debaixo dos clios to femininos, pegando uma lgrima que brilhava ali.
- Voc, Addy. Somente voc. Eu a amo mais do que a vida em si.
Ela cobriu-lhe as mos com as suas, o mais delicioso alvio a percorrendo.
- Oh, Mack, eu no sabia. Voc nunca disse. Ele a fitou curiosamente.
- Que eu a amava?
Addy assentiu entre lgrimas.
- Juro que pensei que tivesse dito. Ela meneou a cabea.
- No. Eu me lembraria de uma coisa importante como esta.
Rindo, ele lhe deu um beijo rpido.
- Imagino que sim - ento franziu o cenho, pensativo - No me recordo o exato momento no qual percebi que estava apaixonado. Mas sei, com certeza, que foi antes
da noite que voc tentou me seduzir. Apaixonar-me foi uma coisa inesperada, assim como nos conhecermos. Parece que fizemos tudo em ordem inversa. Tivemos um beb,
nos casamos e, por ltimo, nos apaixonamos.
Ele respirou fundo, querendo fazer a coisa certa.
- Quando lhe fiz a proposta, ofereci-lhe um casamento de convenincia. Eu gostaria de propor novamente, mas desta vez quero tudo. Quero que sejamos marido e mulher,
em cada sentido da palavra. Quero que sejamos uma famlia.
- Oh, Mack - sussurrou ela, chorosa.
- Espere um minuto - disse ele e se levantou, ajudando-a a fazer o mesmo - Quase me esqueci de uma coisa.
Mack enfiou a mo no bolso e procurou o anel que tinha tirado do cofre do escritrio antes de sair naquela manh. Encontrando-o, pegou-lhe a mo esquerda e colocou
o anel no dedo delicado, enquanto a olhava amorosamente.
- Este era o anel de casamento de minha me. O que meu pai lhe deu - esclareceu - no o que ela usava quando estava casada com Jacob Bodean. Depois que mame faleceu,
coloquei o anel no cofre, e foi l que permaneceu at esta manh. Embora parea estranho, nunca pensei em d-lo para minha primeira esposa. Talvez, inconscientemente,
eu soubesse que pertencia a uma outra pessoa. Voc.
Ele respirou fundo para firmar a voz, ento continuou.
- O amor que meus pais compartilharam era forte, to forte que s vezes eu sentia cime. Mais do que tudo, eu invejava o relacionamento deles. Especialmente depois
que me tornei adulto. Este  o tipo de amor que sinto por voc, Addy. O tipo de relacionamento que quero que tenhamos. Este anel simboliza famlia para mim, o amor
que um marido sente pela esposa. Voc o usar como um lembrete fsico de meu amor por voc?
- Oh, Mack - Addy olhou para o anel -  lindo - ento ergueu os olhos lacrimejantes para ele - Eu ficaria honrada em usar o anel de sua me.
Nos olhos de Addy, ele viu a mesma profundidade de amor que vira nos olhos de sua me quando fitava o primeiro marido, a promessa de uma vida inteira juntos. Quando
mergulhou nos olhos expressivos de Addy, sentiu um distinto tremor no corao, e, em seguida, uma onda de calor que se espalhou vagarosamente pelo seu corpo, e soube
que aquilo era um sinal da esposa e filho que tinha perdido, informando-o de que estavam contentes que ele encontrara a felicidade novamente. Naquele momento, soube
que sua vida tinha completado um ciclo. O fim de um ciclo, o incio de um outro... e um filho para carregar o nome de sua famlia.
Ele levou a mo de Addy aos lbios e beijou-a, selando a promessa de seu amor.
- Eu amo voc, Addy.
Ento, beijou-a profundamente, querendo mostrar-lhe, mais do que com palavras, a intensidade de seu amor. No momento que se afastou, apertou-lhe a mo com fora.
- Quero mais filhos. Irmos e irms para fazerem companhia a Johnny Mack.
Addy liberou uma respirao trmula, ento riu e envolveu os braos ao redor do pescoo dele.
-  o que quero, tambm.
Ouvindo o barulhinho de papel entre eles, Mack afastou-se um pouco e olhou para baixo.
- O que  isso?
Ela seguiu-lhe o olhar para o bolso de seu robe.
- Oh, meu Deus - exclamou e enfiou a mo no bolso - Esqueci de lhe contar - removeu o envelope e ergueu-o para que ele visse - Eu achei! O pedao de papel que meu
pai enviou para minha me. Estava dentro do ba, durante todo esse tempo.
Ele pegou o papel da mo dela para examin-lo.
- Isso  de seu pai? - perguntou, olhando o remetente.
- No,  de um soldado que serviu com ele. Na verdade,  do pai da moa que me ligou falando sobre o papel.
Mack ergueu os olhos para ela.
- E?
Addy o fitou em confuso.
- E o qu?
-  valioso?
Tirando-lhe o envelope da mo, ela o guardou de volta no bolso do robe e meneou a cabea.
- No como voc pensaria - sorrindo, envolveu os braos no pescoo de Mack de novo - Mas para mim vale milhes.


FIM
